2016-07-22

Subject: Investigadores chineses pioneiros com primeiro teste CRISPR em humanos

Investigadores chineses pioneiros com primeiro teste CRISPR em humanos

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/STEVE GSCHMEISSNER/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Cientistas chineses estão á beira de serem os primeiros no mundo a injetar pessoas com células modificadas através da técnica de edição genética CRISPR–Cas9.

Uma equipa liderada por Lu You, oncologista no Hospital da China Ocidental da Universidade de Sichuan em Chengdu, tenciona começar a testar essas células em pessoas com cancro do pulmão já no próximo mês. O teste clínico recebeu aprovação ética do painel de revisão do hospital no início deste mês: “É um passo em frente entusiasmante", diz Carl June, investigador clínico em imunoterapia na Universidade da Pensilvânia em Filadélfia.

Tem havido vários testes clínicos em humanos usando uma técnica alternativa de edição genética, incluindo um liderado por June, que ajudaram pacientes a combater o HIV. June também é um conselheiro científico num teste americano já planeado que também usará células modificadas pela CRISPR-Cas9 para o tratamento do cancro.

No mês passado, um painel de aconselhamento dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) americanos aprovaram esse projeto mas o teste também precisa da luz verde da Administração para a Alimentação e Medicamentos (FDA) e do painel de revisão da universidade. Os investigadores americanos já referiram que podiam iniciar o seu teste clínico lá para o final deste ano.

O teste chinês vai alistar pacientes com cancro do pulmão metastizado para quem a quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos já falharam: “As opções de tratamento são muito limitadas", diz Lu. “Esta técnica é muito prometedora por trazer benefícios para os pacientes, especialmente os que tratamos todos os dias."

A equipa de Lu vai extrair células imunitárias T do sangue dos pacientes alistados e usar a tecnologia CRISPR-Cas9, que emparelha um guia molecular capaz de identificar sequências genéticas específicas num cromossoma com uma enzima que corta o cromossoma nesse local, para desativar um gene nas células. O gene codifica a proteína PD-1, que normalmente verifica a capacidade da célula de lançar uma resposta imunitária, impedindo-a de atacar células saudáveis.

As células editadas serão, depois, multiplicadas em laboratório e reintroduzidas no sangue do paciente. As células modificadas vão circular e, espera a equipa, atacar o cancro, explica Lu. O planeado teste americano também tenciona desativar o gene da PD-1 e um segundo gene, inserindo um terceiro antes de as células serem reintroduzidas no paciente.

No ano passado, a FDA aprovou para utilização contra o cancro do pulmão duas terapias baseadas em anticorpos que bloqueiam a PD-1 mas é difícil prever para um dado paciente em que grau esses anticorpos irão bloquear a PD-1 e ativar a resposta imunitária.

Pelo contrário, desativar o gene bloqueia a PD-1 com maior grau de certeza, enquanto a multiplicação das células aumenta a probabilidade de uma resposta: “Será muito mais poderoso que os anticorpos", diz Timothy Chan, que realiza investigação clínica em imunoterapia no Centro do Cancro Memorial Sloan Kettering em Nova Iorque.

É bem conhecido o facto de a CRISPR puder causar alterações genéticas no local errado do genoma, com efeitos potencialmente danosos. A Chengdu MedGenCell, uma companhia de biotecnologia colaboradora no teste, irá validar as células de forma a garantir que os genes corretos são desativados antes de as células serem reintroduzidas nos pacientes, explica o oncologista Lei Deng, do Hospital da China Ocidental e membro da equipa de Lu.

Como a técnica tem como alvo as células T, envolvidas vários tipos de resposta imunitária, de forma não específica, Chan está preocupado com a possibilidade de esta abordagem induzir um excesso de resposta imunitária em que as células comecem a atacar o intestino ou outros tecidos normais.

Ele sugere, em vez disso, que a equipa recolha células do local do tumor pois já estarão especializadas em atacar o cancro mas Deng considera que os tumores do pulmão do estudo não são facilmente acessíveis. A equipa também se sente mais sossegada com as terapias de anticorpos aprovadas pela FDA, que não revelaram uma taxa elevada de resposta imunitária.

O teste da fase I foi, antes de mais, concebido para testar a segurança desta abordagem. Irá examinar os efeitos de 3 regimes diferentes de dosagem em 10 pessoas e, explica Deng, a equipa tenciona avançar lentamente, aumentando a dosagem gradualmente e começando com apenas um paciente, que será monitorizado de perto em busca de efeitos secundários. Mas os investigadores também vão monitorizar marcadores sanguíneos que indicarão se o tratamento está a funcionar.

Lu refere que o processo de revisão, que levou meio ano, exigiu que a equipa investisse muito tempo e recursos humanos, incluindo comunicação constante com o painel de revisão interno do hospital: “Houve muito 'leva e traz' mas a aprovação dos NIH do outro teste CRISPR fortaleceu a nossa confiança neste estudo."

A China já teve a reputação de avançar rapidamente, por vezes demasiado rápido, com a CRISPR, refere Tetsuya Ishii, perito em bioética na Universidade de Hokkaido em Sapporo, Japão. Mas segundo Lu, a sua equipa pode avançar rapidamente pois são experientes em testes clínicos de tratamentos para o cancro.

June também não está surpreso que seja um grupo chinês o primeiro a avançar com um teste deste tipo: “A China dá alta prioridade á investigação biomédica."

Ishii salienta que se o teste clínico tiver início como planeado, será o mais recente de uma série de primeiros lugares para a China no campo da edição genética com a CRISPR, incluindo os primeiros embriões humanos editados e os primeiros macacos editados: "Quando se fala de edição genética, a China vai em primeiro."

“Espero que sejamos realmente os primeiros", diz Lu. "E ainda mais importante, espero que tenhamos resultados positivos do teste.”

 

 

Saber mais:

Luz verde de painel americano para teste clínico com CRISPR

Mutações genéticas de propagação rápida são risco ecológico

Sistema de edição genética CRISPR usado em RNA

Edição de embriões humanos agora abrangida por diretrizes de células estaminais

Segunda equipa chinesa relata edição genética em embriões humanos

HIV ultrapassa ataque por edição genética com CRISPR

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2016


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com