2016-09-10

Subject: DNA revela quatro espécies de girafas

DNA revela quatro espécies de girafas

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@ Nature/Martin Harvey/Getty Images

Um dos mais icónicos animais de África tem um segredo: uma análise genética sugere que as girafas não pertencem a uma mas a quatro espécies distintas, uma descoberta que pode alterar a forma como os conservacionistas protegem estes animais.

Os investigadores já tinham dividido as girafas em várias subespécies com base no padrão da sua pelagem e habitat. Uma análise mais aprofundada dos seus genes, no entanto, revelou que as girafas deviam ser divididas em quatro linhagens distintas que não não se cruzam na natureza, relataram na mais recente edição da revista Current Biology. Estudos genéticos anteriores tinham sugerido que existiam populações de girafas discretas que raramente se cruzavam mas este é o primeiro a detetar diferenças ao nível de espécies, diz Axel Janke, geneticista na Universidade Goethe em Frankfurt, Alemanha, e autor principal do estudo.

“Foi uma descoberta espantosa”, diz ele. Ele salienta que as girafas são animais altamente móveis que teriam muitas hipóteses de se intercruzar na natureza se o desejassem: “A pergunta do milhão de dólares é o que as manteve separadas no passado.” Janke pensa que rios ou outras barreiras físicas mantiveram as populações separadas tempo suficiente para surgirem novas espécies.

O estudo seguiu a distribuição de 7 sequências genéticas específicas, escolhidas para permitir aos investigadores medir a diversidade genética, do DNA nuclear obtido de biópsias a 190 girafas, bem como o DNA mitocondrial. As sequências dividiram-se em quatro padrões distintos que sugerem fortemente espécies separadas. Janke diz que cada uma das quatro espécies é tão diferente das outras como o urso pardo Ursus arctos é do urso polar Ursus maritimus.

Os investigadores sugerem a substituição do nome atual da espécie, Giraffa camelopardalis, por quatro novos: girafa do sul G. giraffa, que se encontra essencialmente na África do Sul, Namíbia e Botswana; a girafa Masai G. tippelskirchi da Tanzânia, Quénia e Zâmbia; a girafa reticulada G. reticulata encontra essencialmente no Quénia, Somália e sul da Etiópia e a girafa do norte G. camelopardalis, encontrada em grupos dispersos em zonas da África central e oriental. A subespécie restante é a girafa da Núbia G. camelopardalis camelopardalis da Etiópia e sul do Sudão. Esta é uma subespécie distanta da girafa do norte.

“É um estudo bastante persuasivo”, diz George Amato, biólogo conservacionista no Museu Americano de História Natural em Nova Iorque, que realizou vastas pesquisas sobre a genética da vida selvagem africana. “Aplaudo a ciência e o que vem acrescentar á nossa compreensão da biogeografia africana.”

Janke diz que as descobertas têm óbvias implicações para a conservação: todas as espécies de girafas têm que ser protegidas, com especial atenção ás espécies do norte e reticulada pois cada uma destas espécies tem menos de 10 mil indivíduos. Segundo a Fundação para a Conservação da Girafa, o número global de girafas caiu de mais de 140 mil no final da década de 1990 para menos de 80 mil atualmente, largamente devido á perda de habitat e á caça.

Mas a aplicação das novas descobertas aos esforços de conservação podem ser difíceis: “Até agora, não conseguimos realmente ser capazes de apreciar totalmente o poder da genética na conservação”, diz Aaron Shafer, geneticista na Universidade Trent em Peterborough, Canadá. A genética pode revelar novas espécies mas nem sempre é óbvio de que forma esse conhecimento deve guiar decisões sobre a proteção animal.

 

Amato salienta os fortes paralelos entre as girafas e os elefantes africanos, que foram classificados como uma única espécie até que um estudo de 2010 forneceu evidências genéticas de na realidade havia duas: os elefantes da floresta Loxodonta cyclotis e elefantes da savana Loxodonta africana. Essa descoberta faz aumentar os apelos á proteção acrescida dos elefantes da floresta, os mais raros.

No entanto, avaliações dos elefantes africanos feitas pela União Internacional para a Conservação da Natureza tratam os animais como uma única espécie, devido á preocupação de que a sua divisão coloque os híbridos numa espécie de limbo de conservação.

As evidências que revelaram que muitas populações de bisontes americanos Bison bison contêm pequenas quantidades de DNA de gado doméstico desencadearam preocupações sobre se valia a pena salvar as manadas contaminadas, visto que não eram completamente selvagens. Amato e outros biólogos defendem que os animais ainda merecem proteção: “São bisontes ecologicamente funcionais", diz Amato.

Resta perceber se este último estudo terá algum impacto, diz ele. Os efeitos mais imediatos poderão ser sentidos nos zoos que trocam estes mamíferos para procriação: agora que os investigadores identificaram espécies separadas, deverá ser mais fácil criar pares apropriados.

A descoberta de diferentes espécies de girafas podia ter surgido há mais tempo mas os animais têm sido ngligenciados pela ciência: “As girafas eram bastante ubíquas no seu habitat e não eram alvo dos caçadores furtivos", diz Amato. “São um animal icónico mas têm sido tidas como certas.”

 

 

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