2016-07-08

Subject: Zika chama a atenção para outros vírus mais comuns associados a defeitos de nascença

Zika chama a atenção para outros vírus mais comuns associados a defeitos de nascença

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/LOU Collection/Alamy

Um vírus está a matar centenas de bebés nos Estados Unidos todos os anos, deixando milhares de outros com defeitos de nascença, incluindo cabeças e cérebros anormalmente pequenas, mas não é o vírus Zika: é outro vírus mais comum e muito menos exótico, o citomegalovírus (CMV).

Agora, á medida que os olhos dos média e dos funcionários da saúde se focam na propagação do Zika nas Américas e mais além, muitos investigadores esperam que os financiadores e as agências de saúde prestem, finalmente, mais atenção a um problema global muito maior, os milhões de bebés nascidos todos os anos com defeitos de nascença sérios.

“Os defeitos de nascença não são uma prioridade na agenda de saúde pública”, diz Stanley Plotkin, cientista aposentado que na década de 1970 desenvolveu a atual vacina contra a rubéola. A pandemia de rubéola da década de 1960 causou dezenas de milhares de defeitos de nascença, só nos Estados Unidos.

“O Zika é uma oportunidade”, diz ele, para para chamar a atenção para os defeitos de nascença entre os financiadores da investigação e as agências de saúde pública e para acelerar os esforços para desenvolver uma vacina para o CMV.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, anualmente, mais de um quarto de milhão de bebés em todo o mundo morrem pouco tempo após o nascimento devido a anomalias congénitas e muitos mais nascem com defeitos graves. As causas são muitas, algumas conhecidas e outras nem por isso. O foco global na redução da mortalidade infantil significou que as incapacidades graves nas crianças têm uma prioridade baixa na saúde pública, diz Anita Kar, especialista em deficiências congénitas na Universidade de Pune, Índia.

O CMV é um ícone do problema e com o Zika a surgir tantas vezes nas notícias os cientistas estão a expressar a frustração e a tentar aproveitar o balanço. A Fundação Nacional para o CMV está a realizar campanhas informativas que comparam e contrastam o Zika e o CMV. Está a tentar influenciar os políticos de forma a aproveitar os mandatos em vários estados para que as autoridades de saúde pública produzam material de propaganda e realizem testes ao CMV em todas as crianças com dificuldades auditivas.

“O Zika tornou-se um início de conversa sobre o CMV”, diz Janelle Greenlee, cofundador da fundação CMV, que perdeu uma filha devido ao CMV congénito e tem outra, gémea da morta, com paralisia cerebral e perdas auditivas graves.

As infeções por CMV em adultos, crianças e bebés são na sua maioria assintomáticas e inofensivas mas o vírus é muito mais perigoso (frequentemente letal) no feto. Em todo o mundo, cerca de 1 em cada 100 a 500 bebés nascem com CMV congénito e dos 10 a 20% que revelam sintomas cerca de 30% irão morrer. Os sobreviventes sofrem frequentemente danos no fígado, pulmões e baço ou problemas neurológicos, incluindo incapacidades de desenvolvimento ou perdas auditivas ou de visão.

A ligação do CMV a defeitos de nascença é conhecida desde a década de 1950, no entanto, um censo de 2012 revelou que apenas 13% das mulheres americanas e 7% dos homens tinham ouvido falar do CMV congénito. A baixa taxa de consciencialização é mortal, diz Gail Harrison, investigadora de doenças infecciosas e do CMV na Faculdade Baylor de Medicina e no Hospital Pediátrico do Texas, ambos em Houston.

Não existe vacina, logo as precauções (lavar as mãos e evitar o contacto com a saliva e a urina de crianças) são a única defesa. Harrison trabalha de perto com grupos de pacientes para promover a consciencialização mas luta contra a inércia das agências estatais e federais na ajuda á transmissão desta mensagem.

A administração Obama pediu mais de US$1 mil milhões para medidas de controlo e investigação sobre o Zika e o website do Centro de Controlo de Doenças e Prevenção (CDC) americano está inundado com informação e conselhos sobre esse vírus, salienta ela, mas a quantidade bem mais modesta de informação sobre o CMV tem que ser procurada com muitos mais empenho.

Peritos em saúde e o CDC esperam que o Zika nos Estados Unidos seja limitado a pequenos surtos localizados nos estados do sul, onde o mosquito transmissor Aedes aegypti está presente na época quente. Essa predição baseia-se no padrão de surtos americanos de dengue e chikungunya anteriores, duas outras doenças transportadas pelo mesmo mosquito. Para os Estados Unidos, diz Plotkin, “não há qualquer dúvida de que o CMV é um problema muito maior que o Zika”.

Os contribuidores para os defeitos genéticos incluem as anomalias genéticas, bem como muitos outros fatores preveníveis, como as doenças infecciosas, medicamentos, dieta e químicos ambientais mas as causas de quase três quartos dos casos são desconhecidas.

Um melhor acompanhamento da epidemiologia dos defeitos de nascimento é urgentemente necessário, em particular nos países em desenvolvimento, diz Kar. Este tipo de investigação é difícil, exigindo vigilância á escala populacional e muitas vezes depende de questionários que pedem ás mães com crianças com anomalias congénitas que tentem recordar exposições passadas, um processo suscetível a incorreções.

Para melhorar estas questões, os registos de defeitos de nascença americanos e europeus estão cada vez mais a tentar comparar os resultados das gravidezes com vastas bases de dados de historiais de medicamentos prescritos, níveis de poluição local da água e do ar, bem como outros fatores. O historial de prescrições é especialmente importante pois as mulheres grávidas são geralmente excluídas dos testes clínicos e, assim, pouco se sabe sobre a segurança dos medicamentos para os fetos.

Mas muitos países pobres nem a mais ba´sica rede de vigilância têm: no caso de defeitos no desnevolvimento do tubo neural, como a espinha bífida por exemplo, uma análise global publicada em Abril revelou que 120 dos 194 estados membros da OMS não tinham dados de prevalência. “São necessários registos com urgência", diz Kar.

 

 

Saber mais:

Insetos transgénicos não estão prontos para a ribalta

Aumentam os receios sobre o próximo passo da febre amarela

Zika salienta a importância da controversa investigação em tecidos fetais

Relação entre o Zika e os defeitos de nascença- onde está a verdade?

Vacina contra Dengue brilha em teste pioneiro

O desafio de provar a ligação entre o vírus Zika e defeitos de nascimento

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2016


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com