2016-08-17

Subject: Inseticidas controversos associados a declínio de abelhas selvagens

Inseticidas controversos associados a declínio de abelhas selvagens

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@ Nature/Mark Bretherton/Alamy Stock Photo

A queda no efetivo populacional das abelhas selvagens por todo o campo inglês durante nove anos coincidiu com a utilização de neonicotinóides nas culturas onde os insetos procuravam alimento, dizem os ecologistas.

O estudo, financiado pelo governo inglês e agora publicado na revista Nature Communications, é o primeiro a associar estes controversos inseticidas ao declínio de muitas espécies de abelhas em condições naturais. Estudos anteriores tinham-se focado nos efeitos dos inseticidas nas abelhas em laboratório ou em apenas algumas espécies selvagens a viver em poucos campos e durante poucas semanas.

“Os nossos resultados mostram que os neonicotinóides são danosos para as abelhas selvagens, estamos muito confiantes nisso”, diz Nick Isaac, ecologista no Centro de Ecologia & Hidrologia (CEH) de Wallingford, Reino Unido, que trabalhou no estudo.

O estudo vem alimentar um já de si aceso debate sobre se devemos proibir ou restringir estes compostos químicos tão vulgares como forma de ajudar as populações de abelhas a recuperar. Muitas espécies de abelhas estão em declínio por todo o mundo, apesar de as alterações climáticas, perda de habitat e outros inseticidas não neonicotinóides terem todos sido associados ao problema, diz Ben Woodcock, também ecologista no CEH.

A União Europeia impôs uma proibição temporária á utilização de três neonicotinóides (clotianidina, imidacloprida e tiametoxam) na maioria dos casos mas alguns produtores agroquímicos e agricultores dizem que os tratamentos inseticidas alternativos não são tão eficazes, o que levou o Reino Unido a levantar a proibição no ano passado alegando risco elevado para as culturas. A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar em Parma, Itália, deverá rever os efeitos de outros químicos sobre as abelhas até Janeiro próximo, num relatório que pode conduzir a um prolongamento da sua proibição.

No Reino Unido, os agricultores obtiveram autorização para usar neonicotinóides para tratar sementes de colza Brassica napus em 2002 e em 2011 quatro quintos dessas sementes já eram tratadas dessa forma. Isaac e os seus colegas analisaram os registos locais das populações de 62 espécies selvagens de abelhas entre 1994 e 2011.

Depois de 2002, observaram um declínio médio de 13% na distribuição geográfica das abelhas mas as espécies que recolhiam pólen e néctar nos campos de colza foram mais severamente afetadas que as restantes.

Com base nos seus dados, os investigadores estimam que os neonicotinóides foram responsáveis, em média, por um declínio de 7% na distribuição das abelhas, cerca de metade do declínio total, mas no caso das abelhas que se alimentavam na colza os inseticidas terão causado uma queda de 10%.

O resultado é mais uma evidência de que os neonicotinóides estão envolvidos no declínio das abelhas, diz Christopher Connolly, que estuda neurociência humana e de abelhas na Universidade de Dundee, Reino Unido. "As evidências contra os neonicotinóides existem agora em neurónios chave do cérebro das abelhas, envolvidos na aprendizagem e memória, em todo o seu corpo, colmeias inteiras e, agora, ao nível de populações selvagens inteiras", explica ele.

O estudo não consegue mostrar uma relação causal entre o uso de neonicotinóides e o declínio das abelhas selvagens, diz, por seu lado, Utz Klages, porta-voz da agroquímica Bayer Crop Science em Monheim, Alemanha, um dos principais produtores de neonicotinóides do mundo. Há muito que a companhia defende que as evidências de que os inseticidas são danosos para as abelhas são limitadas.

Mas Richard Pywell, ecologista no CEH que também participou no estudo, considera que a correlação entre o uso dos inseticidas e o declínio das abelhas é clara. Pywell não comenta se a UE deve prolongar a sua proibição, no entanto: “O nosso trabalho não é decidir política, é fornecer evidências independentes aos decisores."

O problema para os decisores é como controlar as pragas das culturas e ao mesmo tempo encorajar a diversidade saudável de polinizadores como as abelhas, diz Woodcock: “Não podemos simplesmente dizer ‘desde que tenhamos abelhas, tudo o resto não interessa'. Também temos que considerar os efeitos de seja qual for o pesticida que seja usado em vez dos neonicotinóides, quando estes forem proibidos.”

 

 

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