2016-09-08

Subject: Alegações de fóssil mais antigo da Terra entusiasmam cientistas

Alegações de fóssil mais antigo da Terra entusiasmam cientistas

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/Allen Nutman

Os geólogos dizem ter encontrado algumas das mais antigas evidências da existência de vida na Terra. A descoberta, ainda por confirmar, sugere que a vida terá surgido rapidamente no nosso jovem planeta.

N última edição da revista Nature, investigadores australianos e ingleses relatam ter descoberto estruturas em camadas conhecidas por estromatólitos em rochas da Groenlândia com 3,7 mil milhões de anos. Os estromatólitos, que se parecem um pouco com couves-flor geológicas, formam-se quando microrganismos juntam sedimentos e constroem camadas sobre camadas em forma de cúpula.

Mas a descoberta envolve algumas das rochas mais fisicamente torturadas no planeta, comprimidas e aquecidas ao longo de biliões de anos devido ao movimento das placas tectónicas. A pressão e o aumento de temperatura recristalizam a rocha, apagando muitos de finos detalhes que geralmente os investigadores usam para identificar estromatólitos fossilizados, razão pela qual o trabalho já desencadeou um debate aceso.

"Tenho 14 questões e problemas que tenho que resolver antes de acreditar nisto", refere Roger Buick, geobiólogo na Universidade de Washington em Seattle.

As rochas provêm de Isua, Groenlândia, onde os investigadores têm trabalhado para identificar potenciais sinais de vida datados de há biliões de anos. Trabalhos anteriores sobre a química das rochas, como o artigo de 1999 que analisou isótopos de carbono, sugeriram que estas continham vestígios de biomarcadores dos primeiros organismos mas variadas alegações feitas ao longo dos anos têm-se mantido controversas.

Agora, o degelo veio revelar novas pistas. Uma equipa liderada por Allen Nutman, geólogo na Universidade de Wollongong, Austrália, visitou um afloramento rochoso que esteve enterrado sob uma camada de neve até a subida das temperaturas a ter revelado. Cortaram um pedaço de rocha com 3,7 mil milhões de anos e levaram-no para a Austrália para o estudar.

Nele encontraram os alegados estromatólitos, bem como outras pistas de vida antiga. “É uma combinação de diferentes tipos de evidências que tornam esta história tão convincente", diz o membro da equipa Martin Van Kranendonk, geólogo na Universidade da Nova Gales do Sul em Kensington, Austrália.

As estruturas são pequenos altos, apenas com 1 a 4 cm de altura, cuja forma e estrutura interna em camadas se assemelham fortemente a estromatólitos, modernos e antigos, diz Van Kranendonk. A textura da rocha circundante sugere que foram depositados no fundo de um mar pouco profundo, como o das Bahamas e Austrália ocidental onde vivem os estromatólitos atuais. As rochas contêm minerais carbonatados, como a dolomite, que também são comuns nos estromatólitos mais jovens.

As estruturas da Groenlândia são cerca de 220 milhões de anos mais velhas que as evidências consensuais de vida mais antigas que se conhecem, um conjunto de estromatólitos da região de Pilbara na Austrália ocidental. “As evidências são muito mais ténues do que as das rochas australianas", diz Abigail Allwood, astrobióloga no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Pasadena, Califórnia. “Tendo dito isso, é incrível que seja lá o que for possa ser encontrado nestas rochas que não mais que fantasmas do que já foram. Só por isso já merece a nossa atenção."

  Parte do problema de estudar estromatólitos antigos é que as estruturas em camadas podem formar-se através de processos sem relação com a vida. A precipitação de minerais pode deixar camadas como anéis numa banheira, que parecem estromatólitos mas não são.

“Quanto muito, estas estruturas deviam ser classificadas como pseudoestromatólitos", diz Kathleen Grey, paleontóloga em Perth, Austrália, que tem trabalhado com estromatólitos antigos. “Infelizmente, não considero as evidências convincentes o suficiente para uma alegação tão importante."

Tanja Bosak, geobióloga no Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, acrescenta que gostaria de ver se os alegados estromatólitos contêm pequenas quantidades de matéria orgânica. A comparação entre os diversos tipos de carbono nas rochas pode ajudar a revelar se as estruturas são biológicas ou não.

No mínimo, salienta Allwood, as rochas da Groenlândia deverão ajudar os astrobiólogos a preparar-se para as primeiras amostras que deverão chegar de Marte via a missão da NASA prevista para 2020. Os recém-relatados estromatólitos podem servir de teste para os cientistas que debatem o que constitui prova convincente da existência de vida passada: “Se encontrarmos algo parecido em Marte devemos colocar-lhe uma bandeira e chamar-lhe vida?", pergunta ela. “Eu acho que não."

 

 

Saber mais:

Blocos de construção do mundo do RNA criados a partir de ingredientes simples

A difícil busca de vida na água de Marte

A Terra está na zona habitável mesmo à tangente

Como a vida emergiu das rochas do fundo do mar

Terá a vida na Terra começado com formas de vida de outro planeta?

Todas as espécies atuais tiveram origem numa única célula

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2016


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com