2016-11-12

Subject: Ratos brincalhões revelam região do cérebro responsável pelas cócegas

Ratos brincalhões revelam região do cérebro responsável pelas cócegas

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@ NBC

Tal como os humanos, os ratos têm cócegas e agora, implantando eléctrodos nos cérebros destes animais, os investigadores identificaram a região do cérebro que parece conduzir essa característica, algo que pode iluminar a origem das cócegas no Homem.

O trabalho, publicado na revista Science, também revela que a susceptibilidade ás cócegas é afetada pela disposição, tal como nas pessoas. Os investigadores também revelaram que os ratos têm cócegas nos mesmos locais que os humanos, ou seja, na barriga e patas traseiras mas não nas costas ou patas dianteiras.

No final dos anos 90, o neurocientista Jaak Panksepp, na altura na Universidade Estadual de Bowling Green no Ohio, descobriu que os ratos produzem ruídos ultrassónicos quando lhes fazem cócegas e quando brincam, o que é semelhante ao riso humano.

Vários outros animais têm cócegas, incluindo os cães e os chimpanzés mas os ratos parecem sê-lo de forma particularmente evidente e são simples de manusear em laboratório. Assim, os neurocientistas Michael Brecht e Shimpei Ishiyama, do Centro Bernstein de Neurociência Computacional em Berlim, decidiram usar estes animais para sondar o que se passa no cérebro.

Inseriram oito elétrodos na zona somatossensorial, a área do cérebro dos mamíferos que reage ao toque na pele, em cinco ratos. Seguidamente, fizeram cócegas aos animais, nas costas, barrigas e caudas, registando os sons ultrassónicos.

Os neurónicos no tronco do córtex somatossensorial dispararam intensamente em resposta ás cócegas na barriga mas menos ás cócegas nas costas e praticamente nada na cauda. Os disparos intensos estavam relacionados com um padrão de sons específico.

Brecht e Ishiyama passaram a investigar se era possível levar os animais a produzir esse padrão de sons simplesmente por estimulação do tronco do córtex somatossensorial e descobriram que podiam, concluindo que seria essa a região responsável pelas cócegas.

Quando fizeram cócegas a ratos enquanto estes se encontravam numa plataforma elevada sob luz forte, uma situação concebida para criar ansiedade, a habitual resposta sonora foi reduzida, tendo eles concluído que o medo suprime a atividade do córtex somatossensorial. O facto de os ratos terem cócegas nos mesmos locais que os humanos, por sua vez, sugere que as cócegas podem ter uma base na anatomia neural partilhada por vários animais.

Os investigadores registaram atividade no córtex somatossensorial não só durante as cócegas mas também quando os ratos lhes perseguiam as mãos, diz Brecht, mesmo quando não tocavam no animal. Isto está de acordo com o que alguns investigadores, incluindo Panksepp, suspeitam ser a razão da evolução das cócegas: para promover as ligações sociais e a brincadeira.

  “O primeiro animal a quem fiz cócegas chiou como um doido e os que mais chiavam também eram os que começaram a perseguir as nossas mãos por brincadeira", recorda Panksepp, que agora está na Universidade Estadual de Washington em Pullman. As descobertas estão de acordo com a observação de que os ratos de laboratório não parecem ter cócegas e não são brincalhões.

Panksepp está feliz por outros cientistas terem progredido na sua pesquisa e louva o trabalho mas gostaria de ver realizada uma experiência que sonde se os ratos procuram ativamente a estimulação direta do córtex somatossensorial para confirmar que os sons produzidos quando esta parte do cérebro é estimulada diretamente é um sinal de prazer.

Outra sugestão vem de Chris Frith, neuropsicólogo e professor emérito do Centro Wellcome Trust de Neuroimagem do University College de Londres. Em 1998, ele usou scans cerebrais para mostrar que a maioria das pessoas não reagem a cócegas feitas a si próprio pois o cerebelo, que parece prever o tipo de sensação que um movimento vai causar, cancela a sensação de cócegas. Pessoas com esquizofrenia, que têm dificuldade em distinguir sensações vindas do mundo exterior e as autodesencadeadas, são capazes de fazer cócegas a si próprios.

“O próximo passo será ver se os ratos conseguem fazer cócegas a si próprios", diz ele. Mas ele reconhece que “pode ser difícil conseguir que os ratos o façam".

 

 

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