2016-08-24

Subject: Gigantesca avalanche de gelo confunde cientistas

Gigantesca avalanche de gelo confunde cientistas

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@ Nature/Jibiao Zong

Uma das maiores avalanches alguma vez documentada no mundo está a confundir os investigadores mas eles suspeitam que as flutuações nos glaciares devidas ás alterações climáticas podem ser as culpadas.

Cerca de 100 milhões de metros cúbicos de gelo e rochas lançaram-se por um estreito vale no condado de Rutog na região autónoma do Tibete a 17 de Julho, matando nove pastores e centenas de ovelhas e yaks.

Os detritos cobriram cerca de 10 quilómetros quadrados com uma espessura até 30 metros, diz Zong Jibiao, glaciólogo no Instituto de Investigação do Planalto Tibetano da Academia Chinesa de Ciências (ITPR) em Beijing, que completou uma investigação de campo no local na semana passada.

O único outro incidente conhecido comparável em escala é a avalanche de gelo de 2002 a partir do glaciar Kolka nas montanhas do Cáucaso na Rússia, diz Andreas Kääb, glaciólogo na Universidade de Óslo, Noruega. Esse evento catastrófico matou 140 pessoas.

As análises preliminares mostram que a avalanche de Rutog foi invulgar porque teve início numa zona plana entre os 5200 e os 6200 metros de altitude e não em terreno íngreme. O gelo despenhou-se cerca de um quilómetro ao longo de uma garganta estreita até ao lago Aru Co, a seis quilómetros de distância.

“O colapso do local é intrigante ... a avalanche de Rutog teve início num local plano, o que não faz sentido", diz Tian Lide, glaciólogo também no ITPR, que dirige uma estação de pesquisa em Rutog. Zong acrescenta: “A sua força foi tal que a garganta foi alargada no processo."

Esta força provavelmente é devida ao efeito de lubrificação do gelo devido á chuva ou ao degelo glacial e os investigadores pensam que o aumento da precipitação que se tem verificado nos últimos anos pode ser, pelo menos em parte, responsável.

  As temperaturas dispararam no Tibete em 0,4°C por década desde 1960, o dobro da média global. O aquecimento pode gerar água de degelo que escava o glaciar a partir do seu interior, tornando-o vulnerável ao colapso, diz Tian.

Kääb pensa que as avalanches de Kolka e Rutog podem ter sido desencadeadas por um raro acelerar do glaciar, em que este periodicamente avança 10 a 100 vezes mais depressa que o normal. O fenómeno afeta cerca de 1% dos glaciares a nível global.

O Tibete ocidental tem muitos glaciares sujeitos a estas acelerações e alguns investigadores suspeitam que as alterações climáticas nas maiores elevações podem afetar a frqueência das acelerações.

Independentemente do que tenha desencadeado a avalanche de Rutog, “as alterações climáticas estão a provocar mais perigos glaciares através de mecanismos que não compreendemos completamente”, diz Tian. “Há uma necessidade urgente de maior monitorização e investigação, especialmente em zonas povoadas das altas montanhas.”

 

 

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