2016-12-11

Subject: Groenlândia já perdeu o seu gelo e pode acontecer outra vez

Groenlândia já perdeu o seu gelo e pode acontecer outra vez

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@ Nature/Joshua Brown/UVM

Evidências enterradas nas rochas da Groenlândia mostram que gigantesca camada de gelo da ilha derreteu praticamente na sua totalidade pelo menos uma vez nos últimos 2,6 milhões de anos, o que sugere que o gelo da Groenlândia pode ser menos estável do que antes se acreditava.

“O nosso estudo volta a colocar a Groenlândia no mapa do gelo ameaçado”, diz Joerg Schaefer, paleoclimatólogo no Observatório da Terra Lamont-Doherty em Palisades, Nova Iorque, e coautor do artigo publicado esta semana na revista Nature.

Um segundo artigo sobre a mesma questão pinta um quadro ligeiramente diferente da estabilidade passada da camada de gelo. Um grupo liderado por Paul Bierman, geomorfologista na Universidade de Vermont em Burlington, descobriu que o gelo cobriu a Groenlândia oriental durante todos os últimos 7,5 milhões de anos. Os peritos dizem que os dois artigos não são necessariamente contraditórios: pode ter acontecido que quase todo o gelo da Groenlândia tenha derretido em algum momento, ainda que algum se tenha mantido nas terras altas a oriente.

Se todo o gelo da Groenlândia derretesse, isso elevaria o nível do mar em 7 metros e os modelos sugerem que a Groenlândia pode perder a sua cobertura de gelo daqui a 2500 anos, dependendo da concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera.

Os últimos artigos vêm somar-se a uma crescente compreensão da forma como o coberto de gelo da Groenlândia se tem alterado ao longos dos milhões de anos. Ambos os estudos usaram isótopos radioativos de berílio e alumínio para estimar quanto tempo as rochas da ilha estiveram expostas à atmosfera, pois os raios cósmicos produzem berílio-10 e alumínio-26 ao atingir as rochas. Ao contar esses radioisótopos na camada superior da rocha, os investigadores podem estimar quanto tempo a superfície esteve coberta por gelo espesso.

A equipa de Schaefer analisou rochas recolhidas do fundo do buraco escavado para a recolha do tarolo GISP2, que foi completado na Groenlândia central em 1993: “Perguntámos à superfície 'estiveste coberta de gelo ou não?'", explica Schaefer. “E ela respondeu-nos com toda a clareza 'não estive sempre coberta de gelo'".

Dado que a história dos radioisótopos pode ser interpretada de diferentes formas, os investigadores não podem dizer exatamente quando a rocha pode ter estado exposta ou durante quanto tempo: “Isso é um grande contra", diz Anders Carlson, paleoclimatólogo na Universidade Estadual do Oregon em Corvallis, que estudou a história da camada de gelo no sul da Groenlândia. “Se pudessem obter o momento em que não houve gelo, isso é que era mesmo interessante.” Uma possibilidade, diz Schaefer, é a Groenlândia ter estado livre de gelo pelo menos durante 280 mil anos, começando há mais de 1,1 milhões de anos.

  O segundo estudo sugere que a maior parte do gelo se aguentou durante os últimos 7,5 milhões de anos. Bierman estudou os radioisótopos em sedimentos marinhos ao largo da costa leste da Groenlândia, que foram transportados à medida que os glaciares moíam a rocha subjacente. Usando um método semelhante para determinar as idades de exposição, a equipa de Bierman concluiu que os glaciares erodiram a Groenlândia oriental ao longo de todo esse período. Os modelos de simulação mostram que a camada de gelo recuou para cerca de 5 a 10% da sua extensão atual, o que deixaria a localização GISP2 nua, ainda que continuasse a cobrir partes da zona oriental da ilha.

Ambos os estudos são consistentes com a Groenlândia coberta por uma camada de gelo que atingiu a máxima dimensão há cerca de 1,1 milhões anos, diz Dorthe Dahl-Jensen, paleoclimatólogo na Universidade de Copenhaga, que estudou a forma como o gelo persistiu ao longo de um período quente de 130 aos 115 mil anos.

Bierman compara os dois artigos à parábola dos homens cegos que apalpam um elefante: “Eles têm a ponta da presa e nós temos um pedaço grande do flanco. Juntos informamo-nos uns aos outros."

Uma nova classe de perfurações no gelo de acesso rápido em desenvolvimento pode acelerar a descoberta fornecendo mais amostras do fundo da camada de gelo, diz Michael Bender, geólogo na Universidade de Princeton em Nova Jérsia. No início deste ano, ele relatou que que o gelo no fundo de um tarolo diferente, conhecido por GRIP, tinha pelo menos 1 milhão de anos, o que também apoia a ideia que o gelo da Groenlândia tem estado estável pelo menos durante esse período.

 

 

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