2016-10-04

Subject: Prémio Nobel da medicina para pesquisa sobre a forma como as células se devoram

Prémio Nobel da medicina para pesquisa sobre a forma como as células se devoram

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@ Nature/Akiko Matsushita/Kyodo News via AP

O biólogo molecular Yoshinori Ohsumi ganhou o prémio Nobel da medicina (ou da fisiologia) de 2016 pelo seu trabalho no campo da autofagia, o processo pelo qual as células digerem e reciclam os seus próprios componentes.

Com 71 anos, Ohsumi, atualmente professor no Instituto de Tecnologia de Tóquio em Yokohama, foi reconhecido pelas suas experiências da década de 1990 quando usou levedura de padeiro Saccharomyces cerevisiae para identificar genes que controlam a forma como as células destroem os seus próprios componentes. O mesmo tipo de mecanismo opera em células humanas e está, por vezes, envolvido em doenças genéticas.

"Ele é um humilde geneticista de leveduras que basicamente transformou o campo de estudos", diz Sharon Tooze, bióloga celular no Instituto Francis Crick em Londres. "Ele estava interessado nesta via metabólica estranha que se revelou uma via metabólica vitalmente importante para a medicina."

O termo autofagia foi cunhado em 1963 pelo bioquímico belga Christian de Duve, que observou a forma como as células degradam os seus componenetes no interior do vacúolo que apelidou de lisossoma. Os biólogos compreendem agora que este processo é fundamentalmente importante para as células vivas.

"Sem autofagia as nossas células não sobrevivem", diz Juleen Zierath, fisiólogo no Instituto Karolinska de Estocolmo que fez parte do comité de seleção para o Nobel da medicina. Quando as células passam fome, podem consumir as suas próprias proteínas como combustível. O mesmo processo de degradação pode ser usado para eliminar proteínas e organitos danificados, na prática para renovar as células e limpar resíduos, ou para afastar bactérias ou vírus invasores.

Ohsumi começou a estudar leveduras como postdoc, virando-se para a replicação do DNA de levedura como projeto lateral quando a sua investigação principal bloqueou, diz Tooze. Quando Ohsumi começou a estudar a autofagia em 1988, “era um tópico de investigação bastante sonolento”, diz o bioquímico Michael Hall, da Universidade de Basileia, Suíça. “Basicamente era considerado o sistema de tratamento do lixo da célula, simples degradação por grosso do lixo."

  Ohsumi referiu que todas as descobertas da sua investigação começou com o amor ao microscópio: "Podemos responder ás questões mais básicas e importantes sobre a natureza da vida através das leveduras", acrescentou ele. Ohsumi continuaria o seu trabalho desenvolvendo aprimeira forma de analisar a genética das leveduras envolvidas na via metabólica da autofagia mas ainda demoraria alguns anos até os biólogos reconhecerem a importância do processo na fisiologia e na doença.

O interesse no campo disparou quando, em 1999, Beth Levine (agora na Universidade do Texas Southwestern em Dallas) relatou que um gene da autofagia de mamífero podia suprimir o crescimento tumoral. Essa descoberta lançou esforços diversificados para saber mais sobre o papel da autofagia no cancro.

Perturbações na autofagia também foram associadas á doença de Parkinson, diabetes tipo 2 e outras doenças, e a investigação decorre para desenvolver medicamentos que possam afetar o processo.

A compreensão dos investigadores do complexo papel da autofagia no cancro tem-se tornado mais detalhado, o processo parece inibir tumores nas primeiras fases do seu desenvolvimento mas também podem alimentar o cancro uma vez este espalhado, refere Hall.

Ohsumi, que irá receber 8 milhões de coroas suecas (US$940 mil) pelo prémio, também ganhou ¥50 milhões (US$626 mil) pelo prémio Quioto de ciências básicas em 2012 pelo seu trabalho em autofagia.

 

 

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