2016-11-24

Subject: Edição genética CRISPR testada numa pessoa pela primeira vez

Edição genética CRISPR testada numa pessoa pela primeira vez

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@ Nature/Steve Gschmeissner/Science Photo Library

Um grupo chinês tornou-se o primeiro a injetar uma pessoa com células contendo genes editados com a técnica CRISPR–Cas9.

Em Outubro, uma equipa liderada pelo oncologista Lu You, da Universidade de Sichuan em Chengdu, aplicaram as células modificadas a um paciente com um tumor no pulmão muito agressivo, como parte de um teste clínico realizado no Hospital da China Ocidental, também em Chengdu.

Testes clínicos anteriores usando células editadas através de uma técnica diferente entusiasmaram os clínicos mas a introdução da CRISPR, mais simples e mais eficiente que as outras técnicas, vai provavelmente acelerar a corrida para levar as células editadas às clínicas de todo mundo, diz Carl June, especialista em imunoterapia na Universidade da Pensilvânia em Filadélfia, e liderou um dos estudos anteriores. "Penso que isto vai desencadear um ‘Sputnik 2.0’, um duelo biomédico entre a China e os Estados Unidos, o que é importante pois a competição normalmente melhora o produto final."

June é o conselheiro científico de um teste americano que está a ser preparado e irá usar a CRISPR para alcançar 3 genes nas células dos participantes, com o objetivo de tratar vários tipos de cancro. Ele espera que o teste comece no início de 2017. Em Março de 2017, um grupo da Universidade de Pequim em Beijing espera dar início a 3 testes clínicos usando CRISPR contra cancros da bexiga, próstata e células renais. Esses testes ainda não receberam aprovação ou financiamento.

O teste de Lu recebeu a aprovação ética de um painel de revisão hospitalar em Julho e as injeções deveriam ter começado em Agosto mas foram adiadas, explica ele, porque a cultura e amplificação das células levou mais tempo do que esperavam e entretanto chegaram as festividades chinesas de Outubro.

Os investigadores removeram células imunitárias do sangue dos pacientes e desativaram um gene usando a CRISPR–Cas9, que se combina uma DNAse com um guia molecular que pode ser programado para indicar à enzima exatamente onde cortar. O gene desativado codifica a proteína PD-1, que geralmente trava a resposta imunitária da célula, algo que os cancros usam para proliferar.

A equipa de Lu cultivou as células editadas, aumentando o seu número, e injetou-as de volta no paciente com cancro de pulmão metastático, esperando que sem a PD-1 as células editadas ataquem e derrotem o cancro.

  Lu considera que o tratamento correu bem e refere que o paciente irá receber uma segunda injeção mas recusou dar detalhes devido a questões de confidencialidade. A equipa tenciona tratar um total de 10 pessoas, que irão receber 2, 3 ou 4 injeções. Este é essencialmente um teste de segurança e os pacientes serão monitorizados durante seis meses para determinar se as injeções estão a causar efeitos adversos graves. A equipa de Lu também os irá vigiar para além desse período de tempo para ver se beneficiam do tratamento.

Outros oncologistas estão entusiasmados com a entrada da CRISPR na cena do cancro: “A tecnologia ser capaz disto é incrível”, diz Naiyer Rizvi, do Centro Médico da Universidade de Colúmbia em Nova Iorque. António Russo, da Universidade de Palermo, salienta que os anticorpos que neutralizam a PD-1 foram bem sucedidos contra o cancro do pulmão, deixando bons auspícios para o ataque com a CRISPR.

Mas Rizvi questiona se este teste em particular terá sucesso. O processo de extração, modificação genética e multiplicação das células é complicado e difícil de escalar. “A não ser que mostre um enorme ganho de eficácia, vai ser complicado justificar avançar com isto" pois ele duvida que seja superior à utilização de anticorpos, que pode ser expandida a quantidades ilimitadas em clínica. Lu refere que a sua equipa está a avaliar esta questão no este mas que ainda é cedo para dizer qual das abordagens será melhor.

 

 

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