2017-03-15

Subject: Descoberta primeira rã fluorescente

Descoberta primeira rã fluorescente

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Com luz normal, a rã arborícola pintada Hypsiboas punctatus mostra um leque de verdes, amarelos e vermelhos suaves mas apague-se as luzes e ilumine-a com ultravioletas e este pequeno anfíbio brilha num verde azulado.

A capacidade de absorver luz de comprimentos de onda curtos e voltar a emiti-la com comprimentos de onda mais longos é conhecida por fluorescência, algo raro em animais terrestres e inaudito até agora em anfíbios. Os investigadores também relataram que a rã arborícola pintada usa as moléculas fluorescentes de forma completamente diferente de outros animais num artigo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Como a fluorescência exige a absorção de luz, não ocorre na escuridão total, o que a torna diferente da bioluminescência, em que os organismos produzem a sua própria luz gerada por reações químicas. Muitos organismos marinhos fluorescem, incluindo corais, peixes, tubarões e uma espécie de tartaruga marinha (a tartaruga-de-pente Eretmochelys imbricata). Em terra, a fluorescência apenas era conhecida em papagaios e alguns escorpiões. Não é claro porque os animais têm esta capacidade, apesar de algumas tentativas de explicação incluírem comunicação, camuflagem e atração do parceiro.

Os investigadores pensaram em encontrar fluorescência vermelha nestas rãs pela primeira vez ao verificarem que continham o pigmento biliverdina. Normalmente, a biliverdina torna os tecidos e ossos dos anfíbios verdes. No entanto, em alguns insetos, diz Carlos Taboada, herpetólogo na Universidade de Buenos Aires, Argentina, proteínas ligadas à biliverdina emitem uma leve fluorescência vermelha. Ainda assim, no caso da rã arborícola pintada, revelou-se uma caça aos gambozinos.

Quando Taboada apontou uma lanterna UVA (ou de luz negra) às rãs arborícolas pintadas recolhidas perto de Santa Fe, Argentina, ficou espantado ao descobrir que os animais emitiam um intenso brilho verde azulado em vez de um vermelho e fraco. “Nem queríamos acreditar", diz o coautor do estudo Julián Faivovich, herpetólogo também na Universidade de Buenos Aires.

Três moléculas, hiloína-L1, hiloína-L2  e hiloína-G1, presentes no tecido linfáticos, pele e secreções glandulares dos animais, eram responsáveis pela fluorescência verde.

  As moléculas apresentam estrutura em anel e uma cadeia hidrocarbonada, únicas entre as moléculas fluorescentes conhecidas em animais. As moléculas mais parecidas com elas encontram-se em plantas, refere o coautor do estudo Norberto Peporine Lopes, químico na Universidade de São Paulo, Brasil.

As recém-descritas moléculas fluorescentes emitem uma surpreendente quantidade de luz, originando cerca de 18% da luz visível de um Lua cheia, o suficiente para outra espécie de rã ver. Não se sabe praticamente nada sobre o sistema de fotorrecetores da rã arborícola pintada, pelo que Taboada tenciona estudá-los para determinar se as rãs conseguem ver a sua própria fluorescência.

“Acho tudo isto muito entusiasmante", diz o biólogo marinho David Gruber, da Faculdade Baruch na Universidade da Cidade de Nova Iorque, que descobriu a fluorescência nas tartarugas-de-pente em 2015. “Coloca muito mais questões do que dá respostas", diz ele, incluindo a função comportamental e ecológica da fluorescência.

Faivovich pretende procurar fluorescência nas 250 outras espécies de rãs arborícolas com pele translúcida, como a da pintada. Ele espera não ser o único: “Espero mesmo que outros colegas se interessem por este fenómeno e comecem a andar com uma lanterna de UV nos seus passeios pelo campo", diz ele.

 

 

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