2016-08-13

Subject: Tubarão quase cego é o vertebrado mais velho do mundo

Tubarão quase cego é o vertebrado mais velho do mundo

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@ Nature/Paul Nicklen/National Geographic Creative

Um grande tubarão quase cego que vive nas águas geladas do dos oceanos Atlântico norte e Ártico é oficialmente o vertebrado mais velho do mundo, dizem os cientistas.

O tubarão da Groenlândia Somniosus microcephalus já viveu pelo menos 272 anos e pode atingir os 500, o que o torna mais velho que a baleia de bossa Balaena mysticetus com 211 anos, a anterior detentora do recorde na lietratura científica. Também bate a popular, mas não confirmada, história da famosa carpa Koi de nome Hanako, que supostamente viveu 226 anos.

Os cientistas já sabiam que os tubarões da Groenlândia tinham uma grande longevidade, diz Peter Bushnell, fisiólogo marinho na Universidade do Indiana em South Bend e co-autor do estudo agora publicado na revista Science. Os peixes são enormes mas crescem lentamente, o que sugere longevidade. Os adultos atingem mais de 6 metros e os investigadores pensam que poderão crescer ainda mais pois um estudo de 1963 estimou que a espécie cresce pelo menos um centímetro por ano.

Obter uma medida exata da idade do tubarão, no entanto, tem-se revelado complicado. Convencionalmente, os investigadores contam as camadas de tecido calcificado que crescem nas escamas das barbatanas do peixe (ou noutras estruturas ósseas) de uma forma muito semelhante a contar os anéis de crescimento das árvores. Mas os tubarões da Groenlândia têm barbatanas pequenas e sem ossos e as suas vertebras são demasiado moles para se depositarem camadas contáveis, explica o biólogo marinho Julius Nielsen, da Universidade de Copenhaga, que também trabalhou neste estudo.

Em vez disso, portanto, a equipa decidiu medir os níveis de carbono-14 radioativo nas fibras do centro do cristalino do olho do tubarão. Essas medições refletem os níveis de radiocarbono no oceano quando o cristalino se formou medições feitas a 28 tubarões fêmea da Groenlândia (durante censos realizados entre 2010 e 2013) sugerem que a maior delas, com 5,02 metros de comprimento, teria entre 272 e 512 anos á época.

A longevidade dos tubarões deriva provavelmente do facto de gastar muito pouca energia, com o seu corpo de sangue frio e enorme tamanho, diz Bushnell. Nem todas as espécies de grande dimensão e sangue frio atingem idades tão excecionais logo será intrigante saber se estes tubarões têm alguma particularidade ou truque molecular que contribua para a sua longevidade, diz Mario Baumgart, biólogo do Instituto Leibniz do Envelhecimento em Jena, Alemanha.

Nielsen concorda mas refere que não está a trabalhar diretamente nessa questão. Ele prefere explorar outros mistérios, como a forma como capturam as presas e onde acasalam.

O estudo também mostra que as fêmeas de tubarão da Groenlândia não atingem a maturidade sexual antes dos 150 anos de idade, sugerindo que um século de pesca intensiva pode dizimar a espécie completamente, diz Bushnell. Apesar de os próprios tubarões não estarem a ser pescados em excesso, uma ameaça maior provém da forma como as alterações climáticas estão a afetar as práticas de pesca no seu ambiente, diz Aaron MacNeil, biólogo marinho no Instituto Australiano de Ciência Marinha em Townsville, Queensland.

“Os tubarões da Groenlândia têm sido pescados pelos Inuits há séculos e ainda existem muitos", diz ele. “A meu ver, o verdadeiro perigo é que o Ártico está a mudar rapidamente devido ao aquecimento global, o que leva a aumentos da pesca comercial e das capturas secundárias que os tubarões da Groenlândia podem não ser capazes de aguentar.”

 

 

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