2016-11-28

Subject: Teste falhado sobre Alzheimer não mata teoria sobre a doença

Teste falhado sobre Alzheimer não mata teoria sobre a doença

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@ Nature/Jessica Wilson/Science Photo Library

Um medicamento que era visto como um importante teste á principal teoria sobre a doença de Alzheimer falhou num grande teste clínico em pessoas com demência. Os críticos da hipótese amilóide, que postula que a doença é desencadeada pela acumulação da proteína amilóide no cérebro, agarraram os resultados como prova da sua fraqueza mas ainda não é claro se a teoria poderá eventualmente fornecer um tratamento.

Os proponentes da teoria salientam que a forma particular como o solanezumab, o medicamento envolvido no teste, funciona pode ter levado ao falhanço e não algum tipo de falha na própria hipótese. Muitos testes estão em curso para verificar se o solanezumab, ou outros que têm como alvo a amilóide, podem funcionar em pessoas em risco de desenvolver a doença mas ainda não apresentam sintomas ou até mesmo em pessoas com Alzheimer, apesar deste mais recente resultado negativo.

“Estou extremamente desapontada pelos pacientes mas isto, para mim, não altera a forma como penso sobre a hipótese amilóide”, diz Reisa Sperling, neurologista no Hospital Brigham and Women em Boston, Massachusetts. Ela está á frente de um dos vários testes de prevenção em curso que estão a usar o solanezumab (e outros medicamentos que têm como objetivo reduzir a acumulação de placas amilóides) em pessoas em risco de desenvolver Alzheimer.

O solanezumab é um anticorpo que limpa a proteína amilóide do sangue e do líquido cefalorraquidiano mas as proteínas podem continuar a formar placas no cérebro. A Eli Lilly, a companhia que desenvolveu o solanezumab, anunciou a 23 de Novembro que iria abandonar o medicamento como tratamento para pacientes com demência ligeira. O resultado vem juntar-se a uma longa lista de medicamentos prometedores que falharam na clínica, muitos dos quais, como o solanezumab, tendo como alvo a amilóide.

O teste da Lilly, conhecido por EXPEDITION, envolveu mais de 2100 pessoas diagnosticadas com demência ligeira devida ao Alzheimer. Metade recebeu infusões mensais de solanezumab e a outra metade um placebo. Foram todos seguidos durante 18 meses e testados numa série de tarefas cognitivas. A análise de pessoas com sintomas comparáveis em estudos anteriores de solanezumab pareciam encorajadores mas este último teste apenas indicou um pequeno benefício, não suficiente para merecer a comercialização do medicamento.

“Estamos desapontados pelos milhões de pessoas que esperam por um tratamento para a doença de Alzheimer”, referiu o executivo-chefe da Lilly, John Lechleiter, num comunicado. Numa conferência de imprensa, a companhia disse ter gasto cerca de US$3 mil milhões na investigação e desenvolvimento sobre Alzheimer nos últimos 27 anos.

A Lilly também tem testes de prevenção em curso para ver se o solanezumab pode ajudar pessoas com risco especialmente elevado de desenvolver a doença. A companhia diz que vai agora discutir com os seus parceiros nos testes se estes deverão continuar.

O teste de Sperling é um desses e está a testar o solanezumab em pessoas com níveis elevados de amilóide no cérebro mas não mostraram qualquer sintoma de demência. “Uma terapia amilóide tem que ser iniciada antes de haver perda neuronal significativa", diz ela.

Investigadores na Universidade de Washington em St Louis, Missouri, também estão a testar o solanezumab, e outros anticorpos semelhantes produzidos pela farmacêutica Roche, em pessoas presentemente saudáveis mas com alto risco genético de desenvolver Alzheimer.

Entretanto, o Instituto Banner para o Alzheimer em Phoenix, Arizona, está a testar os efeitos de 3 terapias que têm como alvo a produção da proteína amilóide, um dos quais é um anticorpo, em pessoas com alto risco genético de Alzheimer. O resultado da Lilly “não nega a hipótese amilóide e aumenta a importância destes testes clínicos de prevenção mais longos”, diz Eric Reiman, diretor-executivo do instuto e líder dos testes. A mais recente descoberta negativa, diz ele, “coloca a questão se usamos demasiado pouco quando era demasiado tarde e temos que ver isso.”

  O resultado da Lilly pode dizer mais sobre as características do solanezumab do que sobre o rigor da teoria amilóide subjacente, diz Christian Haass, chefe da sucursal de Munique do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas. O anticorpo tem como alvo as formas solúveis da amilóide, salienta ele, logo “pode ficar encurralado no sangue sem alguma vez alcançar o verdadeiro alvo no cérebro em quantidade suficiente."

A Biogen, uma companhia de Cambridge, Massachusetts, está a testar um anticorpo diferente chamado aducanumab, que tem como alvo placas amilóides no cérebro. Num teste clínico anterior, o anticorpo mostrou sinais de limpar a amilóide e aliviar a perda de memória em pessoas com Alzheimer ligeiro, resultados da fase III devem ser conhecidos em 2020. “Até termos os todos os dados sobre o aducanumab, não teremos verdadeiramente posto a amilóide em teste", diz Josh Schimmer, analista de biotecnologia na Piper Jaffray em Nova Iorque.

Ainda assim, as descobertas negativas do teste vieram reforçar os críticos da teoria amilóide, cansados do seu falhanço para fornecer um tratamento. “A hipótese amilóidé está morta", diz George Perry, neurocientista na Universidade do Texas em San Antonio. “É uma hipótese muito simplista que foi razoável propor há 25 anos mas não atualmente."

“Estamos a chicotear um cavalo morto", acrescenta Peter Davies, investigador em Alzheimer no Instituto Feinstein de Investigação Médica em Manhasset, Nova Iorque. “Não há sinais de alguém ter melhorado, nem por um breve período de tempo, o que me sugere que temos o mecanismo errado."

Independentemente do que a Lilly decida sobre os seus outros testes com o solanezumab, a companhia não vai desistir do Alzheimer. Em parceria com a AstraZeneca, está a testar um inibidor de uma enzima envolvida na síntese da amilóide e está a progredir com um punhado de terapias iniciais contra outro tipo de alvo no Alzheimer.

 

 

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