2016-11-29

Subject: Estimulação cerebral externa vai fundo

Estimulação cerebral externa vai fundo

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Uma nova técnica pode permitir aos investigadores e clínicos estimular regiões profundas do cérebro, como as envolvidas na memória e emoções, sem ter que abrir o crânio do paciente.

As técnicas de estimulação cerebral que aplicam elétrodos ao escalpe de um paciente parecem ser seguras e os seus proponentes dizem que o método pode melhorar algumas funções cerebrais, incluindo reforço da inteligência e alívio da depressão.

Algumas destas alegações são melhor apoiadas pela pesquisa que outras mas as técnicas são limitadas porque não conseguem alcançar as regiões mais profundas do cérebro. Pelo contrário, os implantes usados na estimulação profunda do cérebro (EPC) têm muito mais sucesso a alterar o interior do cérebro. No entanto, os dispositivos podem ser arriscados pois envolvem cirurgia e os implantes não podem ser facilmente reparados se tiverem problemas.

Na conferência anual da Sociedade de Neurociência em San Diego, Califórnia, o neurocientista Nir Grossman, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, apresentou o seu método experimental que adapta a estimulação transcranial (ETC) ao cérebro profundo. A sua abordagem envolve o envio de sinais elétricos através do cérebro usando elétrodos colocados no escalpe e a manipulação das correntes elétricas de forma a negar a necessidade de cirurgia.

A equipa usou um dispositivo de estimulação para aplicar duas correntes elétricas ao crânio de um rato logo atrás das orelhas e afinaram-nas para frequências altas ligeiramente diferentes. Alinharam as correntes independentes de maneira a que se intersectassem no hipocampo.

Os neurónios cerebrais respondem às baixas frequências, por isso estas altas frequências atravessaram o tecido sem o afetar mas no ponto onde as correntes se cruzaram acabaram por praticamente se cancelar. A pequena diferença entre as duas frequências criou o que os neurónios interpretaram como um único campo de baixa frequência, que desencadeou neles uma resposta. Quando os investigadores dissecaram os cérebros dos animais, descobriram que as células do hipocampo tinham disparado, enquanto as células noutras zonas do cérebro não o tinham feito.

A equipa está agora a testar a técnica em voluntários humanos, diz Alvaro Pascual-Leone, neurologista na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, que está a colaborar com Grossman. Enquanto cada voluntário está deitado num scanner cerebral, os investigadores podem medir de que forma a atividade no seu hipocampo muda em resposta à ETC em tempo real. Mas ainda não testaram se esta estimulação pode afetar o comportamento, por exemplo melhorar o desempenho em testes de memória.

Grossman diz que a técnica ainda exige muita afinação e testes. Em particular, o campo elétrico é impreciso e parece ter estimulado grandes porções do hipocampo dos ratos.

  Angel Peterchev, neuroengenheiro na Universidade de Duke em Durham, Carolina do Norte, está céptico em relação à técnica: ele salienta que há evidências que sugerem que as frequências usadas pelos investigadores no seu estudo podem ser demasiado baixas para ultrapassar facilmente o cérebro e podem ter efeitos inesperados.

“É um caminho lento", diz Joel Voss, neurocientista na Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern em Chicago, Illinois. O seu grupo está a usar um método semelhante chamado estimulação magnética transcranial (EMT) para ativar neurónios na superfície do cérebro e dirigi-los de forma a que o sinal se propague até às regiões mais profundas. Tendo o hipocampo como alvo desta forma, foram capazes de melhorar temporariamente a memória em voluntários saudáveis.

Voss não gosta da ETC como método pois não é sempre fiável mas está contente que se esteja a trabalhar em formas de estimular o cérebro profundo sem usar implantes ou cirurgia: "Acho que há uma enorme necessidade de algo assim", diz ele.

Pascual-Leone reconhece as preocupações e refere que o seu grupo está a procurar melhorar a precisão da técnica alterando as frequências ou preparando tipos específicos de células com medicamentos de forma a torná-los mais reativos à estimulação.

Ainda assim, a psiquiatra Helen Mayberg, da Universidade Emory em Atlanta, Georgia, duvida que os métodos transcranianos substituam os implantes em breve, especialmente os implantes funcionam bem como terapia para muitos pacientes. “Neste momento, estamos num ponto da trajetória em que temos algo a oferecer aos pacientes mas talvez daqui a dez anos os médicos não tenham de recorrer a este tipo de opção tão invasiva."

 

 

Saber mais:

Ratos brincalhões revelam região do cérebro responsável pelas cócegas

Tratamento para Alzheimer parece aliviar perda de memória

Cérebro humano mapeado com detalhe sem precedentes

Pobreza associada a alterações epigenéticas e doenças mentais

Moderna experiência Milgram lança luz sobre poder da autoridade

Descoberta zona do cérebro que pode tornar o Homem único

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2016


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com