2016-07-17

Subject: Algas estão a derreter a camada de gelo da Groenlândia

Algas estão a derreter a camada de gelo da Groenlândia

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@ Nature/Jason Edwards/NGC

Os investigadores estão a espalhar-se pelo gelo da Groenlândia para explorar uma influência crucial, mas descurada, sobre o seu futuro: florescimentos de algas vermelhas, verdes e castanhas. Elas escurecem o gelo e a neve, levando a que absorva mais luz do sol e derreta mais depressa.

O projeto Black and Bloom, de US$ 4 milhões, tem como objetivo medir a forma como as algas estão a alterar a quantidade de luz solar que o coberto de gelo da Groenlândia reflete para o espaço: “Queremos perceber que quantidade de escurecimento se deve aos microrganismos e que quantidade se deve a outros fatores físicos”, como fuligem ou pó mineral, diz Martyn Tranter, biogeoquímico na Universidade de Bristol, Reino Unido, e investigador principal do projeto.

Os investigadores da equipa chegaram a Kangerlussuaq, Groenlândia, para seis semanas de observações. O trabalho irá continuar por mais dois Verões, explorando diferentes partes da camada de gelo. Eventualmente, os cientistas esperam obter a primeira compreensão aprofundada da forma como os processos biológicos afetam a refletividade da Groenlândia.

A partir desses resultados, os modeladores climáticos deverão ser capazes de melhorar as suas estimativas da forma como a camada de gelo, que contém água suficiente para fazer subir o nível do mar em 7 metros, deverá derreter nas próximas décadas. Os últimos anos, incluindo o atual, assistiram a recordes de degelo e temperatura por toda a Groenlândia.

O projeto Black and Bloom vai fornecer “um conjunto de dados único” para ajudar os cientistas a perceber o futuro da Groenlândia, diz Marco Tedesco, geofísico no Observatório Geológico Lamont-Doherty em Palisades, Nova Iorque.

Tranter acrescenta que o trabalho também irá afetar as predições de fornecimento de água noutras áreas, como os Himalaias, onde os florescimentos de algas pontuam os glaciares fornecedores de algas.

Durante décadas, a maioria dos estudos sobre a microbiologia da Groenlândia focaram-se nos buracos de crioconite, pequenos poços na superfície da camada de gelo cobertos de matéria orgânica escura de algas adaptadas aos gelo. Mas enormes florescimentos de algas fotossintéticas também cobrem o gelo e a neve todos os Verões. Algumas, como as Chlamydomonas nivalis, começam por florescimentos verdes á medida que fotossintetizam e posteriormente tornam-se avermelhadas ao produzir carotenóides que se protegem dos raios ultravioletas.

“São algas extremamente preguiçosas, dormem nove meses e depois acordam e fazem uma festa”, diz Liane Benning, biogeoquímica, membro da equipa e da Universidade de Leeds, Reino Unido.

As algas criam vastos campos coloridos do que os locais chamam 'neve melancia'. No mês passado na revista Nature Communications, Benning relatou a amostragem que fez em neve melancia de glaciares por todo o Ártico. Descobriu 6 tipos de algas a viver em 40 locais com neve vermelha na Noruega, Suécia, Groenlândia e Islândia. Comparando as propriedades óticas da neve vermelha e limpa, estimaram que os florescimentos de algas podem reduzir a refletividade em 13% ao longo da estação de degelo. "Seja onde for que olhemos, o impacto é bastante dramático”, diz Benning.

Depois de o coberto de neve derreter na estação, outras espécies de algas passam a dominar. Estas algas adaptadas ao gelo são geralmente castanhas acinzentadas, nitidamente menos drmáticas que os florescimentos vermelhos e verdes mas igualmente importantes no escurecimento da camada de gelo. Só nos últimos anos os cientistas começaram a perceber que algumas das partículas escuras no gelo são de facto estas algas e não fuligem, diz Benning.

Tranter explica que teve a ideia do projeto Black and Bloom há cerca de 4 anos, quando trabalhava nas margens da camada de gelo da Groenlândia e se esqueceu dos óculos de glaciar. Colocou, em vez deles, os óculos de ciclismo coloridos e a cor ficou evidente: “Em toda a superfície do gelo que derretia via uma cor malva. Foi aí que disse a todos os meus companheiros que havia montes de algas a crescer neste gelo apodrecido.”

O projeto Black and Bloom é o primeiro esforço para explorar sistematicamente o papel das algas no escurecimento do gelo. Este início da estação de campo foca-se no sudoeste da Groenlândia, num local com neve escura onde Jason Box e Marek Stibal, do Geological Survey da Dinamarca e Groenlândia, têm estado a quantificar a fuligem e o pó mineral que se deposita na Groenlândia. Agora os microbiólogos chegaram com equipamento para amostrar as várias espécies de algas e bactérias que se espalham pelo gelo.

O coração do projeto Black and Bloom é uma região de estudo com meio quilómetro de lado. Aqui, os investigadores irão recolher amostras de carbono negro e microrganismos enquanto medem a luz solar incidente e a refletividade.

Com estações de degelo cada vez mais longas ao vez dos últimos anos, as algas têm mais tempo para florescer e escurecer o gelo, diz Tranter. No próximo ano, a equipa tenciona ir para o campo mais cedo na estação, estar no terreno em Maio quando a neve começa a derreter e as algas acordam do seu sono invernal.

 

 

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