2016-09-17

Subject: Ébola perdura mais do que antes se pensava

Ébola perdura mais do que antes se pensava

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@ Nature/Michel du Cille/TWP/Getty

Os sobreviventes do ébola estão a ensinar aos cientistas lições surpreendentes pois estudos a longo prazo revelaram que o vírus sobrevive nos seus corpos mais tempo do que antes se suspeitava.

As descobertas, apresentadas numa conferência sobre o ébola realizada em Antuérpia, Bélgica, sublinham a necessidade de um seguimento prolongado das pessoas que bateram o ébola e outras infeções raras. Há muito que os investigadores sabem que o vírus pode persistir em pessoas que recuperaram da infeção mas a dimensão do surto na África ocidental, associada á melhoria das tecnologias de monitorização, está a mudar a forma como os cientistas olham para a vida após o ébola e como prevenir futuros surtos.

“Agora que tens dezenas de milhar de sobreviventes e abordagens sistémicas para os seguir, podes detetar coisas que acontecem mais raramente e atribuí-las ao ébola”, diz o médico e epidemiologista Daniel Bausch, da Organização Mundial de Saúde em Genebra, Suíça.

Os investigadores irão publicar em breve o primeiro relato confirmado de uma pessoa sem sintomas óbvios de ébola que infetou outra pessoa. Uma mãe aparentemente saudável na Guiné transmitiu o vírus á sua filha de nove meses através do leite materno e a criança morreu da infeção por ébola em Agosto de 2015, segundo uma equipa financiada pela União Europeia liderada por Sophie Duraffour, do Instituto Bernhard Nocht de Medicina Tropical de Hamburgo, Alemanha.

O estudo, que deve ser apresentado no encontro de Antuérpia, também sugere que algumas pessoas que ficaram infetadas durante o recente surto escaparam á deteção. Miles Carroll, epidemiologista na Public Health England em Porton Down, seguiu 80 pessoas que tiveram contacto com pacientes com ébola na Guiné mas não ficaram notoriamente doentes. No entanto, 15 a 20% desses contactos desenvolveram respostas imunitárias capazes de neutralizar o vírus, sugerindo que tinham contraído infeções ligeiras que passaram despercebidas.

Este ébola ‘sub-sintomático’ ou ‘assintomático’ já era conhecido mas os últimos estudos envolvem mais pessoas que foram foram estudadas mais intensivamente do que no passado. Os investigadores alertam, no entanto, para o facto de continuar a ser raro que o ébola remanescente no corpo de uma pessoa desencadear novos surtos. O fenómeno teria provavelmente escapado á deteção se a mais recente epidemia tivesse sido menor.

Milhares de homens infetados sobreviveram mas até há pouco tempo os cientistas não sabiam que o ébola podia ser transmitido pelo sémen além dos três meses, diz Mary Choi, epidemiologista no Centro de Controlo e Prevenção de Doenças. A agência e o governo da Libéria estão a desenvolver a maior investigação de ébola no sémen dos sobreviventes e, até agora, o estudo da equipa em 466 homens detetou fragmentos do vírus no sémen até 18 meses depois de um homem ter recuperado da sua infeção.

  Em Fevereiro, dois meses depois o surto ter sido declarado findo na Guiné, Duraffour seguiu um conjunto de novos casos de ébola até um homem que transmitiu o vírus a uma parceira sexual 17 meses depois de recuperar da sua infeção. Um outro estudo, que examinou 26 sobreviventes masculinos do ébola, descobriu que a vasta maioria eliminou o vírus do seu sémen no espaço de quatro meses após a recuperação. O momento preciso dessa eliminação variava enormemente de pessoa para pessoa, no entanto.

Choi diz que provavelmente o vírus resiste mais que 18 meses no sémen. A sua equipa vai continuar a monitorizar a persistência do vírus, ao mesmo tempo que aconselha os sobreviventes a usar preservativos ou a praticar abstinência até que os seus testes so sémen sejam negativos duas vezes. “A essencial a levar daqui é que os testes ao sémen devem ser incorporados precocemente como parte dos serviços que os sobreviventes recebem", diz Choi.

Os investigadores devem mostrar alguma sensibilidade na comunicação destas descobertas, considera o virologista Stephan Günther, do Instituto Bernhard Nocht, e ter cuidado para não tornar a vida mais difícil do que já é para os sobreviventes, que enfrentam discriminação e problemas de saúde persistentes: “Temos de ter o cuidado de salientar que estes eventos são muito, muito raros.”

 

 

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