2016-07-05

Subject: Buraco no ozono sobre a Antártica está a fechar

Buraco no ozono sobre a Antártica está a fechar

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

@ Nature/Kelli-Ann Bliss/NOAA

É o início do fim do buraco antártico no ozono: uma nova análise mostra que, em média, o buraco (que se forma todas as Primaveras no hemisfério sul, deixando passar perigosos raios ultravioleta) está mais pequeno e está a surgir mais tarde no ano do que em 2000.

O tratado global de 1987, que ficou conhecido como o Protocolo de Montreal, tinha como objetivo reduzir o buraco no ozono proibindo os clorofluorocarbonetos, compostos químicos contendo cloro usados como agentes refrigerante, que aceleravam a perda de ozono na estratosfera. O estudo mais recente mostra que funcionou.

“Todos nós, como um planeta, evitámos o que teria sido uma catástrofe ambiental”, diz Susan Solomon, perita atmosférica no Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, e pioneira no campo de perda de ozono antártico. “Parabéns a nós!" Ela e os seus colegas relatam a descoberta na última edição da revista Science.

Outros cientistas também descobriram indícios de que o buraco no ozono está a sarar: um estudo de 2008 relatava que a taxa de declínio da camada de ozono tinha começado a abrandar e um estudo de 2011 sugeria que os níveis de ozono tinham começado a aumentar. Uma avaliação de 2014 da Organização Meteorológica Mundial revelou que a recuperação tinha começado em alta altitude nas latitudes médias e baixas.

Este último trabalho é outro poderoso exemplo desta recuperação em curso, diz Birgit Hassler, perita atmosférica no Instituto Cooperativo de Investigação em Ciências Ambientais em Boulder, Colorado. “É uma clara e única peça de evidência de que o buraco no ozono está realmente a sarar", diz ela.

Outubro de 2015 assistiu a um dos maiores buracos no ozono de que há registo, cobrindo uma área de 28,2 milhões de quilómetros quadrados no seu máximo, o que colocou questões sobre se o buraco estava realmente a diminuir. Mas há evidências de que grandes erupções vulcânicas podem afetar a química da camada de ozono, pelo que a equipa de Solomon resolveu investigar.

Os investigadores descobriram que o vulcão Calbuco no Chile, que entrou em erupção em Abril de 2015 e lançou para a estratosfera partículas ricas em enxofre que desencadeiam reações de destruição do ozono, teve parte da culpa por esse buraco gigante.

O modelo climático afinado dos cientistas também revelou que o buraco no ozono sobre a Antártida encolheu em Setembro 4,5 milhões de quilómetros quadrados, em média, entre 2000 e 2015. Setembro é importante pois é o momento em que o sol regressa em pleno ao antártico depois do Inverno, iniciando reações químicas na atmosfera que devoram a camada de ozono. “A tendência é significativa e é oq ue esperaríamos da química do cloro", diz Solomon.

Até agora, a maioria dos cientistas tinha-se focado em Outubro, o mês quando o buraco no ozono é maior mas Solomon diz que as pegadas da recuperação são mais óbvias em Setembro: o buraco está agora a abrir, em média, 10 dias mais tarde do que costumava.

Medições obtidas a partir de balões meteorológicos sobre a Antártica também mostram que a recuperação está a acontecer nas altitudes previstas pelo modelo da equipa: “Se temos a profundidade e a forma corretas, bem como o tempo, então começamos a sentir-nos confiantes", diz Solomon.

A tendência de Setembro é convincente, diz Sophie Godin-Beekmann, química atmosférica no Centro Nacional de Investigação Científica de França em Paris. Mas ela gostaria de ter mais anos incluídos na análise.

Faltam muitas décadas para o buraco sarar completamente: “O buraco no ozono está quase tão potente como sempre e não deve desaparecer antes do final do século, com todas as implicações para a saúde humana e dos ecossistemas”, diz Michaela Hegglin, perita atmosférica na Universidade de Reading, Reino Unido. O buraco menor sobre o pólo norte, que é mais variável que o seu primo do sul, ainda não revelou tendência para a recuperação.

Para Solomon, que trabalha no ozono antártico desde a década de 1980, a reviravolta é bem-vinda: “Vê-lo a melhorar é realmente espantoso."

 

 

Saber mais:

A ciência por trás do escândalo de emissões da Volkswagen

Papa Francisco pressiona ação para limitar alterações climáticas

Qualidade do ar vai deteriorar-se com aquecimento global

Perda de ozono aqueceu o sul de África

Aquecimento global expande gelo marinho antártico

Bem-estar humano pode fortalecer a conservação

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgPinterest simbiotica.orgInstagram simbiotica.orgYouTube simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2016


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com