2016-09-19

Subject: Não há portos seguros para ursos polares num Ártico em aquecimento

Não há portos seguros para ursos polares num Ártico em aquecimento

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@ Nature/Theo Allofs/Minden Pictures/FLPA

Nenhum lugar no Ártico em rápido aquecimento está a salvo dos efeitos do aquecimento global, descobriram os investigadores.

Os ursos polares Ursus maritimus dependem do gelo para se deslocarem, reproduzirem e como plataforma de caça á foca. Quando o gelo derrete no Verão, os ursos passam vários meses em terra, até que o frio regresse e lhes permita retomar a caça. Por isso, para sobreviverem precisam de zonas de gelo persistente ao longo do ano.

Alguns modelos climáticos sugerem que a maior parte do Ártico estará livre de gelo no Verão até meados do século mas os refúgios gelados perto do polo norte suportam atualmente 19 populações de ursos polares, num total de 25 mil indivíduos. Os cientistas não tinham a certeza sobre a taxa exata de recuo do gelo nesses habitats ou se algum destes refúgios poderiam ainda não estar a desaparecer.

Afinal, todos os refúgios árticos estão de facto em declínio, revelou uma análise detalhada de dados de satélite. O matemático Harry Stern e a bióloga Kristin Laidre, da Universidade de Washington em Seattle, usaram um registo de 35 anos de dados de satélite para examinar cada uma das áreas das 19 populações, que vão desde 53 mil a 281 mil quilómetros quadrados em dimensão.

Para cada uma das zonas, calcularam as datas a que o gelo ártico recuou na Primavera e avançou no Outono, bem como a concentração média do gelo de Verão e número de dias com coberto de gelo.

Em todos os refúgios, os investigadores uma tendência para o recuo do gelo ocorrer cada vez mais cedo na Primavera e avançar cada vez mais tarde no Outono. O intervalo de tempo entre o máximo de cobertura de gelo em Março e o mínimo em Setembro aumentou até nove semanas desde 1979 quando as observações por satélite começaram, relatam eles na revista The Cryosphere.

 

As medições mostram que os habitats dos ursos polares estão todos sob pressão, dizem os investigadores: “O degelo de Primavera e o avanço de Outono limitam a duração do tempo que os ursos polares têm para se alimentar, encontrar parceiros e reproduzir", diz Laidre.

Já foi demonstrado que as condições do gelo afetam a abundância e a saúde dos ursos polares: por exemplo, o seu metabolismo não parece abrandar muito quando o gelo derrete e comida escasseia, sugerindo que os ursos não têm forma de conservar energia para sobreviverem ao jejum de Verão.

Cinco países árticos (Estados Unidos, Canadá, Groenlândia, Noruega e Rússia) adotaram em 2015 um plano de ação circumpolar de 10 anos para a conservação do urso polar. Usando medições comuns de alterações de habitat para todos os refúgios dos ursos polares poder-se-á orientar a implementação do plano e ajudar a coordenar os esforços nacionais de conservação, diz Dag Vongraven, do Instituto de Investigação Polar da Noruega em Tromsø, que copreside o grupo de especialistas em ursos polares da União Internacional para a Conservação da Natureza.

 

 

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