2016-10-31

Subject: Alterações climáticas podem transformar Mediterrâneo em deserto

Alterações climáticas podem transformar Mediterrâneo em deserto

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@ Nature

Sevilha e Lisboa têm florescido num clima temperado mas se o aquecimento global continuar á taxa atual estas cidades estarão no meio de um deserto até ao final do século, relatam os modeladores climáticos na revista Science.

Manter a distribuição histórica dos ecossistemas da região exigirá limitar o aquecimento a apenas 1,5ºC, fazendo cortes substanciais nas emissões de gases de estufa, conclui a análise. Se assim não for, a vegetação e os ecossistemas da bacia do Mediterrâneo vão alterar-se á medida que a temperatura subir e a crescente desertificação do sul da Europa é uma alterações daí resultantes.

“Tudo se move em paralelo: a vegetação arbustiva irá deslocar-se para as florestas decíduas, enquanto as florestas se deslocarão para as zonas de maior altitude", diz Joel Guiot, paleoclimatólogo do Centro Europeu de Investigação em Geociência e Educação em Aix-en-Provence, França e autor principal do estudo.

A análise de Guiot combina um modelo climático com um modelo da vegetação que prevê a forma como as plantas terrestres responderão ás alterações de temperatura, precipitação e concentração de gases de efeito de estufa na atmosfera.

Ele e o sei coautor Wolfgang Cramer, diretor científico do Instituto Mediterrânico para a Biodiversidade e Ecologia em Aix-en-Provence, olharam para um leque de resultados baseados em diferentes cenários para as emissões futuras, incluindo limitação do aquecimento a 2ºC  e 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, o intervalo estabelecido pelo acordo de Paris, ratificado no início do mês.

“Aprecio muito que eles tenham feito esta comparação em vários cenários de aquecimento em linha com o acordo de Paris de forma a começarmos a avaliar a sensibilidade a eles", diz Benjamin Cook, cientista climático no Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque.

O estudo confirma a vulnerabilidade de muitos ecossistemas e pode guiar os esforços dos decisores para ajudar os sistemas naturais a adaptarem-se ás alterações climáticas, diz Patrick Gonzalez, cientista principal para as alterações climáticas no Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos, sedeado na Universidade da Califórnia, Berkeley. “Este estudo mostra o quão essencial é para os países o cumprimento do seus compromissos de Paris.”

  A situação no sul da Europa é semelhante ao sudoeste americano, salienta Gonzalez: o aumento da temperatura é o motor das secas. Mais dióxido de carbono na atmosfera significa aumento da temperatura, menos precipitação e mais secura, o que conduz á desertificação.

O modelo usado no novo estudo também reconstrói os limites históricos da vegetação dos ecossistemas mediterrânicos, de forma a colocar as potenciais alterações futuras: “Essencialmente, a vegetação não mudou muito ao longo dos últimos 10 mil anos”, diz Filippo Giorgi, chefe da Secção de Física dos Sistemas Terrestres do Centro Internacional de Física Teórica em Trieste, Itália. “É interessante colocarem futuras alterações nesse contexto."

Tanto os modelos climáticos, como os de vegetação apresentam incertezas significativas, ainda assim, e os modelos apenas têm em conta a vegetação natural e não a vegetação gerida, como florestas e culturas. O estudo ignora o facto de os humanos afetarem continuamente os ecossistemas através da utilização da terra, urbanização e degradação do solo. “Se tivéssemos a possibilidade de incluir estes impactos humanos, os resultados ainda seriam piores do que os que simularam", diz Guiot.

 

 

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