2016-09-25

Subject: Como os gatos conquistaram o mundo

Como os gatos conquistaram o mundo

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@ Nature/Natural History Museum, London/Science Photo Library

Milhares de anos antes de os gatos dominarem a cultura da Internet, lançaram-se através da Eurásia e África transportados pelos primeiros agricultores, marinheiros e até Vikings, revelou a primeira análise em larga escala do DNA dos gatos antigos.

O estudo, apresentado numa conferência esta semana, sequenciou DNA de mais de 200 gatos que viveram desde há 15 mil anos até ao século XVIII.

Os investigadores sabem muito pouco sobre a domesticação dos gatos e há um intenso debate sobre se o gato doméstico Felis silvestris é verdadeiramente um animal doméstico, ou seja, se o seu comportamento e anatomia são claramente distintos dos dos seus parentes selvagens: “Não conhecemos a história dos gatos antigos, não sabemos a sua origem, nem como se dispersaram”, diz Eva-Maria Geigl, geneticista evolutiva no Instituto Jacques Monod em Paris. Ela apresentou o estudo no 7º Simpósio Internacional de Arqueologia Biomolecular em Oxford, Reino Unido, juntamente com os seus colegas Claudio Ottoni e Thierry Grange.

Um túmulo humano com 9500 anos de idade em Chipre também revelou conter os restos mortais de um gato, o que sugere que a afiliação entre pessoas e felinos data, pelo menos, do surgimento da agricultura no Crescente Fértil há cerca de 12 mil anos. Os antigos egípsios poderão ter domado gatos selvagens há cerca de 6 mil anos e dinastias posteriores mumificaram milhões destes animais. Um dos poucos estudos anteriores da genética dos gatos envolveu DNA mitocondrial (herdado apenas por via materna) de apenas 3 gatos egípcios mumificados.

A equipa de Geigl construiu sobre essas descobertas mas expandindo a sua abordagem a uma escala muito superior. Os investigadores analisaram DNA mitocondrial dos restos mortais de 209 gatos de mais de 30 locais arqueológicos por toda a Europa, Médio Oriente e África. As amostras datam do Mesolítico (o período imediatamente antes do advento da agricultura, quando os humanos eram caçadores-recoletores) ao século XVIII.

As populações de gatos parecem ter crescido em duas vagas, descobriram os autores. Os gatos selvagens do Médio Oriente de uma linhagem de DNA mitocondrial em particular parecem ter-se expandido com as primeiras comunidades agrícolas no Mediterrâneo oriental. Geigl sugere que as reservas de cereais associadas a estas comunidades agrícolas primordiais atrairiam os roedores, o que, por sua vez, atrairia os gatos selvagens. Ao perceberem o benefício de ter gatos por perto, os humanos podem ter começado a domesticá-los.

Milhares de anos depois, gatos descendentes dos gatos egípcios espalharam-se rapidamente pela Eurásia e África. Uma linhagem mitocondrial comum nas múmias de gatos egípcias desde o final do século IV a.C. ao século IV d.C. também estava presente em gatos na Bulgária, Turquia e África subsaariana da mesma época. Os marinheiros provavelmente também mantinham gatos para manter os roedores em cheque, diz Geigl, cuja equipa também descobriu vestígios de gatos com essa linhagem de DNA mitocondrial num local Viking que data do século VIII ao XI d.C. na Alemanha do norte.

 

“Há tantas observações interessantes" no estudo, diz Pontus Skoglund, geneticista populacional na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts. “Eu nem sabia que havia gatos Viking.” Ele também se mostra impressionado pelo facto de a equipa de Geigl ter sido capaz de discernir verdadeiras alterações populacionais a partir de DNA mitocondrial, que segue apenas uma única linhagem materna. Aida assim, Skoglund pensa que o DNA nuclear, que fornece informação sobre mais de um dos ancestrais do indivíduo, pode responder a algumas das questões que perduram sobre a domesticação e propagação dos gatos, como as suas relações com os gatos selvagens, com os quais continuam a cruzar-se.

A equipa de Geigl também analisou sequências de DNA nuclear conhecidas por dar aos gatos tabby a sua pelagem malhada e descobriu que a mutação responsável só surgiu no período medieval. Ela espera sequenciar mais DNA nuclear de gatos antigos mas o financiamento para a genética dos gatos modernos é escasso, o que é uma das razões porque está tão atrasada em relação á investigação em cães. Pelo contrário, uma equipa que estuda a domesticação dos cães anunciou no encontro de Oxford que se prepara para sequenciar o DNA nuclear de mais de mil cães e lobos antigos.

Geigl contesta a insinuação de que os cães parecem ser mais populares que os gatos junto dos investigadores: “Nós também o podemos fazer, só precisamos de dinheiro."

 

 

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