2016-09-27

Subject: Mais longo registo histórico de temperaturas recua até há 2 milhões de anos

Mais longo registo histórico de temperaturas recua até há 2 milhões de anos

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@ Nature/Carmen Jaspersen/picture-alliance/dpa/AP

Um registo da temperatura global agora publicado na revista Nature prolonga-se até há 2 milhões de anos no passado, o mais longo registo contínuo publicado à data, e desencadeou um aceso debate sobre a forma como o clima da Terra irá mudar no futuro.

O estudo aproveita dados de dúzias de tarolos de sedimentos oceânicos, bem como modelos climáticos, para fornecer estimativas das temperaturas médias superficiais globais. Reconstruções anteriores iam mais atrás (em alguns casos até há 3 milhões de anos) mas eram menos abrangentes ou focavam-se apenas em certos períodos de tempo em particular. O mais longo registo abrangente de temperatura disponível antes deste estudo ia apenas até há 22 mil anos.

“É um ponto de início muito útil”, refere a autora principal Carolyn Snyder, diretora da Climate Protection Partnerships Division da Agência de Proteção do Ambiente dos Estados Unidos em Washington DC. “As pessoas podem pegar nisto e melhorá-lo á medida que mas registo fiquem disponíveis no futuro."

Usando um subconjunto de dados de temperatura reconstruído, Snyder, que começou o estudo quando estava na Universidade de Stanford em Palo Alto, Califórnia, analisou a relação entre as temperaturas passadas e os níveis de dióxido de carbono (CO2) estimados a partir de tarolos de gelo antártico ao longo dos últimos 800 mil anos. Baseada nessa análise, ela descobriu que o aquecimento futuro a longo termo induzido pelos gases de efeito de estufa pode ser mais severo do que muitas das estimativas anteriores.

Mesmo que a quantidade de CO2 atmosférico estabilize aos níveis atuais, o estudo sugere que as temperaturas médias podem subir cerca de 5°C ao longo dos próximos milénios em resultado dos efeitos dos gases de efeito de estufa nos glaciares, ecossistemas e outros fatores. A duplicação dos níveis pré-industriais de CO2 atmosférico de cerca de 280 ppm, que pode ocorrer nas próximas décadas a não ser que se limitem as emissões de gases de efeito de estufa, pode eventualmente levar as temperaturas médias globais a subirem cerca de 9°C, o que está no limite superior das estimativas existentes.

E é aqui que o estudo encontrou cepticismo: “A chave deste artigo é a reconstituição da temperatura, que é realmente valiosa”, diz Eelco Rohling, paleoclimatólogo na Universidade Nacional da Austrália em Camberra. Mas ele acrescenta que a questão da forma como o planeta irá responder ao CO2 atmosférico ao longo do tempo exige uma análise mais detalhada.

Em particular, o estudo não tem em conta alterações subtis na órbita da Terra que afetam as temperaturas globais e ajudaram a conduzir a expansão e o recuo dos glaciares ao longo do período de tempo da análise, diz Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque. Ele considera que os efeitos dessas variações orbitais devem ser consideradas quando se compara a era glacial com o presente.

 

A investigação de Schmidt sobre a sensibilidade a longo prazo da Terra ao CO2 focou-se numa era mais quente antes das eras glaciais, há cerca de 3 milhões de anos. Esse trabalho sugere que o aquecimento á escala de milénios que pode ser esperado do aumento dos gases de efeito de estufa é de cerca de 4,5°C para uma duplicação dos níveis de CO2 pré-industrial.

A nova análise tem pouca relevância na sensibilidade climática a curto prazo, que é o que a humanidade pode esperar ver ao longo do próximo século ou dois. O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas estima que a sensibilidade climática a curto prazo é de cerca de 3°C de aquecimento para uma duplicação do CO2 atmosférico.

Snyder não está convencida que os efeitos orbitais sejam assim tão importantes neste caso. Ela considera que o seu estudo fornece uma única medida da relação entre as temperaturas históricas e os níveis de CO2. Se essa relação se revelar correta, sugeriria que a Terra assistirá a ainda mais aquecimento no futuro mas ela salienta que conclusões sobre alterações climáticas futuras devem ser vistas com cautela: "Isto não é uma previsão", diz ela, “A experiências que os humanos estão a fazer são muito diferentes do que observámos no passado.”

Apesar do registo de temperaturas de Snyder provavelmente vira ser melhorado á medida que novos dados sejam incorporados no futuro, o estudo preenche uma falha crucial nos arquivos da ciência climática, diz Jeremy Shakun, geólogo no Boston College em Chestnut Hill, Massachusetts, que desenvolveu os registos anteriores até há 22 mil anos.

 

 

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