2017-03-12

Subject: Floresta amazónica foi moldada por antiga fome de frutos

Floresta amazónica foi moldada por antiga fome de frutos

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@ Nature/Daniel Sabatier

 

A Amazónia tem sido sempre apresentada como o ícone da natureza selvagem mas os humanos vivem na maior floresta tropical húmida há milhares de anos, caçando, recolhendo e cultivando. Há anos que os investigadores debatem a influência que as atividades humanas têm tido na floresta e agora um estudo descreve a forma como as populações humanas condicionaram a distribuição das árvores na floresta à sua volta.

O artigo, publicado na revista Science, revela que as árvores e palmeiras domesticadas  têm cinco vezes mais probabilidade de estarem sobre representadas no Amazonas que as selvagens. Os investigadores também descobriram que as plantas domesticadas tendem a agrupar-se em redor dos vestígios de colonização pré-colombiana, onde as pessoas viviam antes da chegada de Cristóvão Colombo. Eles sugerem que esse padrão pode ajudar outros cientistas a descobrir colónias humanas antigas ainda não descobertas no Amazonas

"Não chega estudar as condições ambientais que estruturas estas comunidades de árvores e palmeiras", diz Carolina Levis, paleoecologista na Universidade Wageningen, Holanda, e autora principal do estudo. “Precisamos de perguntar 'qual é a influência humana nestas comunidades'."

Levis usou dados da Rede de Diversidade de Árvores da Amazónia, um grupo de investigadores que partilha informação sobre palmeiras e árvores na Amazónia, para estimar a biodiversidade da floresta húmida.

Até agora, os cientistas da rede identificaram 4962 espécies de árvores e palmeiras na Amazónia. Das 85 espécies lenhosas domesticadas, Levis descobriu que cerca de 20, como o castanheiro do Brasil Bertholletia excelsa ou o cacaueiro Theobroma cacao, estavam representadas em excesso.

Os investigadores quiseram saber se esta situação se devia à influência humana ou ao ambiente. Para isso, compararam a distribuição das espécies domesticadas com mais de 3 mil locais arqueológicos pré-colombianos conhecidos e locais prováveis de colonização, como a margem dos rios. A probabilidade de haver espécies domesticadas nesses locais era muito maior do que para espécies selvagens.

Considerando todas as espécies, cerca de 20% da distribuição das espécies domesticadas no Amazonas parece ser conduzida pela influência humana, enquanto 30% era provavelmente devida a fatores ambientais, como a composição do solo. No entanto, no sudoeste da Amazónia, que tinha grandes populações humanas pré-colombianas, cerca de 30% da distribuição das espécies domesticadas derivava de atividades humanas e menos de 10% era devida a fatores ambientais.

Isto não significa necessariamente que as ações dos humanos antigos foram as únicas responsáveis pela distribuição das plantas domesticadas, alerta Crystal McMichael, paleoecologista na Universidade de Amesterdão: “É bem sabido que os humanos modernos e antigos se instalaram nos mesmos locais", logo é possível que grupos mais modernos tenham influenciado os ecossistemas tanto como os antigos.

 

As ações humanas também podem ter criado condições que favorecessem as plantas domesticadas em vez das suas primas selvagens, diz Mark Bush, ecologista no Instituto de Tecnologia da Florida, Melbourne, e as espécies domesticadas podem ter recolonizado áreas perturbadas com maior facilidade do que as que não tinham ajuda humana.

Quando as pessoas abandonaram os locais Maias na América Central, as árvores do género Brosimum recolonizaram a área mas durante anos os investigadores pensaram que os Maias as tinham plantado. Levis pode estar a observar um fenómeno semelhante, diz Bush.

Levis reconhece que o seu estudo não discriminou os efeitos das populações humanas modernas dos dos seus ancestrais mas Bush e McMichael concordam que independentemente da causa, a distribuição das plantas na Amazónia segue as colónias humanas, antigas e modernas. Levis e McMichael estão a desenvolver um modelo para usar esse padrão para encontrar áreas onde viveram pessoas há milhares de anos.

Em última análise, diz Levis, esta pesquisa mostra que o Amazonas não é um selva intocada mas antes um ecossistema de que o Homem faz parte há muito tempo e as suas ações deixaram marcas no terreno. "As pessoas querem p reservar as florestas intocadas para a conservação mas se isto é verdade, as pessoas enriqueceram a floresta domesticando palmeiras, o que também é um artefacto cultural. As árvores que vivem nestas zonas povoadas podem ser relíquias de um passado vibrante."

 

 

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