2004-07-27

Subject: Criada a arca de Noé congelada

News of the Wild

 

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Criada a arca de Noé congelada

 

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caracóis Partula Foi criado no Reino Unido o primeiro banco de tecidos que irá armazenar o material genético de milhares de espécies animais ameaçadas. O projecto é financiado pelo Natural History Museum, pela Zoological Society of London e pela Universidade de Nottingham. 

A Frozen Ark (arca congelada), como foi designado, permitirá às espécies sobreviver mesmo após a extinção anunciam os seus criadores. A sua existência irá permitir a gerações futuras de cientistas compreender os animais que já desapareceram, bem como ajudar os futuros programas de conservação. 

Os cientistas acreditam que os animais podem estar a desaparecer do planeta a uma taxa extremamente elevada, chegando mesmo a considerar este declínio de espécies como a 6ª extinção em massa de que há registo.

Ao longo dos próximos 30 anos, prevê-se que um quarto de todos os mamíferos conhecidos e um décimo de todas as aves desapareçam, em resultado das rápidas alterações climáticas e da perda de habitat. Uma multitude de menos carismáticos insectos, vermes e aracnídeos também balança perigosamente perto do abismo.

Muitas pessoas não compreendem a ameaça actual à biodiversidade que enfrentamos, refere um dos impulsionadores do projecto Sir Crispin Tickell, da Universidade de Oxford. As extinções actuais provavelmente já são equiparáveis às últimas 5 grandes extinções. Mais de 10000 espécies animais estão actualmente ameaçadas e não temos a menor ideia da sua importância para a teia da vida no planeta.

Quando uma espécie desaparece, deixa um buraco no ecossistema e, quem sabe, uma mossa na nossa consciência, mas não só. O último animal de uma espécie a morrer leva consigo um manancial de informação irrecuperável.

Orix cimitarra (Oryx dammah)Quando esse último animal morre, perdem-se todas as adaptações que acumulou ao longo de milhões de anos de evolução, explica Georgina Mace, do Natural History Museum. Seria incrivelmente inconsciente permitir que tal acontecesse.

O projecto Frozen Ark espera salvar uma cópia de segurança da informação referente a muitas espécies, antes que se percam completamente. O seu código genético será armazenado numa base de dados congelada, que poderá ser consultada e recuperada no futuro para fins científicos ou, quem sabe, conservacionistas.

Em termos práticos, o projecto necessitará de uma recolha muito laboriosa de amostras de tecido de espécies ameaçadas. Com animais de grande porte o procedimento pode envolver a retirada de um pequeno fragmento de pele quando os animais estão sedados para serem marcados. Para animais menores, como insectos, pode significar a recolha do próprio animal.

 

As amostras de tecido serão, depois, transportadas para um laboratório da Frozen Ark (que existirão em vários locais do planeta) e armazenado a temperaturas extremamente baixas. Se tudo correr bem, este DNA pode permanecer intacto durante dezenas de milhares de anos ou mesmo mais.

Há provas de que o DNA pode resistir 100000 anos quando preservado na natureza, refere Brian Clark, da Universidade de Nottingham, mas em condições ideais podemos conservar as amostras ainda mais tempo.

cavalo-marinho amarelo (Hippocampus kuda)Os primeiros animais seriamente ameaçados a entrar para a Frozen Ark serão o cavalo-marinho amarelo, o orix cimitarra e os caracóis Partula, com custos da ordem dos €400 por espécie.

O projecto espera continuar a armazenar milhares de outras espécies, desde mamíferos a aves, insectos e répteis. A prioridade será dada a animais em risco de desaparecer nos próximos 5 anos, mas não apenas os "peludos e amorosos", alerta Sir Crispin. Os pegajosos e repugnantes são igualmente importantes, se não mais, que os "queridinhos".

De momento, o principal objectivo deste banco de informações genético é assegurar que mantemos um registo de genomas passados.  A forma como vai ser usado fica na mão das gerações futuras. Este projecto é uma ferramenta essencial que permitirá, no futuro, estudar as sequências de DNA de animais extintos, refere Bill Holt, da Zoological Society of London, dando-nos pistas valiosas sobre a evolução e relações genéticas entre elas.

No entanto, a Frozen Ark pode ter usos não académicos, nomeadamente em conservação. Para além de DNA, a equipa responsável espera armazenar células somáticas e esperma, a partir dos quais podem ser criados clones, permitindo ressuscitar espécies extintas.

Ninguém sabe onde a Frozen Ark irá dar, mas à medida que se prepara para navegar com a sua preciosa carga em direcção ao futuro, as possibilidades parecem espantosas. Penso que o próprio Noé ficaria orgulhoso deste projecto, diz Sir Crispin, estamos a fazer muito mais do que ele alguma vez pensou ser possível. 

 

 

Saber mais:

Natural History Museum

Zoological Society of London

University of Nottingham

 

 

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@ Born to be Wild, 2004


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