2017-03-18

Subject: Medicamento para colesterol baseado no genoma melhora saúde cardíaca

Medicamento para colesterol baseado no genoma melhora saúde cardíaca

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@ Nature/Juan Gaertner/Science Photo Library

Durante anos os investigadores médicos tiveram esperança que uma classe crescente de medicamentos para o colesterol que têm como alvo a proteína PCSK9 pudesse ser a próxima geração de tratamentos. Agora, um teste clínico de grande dimensão demonstrou que esta abordagem pode baixar o risco de doenças cardíacas mas ainda não é claro se estes medicamentos, que tentam imitar uma mutação benéfica, são o avanço que os cientistas e farmacêuticas tinham imaginado.

Os resultados, publicados na revista New England Journal of Medicine e apresentado na conferência do Colégio Americano de Cardiologia em Washington DC, mostram que um medicamento chamado evolocumab (Repatha) reduziu o risco de morte cardiovascular, ataque cardíaco e enfarte em cerca de 20% em pacientes que já estavam a tomar estatinas para o controlo do colesterol. Esta redução de risco é aproximadamente da mesma magnitude que os pacientes podem sentir quando tomam as estatinas por si só. Noutra medida que também incluiu hospitalizações por problemas que originam uma redução do fluxo sanguíneo para o coração, o evolocumab reduziu o risco em 15%.

A Administração Americana para a Alimentação e Medicamentos (FDA) aprovou o evolocumab em 2015 para utilização em alguns doentes com colesterol elevado, baseando-se em dados que mostravam que o medicamento podia baixar os níveis do colesterol 'mau' de baixa densidade (LDL) em circulação no sangue em aproximadamente 60%. Mas os investigadores não tinham evidências, na altura, de que o medicamento também pudesse proteger contra enfartes ou ataques cardíacos.

“É um estudo excecionalmente importante", diz Harlan Krumholz, caardiologista na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut. “A promessa destes medicamentos tem sido muito clara, suspeitava-se que seriam capazes de cumprir essa promessa mas não se sabia."

Os novos resultados, de um teste com mais de 27500 participantes, vem vingar o conceito de que inibir a PCSK9 pode controlar a associação entre o controlo do colesterol e o risco de doenças cardíacas. Agora a questão é se os médicos e quem paga os cuidados de saúde vão considerar que o benefício é suficientemente grande para garantir o custo anual de cerca de US$14 mil.

A proteína PCSK9 ajuda a controlar a quantidade de colesterol mau no sangue ao regular o número de proteínas recetoras de LDL na membrana das células, que retiram o colesterol LDL de circulação. Pessoas com mutações naturais no gene PCSK9 têm habitualmente baixos níveis de colesterol mau e até 88% menos risco de doenças cardíacas.

Transformar essa informação num tratamento bem sucedido, no entanto, tem sido um desafio. Vários medicamentos que têm como alvo a PCSK9 estão em desenvolvimento ou até já foram aprovados mas o evolocumab é o primeiro a relatar resultados num teste de grande dimensão.

  A farmacêutica Pfizer abandonou o seu medicamento bloqueador da PCSK9 chamado bococizumab no ano passado depois de problemas em testes com pacientes. O bococizumab, como o evolocumab, é um anticorpo que se liga à proteína PCSK9, mas participantes que o receberam tendiam a desenvolver uma resposta imunitária ao medicamento, o que interferia com o tratamento.

A FDA aprovou o evolocumab, fabricado pela Amgen de Thousand Oaks, Califórnia, apenas para certos pacientes, como aqueles com problemas hereditários que provocam níveis extremamente altos de LDL.

Agora que os dados sobre o evolocumab foram revelados, algumas companhias de seguros e programas governamentais podem estar mais dispostos a suportar os custos elevados do medicamento mas qualquer novo medicamento contra o colesterol enfrenta forte concorrência por parte das estatinas mais económicas, que têm sido usadas para controlar os níveis de LDL há décadas.

Alguns analistas dizem que a demonstração de um benefício estatisticamente significativo para a saúde cardíaca não será suficiente para garantir que os medicamentos para a PCSK9 sejam o grande avanço do momento, a barreira mais importante é a que os responsáveis pelos custo impuseram e para a ultrapassar o evolocumab teria que reduzir o risco cardiovascular em 25% ou mais.

No seu conjunto, a redução do risco foi inferior ao que se esperava, com base no quanto o evolocumab reduz a quantidade de colesterol LDL no corpo, diz Krumholz. Mas as evidências de benefícios são suficientemente fortes para o medicamento ser uma opção para os doentes.

 

 

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