2016-09-06

Subject: Diabos da Tasmânia mostram sinais de resistência ao devastador cancro facial

Diabos da Tasmânia mostram sinais de resistência ao devastador cancro facial

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@ Nature/Jason Reed/Reuters

Um cancro facial contagioso que é quase sempre fatal tem vindo a dizimar grande parte da população de diabos da Tasmânia desde 1996, tendo já reduido essa população em 80%. Os investigadores previram mesmo que o cancro irá conduzir a espécie á extinção no espaço de décadas.

Mas um estudo agora publicado na revista Nature Communications vem trazer alguma esperança: os investigadores descobriram que os diabos da Tasmânia desenvolveram alguma resistência genética á doença em apenas quatro a seis gerações.

A evolução de resistência em tão poucas gerações é raro em vertebrados, diz Beata Ujvari, ecologista evolutiva na Universidade Deakin em Melbourne, Austrália, que não esteve envolvida no estudo. A população australiana de coelhos desenvolveu rapidamente resistência á mixomatose, uma infeção viral fatal, mas mesmo assim levou 50 a 80 gerações a faze-lo.

Os investigadores quiseram descobrir de que forma os diabos persistiram face a uma doença tão devastadora pelo que Andrew Storfer, geneticista evolutivo na Universidade Estadual de Washington em Pullman, sequenciou cerca de um sexto do genoma do diabo usando 294 indivíduos de 3 populações selvagens. A sua equipa usou amostras recolhidas antes e depois destes grupos terem enfrentado o cancro facial pela primeira vez.

A equipa encontrou versões de cinco genes espalhados por duas regiões do genoma que parecem estar a aumentar em frequência nas populações de diabos. Storfer diz que dois dos genes, o CD146 e o THY1, são particularmente interessantes porque ajudam o sistema imunitário a reconhecer células estranhas.

Geralmente, as células cancerígenas formam-se no hospedeiro mas o cancro facial dos diabos é muito invulgar: todas as suas células em todos os animais doentes derivam das células do primeiro diabo da Tasmânia que se sabe ter sido afetado. Por isso Storfer pensa que os genes CD146 e THY1 são os candidatos mais prováveis envolvidos na resistência a esta doença pois podem permitir ao corpo dos animais reconhecer as células tumorais como estranhas.

Storfer explica que a sua equipa conseguiu eliminar a possibilidade destas alerações genéticas serem aleatórias pois os mesmos genes estão a proliferar em três populações geograficamente distintas.

A pesquisa fornece várias possibilidades de esperança para a conservação dos diabos da Tasmânia: "É um dos pilares chave para os salvar, a identificação destas regiões que podem fornecer resistência", diz Ujvari.

  Se os investigadores puderem analisar diabos em cativeiro em busca de genes benéficos, poderão reproduzir os animais em populações cuidadosamente geridas na Tasmânia e na Austrália continental, diz Storfer. O seu grupo também espera encontrar diabos na costa ocidental da Tasmânia, a única zona do país que ainda não foi atingida pelo cancro facial, que apresentem os genes da resistência.

“Tem muito potencial para possíveis estudos de vacinação”, diz Hannah Siddle, imunologista molecular que está a desenvolver vacinas para a doença na Universidade de Southampton, Reino Unido. Por exemplo, vacinas ou imunoterapia que tenham como alvo estes genes poderão ajudar os sistemas imunitários dos diabos a lutar contra o cancro.

Primeiro, no entanto, o laboratório de Storfer precisa de confirmar que estes genes conferem realmente resistência ao cancro. Uma forma de o fazer com confiança seria infetar intencionalmente diabos que apresentem as versões benéficas desses genes mas isso “seria completamente ilegal e não ético", explica Storfer, pois os diabos da Tasmânia são uma espécie ameaçada. Em vez disso, os investigadores tencionam manipular linhagens de células tumorais em laboratório para ver se os genes idetificados pela equipa perturbam as células cancerosas.

As cada vez mais reduzidas populações de diabos da Tasmania e o elevado grau de consanguinidade tornam estes animais particularmente vulneráveis a doenças mas, apesar disso, a investigação mais recente dá esperança a Ujvari: “Pessoalmente", diz ela, “acho que eles se vão safar."

 

 

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