2016-10-03

Subject: Encontrados vestígios humanos em caverna de Hobbit

Encontrados vestígios humanos em caverna de Hobbit

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@ Nature/Javier Trueba/MSF/Science Photo Library

Um par de dentes com 46 mil anos de idade foi descoberto em Liang Bua, uma caverna na ilha indonésia de Flores que em tempos o lar do Homo floresiensis, vulgarmente conhecido por hobbit. Os dentes são ligeiramente mais jovens que os vestígios de hobbit conhecidos, o que fortalece o caso a favor de os humanos terem sido responsáveis pela extinção da espécie.

Uma equipa liderada pelo arqueólogo Thomas Sutikna e o geocronologista Richard Roberts, ambos da Universidade de Wollongong, Austrália, relatou a descoberta dos dentes numa conferência no encontro anual da Sociedade Europeia para o Estudo da Evolução Humana em Madrid.

A descoberta em 2003 do H. floresiensis intrigou os investigadores, em parte porque alguns dos vestígios foram datadas por carbono com 11 mil anos. Nessa altura, o Homo sapiens já tinha colonizado o sudeste asiático e poucos cientistas podiam imaginá-los a coexistir com hobbits durante milhares de anos.

Mas este ano, trabalho de datação mais recente na caverna empurrou a extinção dos hobbits para há cerca de 50 mil anos. Roberts, que liderou o estudo, salientou que já se sabia que os humanos viviam no sudeste asiático por essa altura: "É uma indicação de interação com humanos modernos mas ainda não temos a confirmação", referiu ele.

O pré-molar e molar inferior humanos foram descobertos em 2010 e 2011 e datados por carbono com cerca de 46 mil anos, através de carvão encontrado nas proximidades, explicou Sutikna. A equipa está confiante que os dentes são de H. sapiens pois são maiores que os de H. floresiensis.

María Martinón-Torres, paleoantropóloga na University College de Londres, que assistiu á palestra, considera que o molar inferior parece de H. sapiens, enquanto o pré-molar parece um pouco mais primitivo. Para provar conclusivamente que os dentes são humanos, ela gostaria de ver comparações com um maior leque de vestígios de H. sapiens e H. erectus (que pode ter sobrevivido na Indonésia até há cerca de 50 mil anos).

Outras evidências apresentadas por Sutikna coloca humanos em Liang Bua logo após o H. floresiensis ter desaparecido, que acrescenta peso á possibilidade de os humanos terem desempenhado um papel na extinção dos hobbits, possivelmente por serem mais competitivos na obtenção dos recursos limitados de Flores.

  Evidências de animais que poderiam ser presas para os caçadores/recoletores humanos, como as cegonhas gigantes Leptoptilos robustus, abutres Trigonoceps e elefantes miniatura Stegodon florensis insularis, desaparecem dos sedimentos da caverna após cerca de 46 mil anos. Ao mesmo tempo, começam a aparecer as cascas de moluscos de água doce nos sedimentos, algo comum nos locais dos primeiros humanos por toda a Eurásia e África. Ferramentas de pedra e evidências de fogueiras são também mais recentes do que os vestígios de hobbits em Liang Bua.

“O que ainda não sabemos é se existe pelo menos uma curta sobreposição entre as populações, colocando a questão novamente do possível papel dos humanos modernos na extinção dos floresiensis”, diz Chris Stringer, paleoantropólogo no Museu de História Natural de Londres. Se hobbits e humanos se sobrepuseram, podem até ter-se cruzado, diz Stringer.

Em Abril próximo, Sutikna, Roberts e a sua equipa vão regressar a Liang Bua para explorar os depósitos da caverna com 46 a 50 mil anos e que podem contar os vestígios dos humanos que viram os últimos hobbits.

 

 

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