2016-07-16

Subject: Luzes brilhantes aceleram envelhecimento em ratos

Luzes brilhantes aceleram envelhecimento em ratos

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@ OJO Images Ltd/Alamy Stock Photo

Eliane Lucassen trabalha no turno da noite do Centro Médico da Universidade de Leiden na Holanda, começa o seu dia ás 18 horas mas a sua própria investigação demonstrou que este horário pode provocar-lhe problemas de saúde: “É engraçado", refere a médica residente. “Aqui estou eu a dizer que não é saudável mas tem que ser feito.”

Lucassen e Johanna Meijer, neurocientista em Leiden, relatam na última edição da revista Current Biology que uma barragem constante de luzes brilhantes envelhece prematuramente os ratos, criando o caos nos seus ciclos circadianos e desencadeando uma cascata de problemas de saúde.

Os ratos expostos a luz constante sofreram perda de densidade óssea, enfraquecimento da musculatura esquelética e inflamação, mas restaurar-lhes a saúde foi tão simples como desligar a luz. As descobertas são preliminares mas sugerem que pessoas que vivem em cidades inundadas de luz artificial podem estar a enfrentar riscos de saúde semelhantes: “Já sabemos que fumar faz mal ou que o açúcar faz mal mas a luz nunca esteve em causa", diz Meijer. “A luz e a escuridão têm importância."

Muitos estudos anteriores indiciaram a ligação entre a exposição á luz artificial e problemas de saúde em animais e pessoas. Análises epidemiológicas revelaram que trabalhadores por turnos têm um risco acrescido de cancro da mama, síndromas metabólicos e osteoporose. Pessoas expostas a luzes brilhantes á noite têm maior probabilidade de sofrerem de doenças cardiovasculares e frequentemente não dormem o suficiente.

No entanto, estabelecer uma ligação direta entre a exposição á luz e a falta de saúde tem sido difícil. O grupo de Meijer explorou esta relação em ratos implantando elétrodos na parte do cérebro dos animais que controla o seu relógio biológico, para medir a atividade dos neurónios nesse local. Os cientistas, de seguida, alojaram os ratos me gaiolas brilhantemente iluminadas durante 24 semanas.

Os animais tinham material para construir ninhos, podiam mover-se livremente e eram capazes de fechar os olhos quando dormiam mas os ratos adormecidos não conseguiam evitar completamente a luz e ainda estavam expostos a um sétimo da exposição á luz que tinham quando acordados. Globalmente, os animais foram expostos a mais luz do que receberiam num ciclo típico de luz/escuridão.

Em resposta, os padrões de atividade dos neurónios alteraram-se, deixando as células da região do pacemaker do cérebro a pulsar de forma irregular. Esta perda de sincronização espelha o que acontece nos cérebros em envelhecimento.

Os ratos também adotaram um dia de 25,5 horas, perderam densidade óssea e tinham músculos mais fracos, avaliados pela força com que conseguiam agarrar com os membros anteriores. Depois de os investigadores restaurarem a escuridão, os neurónios dos ratos retomaram os seus ritmos normais e os animais reverteram para um dia de 24 horas.

A análise tem uma abordagem inovadora ao estudo da biologia circadiana em ratos, diz Richard Stevens, epidemiologista na Faculdade de Medicina da Universidade do Connecticut em Farmington, que estuda o efeito da luz sobre o cancro.

Mas ele refere que as descobertas podem não se aplicar a pessoas: as luzes brilhantes aplicadas aos ratos foram mais dramáticas do que os ciclos de luz e escuridão que as pessoas experimentam na vida real, mesmo em situações extremas.

“A próxima experiência deverá ser algo como 12 horas de luz, 6 horas de luz fraca e 6 horas de escuridão. Esse é o tipo de exposição que os humanos sofrem", diz Stevens. E a perturbação do relógio biológico, por si só, pode não causar os efeitos de saúde relatados no estudo, diz Steven Lockley, neurocientista na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts. Pouco tempo de sono e a própria luz podem, cada um, afetar a saúde logo um ciclo circadiano alterado pode não ser o culpado.

Mas Meijer diz que o estudo pode servir de aviso a quem trabalha em instalações de cuidados intensivos ou instalações de cuidados a longo prazo, bem como a trabalhadores de turno, como a sua antiga estudante Lucassen.

Um atlas da poluição por luz artificial de Junho revelava que dois terços da população mundial está exposta a luz á noite. Também no mês passado, o Conselho de Ciência e Saúde Pública da Associação Médica Americana apelou a uma redução das luzes brilhantes artificiais, citando evidências de que podem aumentar o risco de desenvolvimento de cancro, diabetes e doenças cardiovasculares.

Meijer tenciona agora examinar de que forma a luz afeta o sistema imunitário e pretende repetir o seu estudo de monitorização dos neurónios com ratos selvagens, que são ativos de dia, ao contrário dos ratos de laboratório, pois continua fascinada com os ciclos cricadianos: “Não há nenhuma outra região do cérebro da qual saibamos tanto”, diz Meijer. “Tem sido um modelo maravilhoso para a pesquisa em neurociência mas só nos últimos cinco a sete anos percebemos que também é essencial para a saúde.”

 

 

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