2016-09-20

Subject: História dos elefantes reescrita por genomas antigos

História dos elefantes reescrita por genomas antigos

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@ Nature/Jens Meyer/AP Photo

O genoma de um misterioso fóssil veio abalar a árvore filogenética dos elefantes.

Os elefantes modernos estão classificados em três espécies: o elefante asiático Elephas maximus e dois elefantes africanos, os que vivem na floresta Loxodonta cyclotis e os que vivem na savana Loxodonta africana. A divisão dos elefantes africanos, originalmente considerados uma única espécie, apenas foi confirmada em 2010.

Os cientistas tinham assumido, a partir das evidências fósseis, que um predecessor conhecido como elefante de presas retas Paleoloxodon antiquus, que viveu nas florestas europeias até há cerca de 100 mil anos, era um parente próximo dos elefantes asiáticos.

De facto, esta espécie antiga é mais aparentada com os elefantes africanos da floresta, veio agora revelar uma análise genética. Ainda mais surpreendente, os elefantes da floresta vivos da baia do Congo estão mais próximos da espécie extinta que do atuais elefantes da savana. Juntamente com os recém-anunciados genomas dos mamutes antigos, a análise também revela que muitas espécies diferentes de elefantes e mamutes se cruzaram entre si no passado.

“É espantoso”, diz Tom Gilbert, geneticista evolutivo do Museu de História Natural da Dinamarca em Copenhaga. Até os peritos sabem pouco do elefante de presas retas e “a primeira coisa que ouvimos é o genoma", diz ele.

Love Dalén, paleogeneticista no Museu Sueco de História Natural em Estocolmo, diz que o estudo vai forçar um rearranjo da árvores filogenética do elefante: “Basicamente Loxodonta já não é válido como nome do género." Ele pensa que os taxonomistas podem ter que arranjar novos nomes para as diferentes espécies, de modo a representar melhor a relação entre os elefantes da savana, da floresta e de presas retas.

Os resultados foram anunciados no 7º Simpósio Internacional de Arqueologia Biomolecular em Oxford, Reino Unido. A equipa liderada pela geneticista evolutiva Eleftheria Palkopoulou e pelo geneticista populacional David Reich, ambos da Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts, juntamente com o geneticista evolutivo Michael Hofreiter, da Universidade de Potsdam, Alemanha, realizou o estudo, que se baseou nos genomas de de duas amostras de elefantes de presas retas com 120 mil anos de idade da Alemanha.

 

Palkopoulou também revelou os genomas de outros animais, incluindo quatro mamutes lanudos Mammuthus primigenius e, pela primeira vez, as sequências completas do mamute columbiano Mammuthus columbi norte-americano e de dois mastodontes norte-americanos Mammut americanum.

Os investigadores encontraram evidências de que muitas das diferentes espécies de elefantes e mamutes se cruzaram entre si: os elefantes de presas retas acasalaram tanto com elefantes asiáticos como com mamutes lanudos. Os elefantes africanos da savana e da floresta, que se sabe acasalarem na atualidade pois híbridos das duas espécies vivem em algumas partes da República Democrática do Congo, também parecem ter-se cruzado no passado distante. Palkopoulou espera vir a perceber quando estes episódios de cruzamentos aconteceram.

O estudo representa um marco para a genómica antiga, dizem os cientistas presentes no encontro. Os elefantes de presas retas não são os genomas mais antigos, esse recorde pertence ao genoma de um osso de cavalo com 560 a 780 mil anos, encontrado congelado no ártico canadiano, mas representam os genomas completos mais antigos de um ambiente quente.

O facto de um dos genomas de elefante de presas retas ter tamanha qualidade, com cada base sequenciada em média 15 vezes, deixou muitos cientistas espantados: "Estamos no reino da paleontologia", diz Gilbert. “É um sinal de até onde chegámos.”

“Ninguém se tinha atrevido a pensar em sequenciar elefantes de presas retas antes", diz Dalén. “É insano que se consiga ir tão atrás no tempo.”

 

 

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