2016-07-03

Subject: Luz verde de painel americano para teste clínico com CRISPR

Luz verde de painel americano para teste clínico com CRISPR

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@ Nature/STEVE GSCHMEISSNER/SPL

A CRISPR, a tecnologia de edição do genoma que tomou de assalto a ciência biomédica, está finalmente a aproximar-se dos testes em humanos.

No final de Junho, um comité de aconselhamento dos Isntitutos Nacionais de Saúde (NIH) americanos aprovou uma proposta para usar a CRISPR–Cas9 para ajudar a aumentar as terapias contra o cancro que dependem da mobilização das células T de um paciente.

“As terapias celulares para o cancro são tão prometedoras mas a maioria das pessoas que as recebem têm recaídas", explica o líder do estudo Edward Stadtmauer, médico na Universidade da Pennsylvania em Filadélfia. A edição genética pode melhorar esses tratamentos e eliminar algumas das suas vulnerabilidades ao cancro e ao sistema imunitário do corpo, diz ele.

Este primeiro teste é pequeno e concebido para testar se a CRISPR é segura para ser usada em pessoas, e não para verificar se efetivamente trata o cancro ou não. Será financiada por uma fundação de imunoterapia de US$250 milhões, formada em Abril pelo antigo presidente do Facebook Sean Parker. O teste, no entanto, ainda não tem um orçamento: a Universidade da Pennsylvania vai manufaturar as células editadas e recrutar e tratar pacientes em centros de saúde da Califórnia e do Texas.

Os investigadores vão remover células T de 18 pacientes com vários tipos de cancro e aplicar-lhes três edições com CRISPR. Uma edição irá inserir um gene para uma proteína modificada para detetar células cancerosas e intruir as células T para as destruirem, uma segunda edição remove uma proteína natural das células T, que pode interferir com este processo, e a terceira é defensiva: irá remover o gene para uma proteína que identifica as células T como imunitárias e impede as células cancerígenas de as incapacitar. Os investigadores depois infundirão as células editadas novamente no paciente.

“Toda a excitação do ano passado com a CRISPR foi uma antecipação disto”, diz Dean Anthony Lee, imunologista no Centro do Cancro MD Anderson em Houston, Texas, e membro do Comité de Aconselhamento sobre Investigação com DNA Recombinante dos NIH (RAC), que analisou a proposta. A CRISPR, diz ele, torna a edição do genoma suficientemente fácil para que estes testes possam avançar rapidamente.

O RAC analisa todas as propostas para testes em humanos que envolvam DNA modificado conduzidos nos Estados Unidos. A equipa de Stadtmauer terá agora que convencer os reguladores americanos e os painéis das suas próprias instituições a permitir o teste. O imunologista Carl June, da Universidade da Pennsylvania e conselheiro científico sobre o projeto, diz que deverá ter início no final deste ano.

Outros testes podem seguir-se rapidamente. A Editas Biotechnologies de Cambridge, Massachusetts, por exemplo, pretende usar a CRISPR num teste clínico para uma forma rara de cegueira já em 2017. No entanto, os membros do RAC dizem que ainda não foram abordados sobre esse teste.

A CRISPR tem atraído tanta atenção devido á facilidade de utilização mas o teste com células T não será o primeiro a testar a eficácia da utilização da edição genética no combate a doenças. Em 2014, June liderou um teste que usava uma técnica diferente de edição genética conhecida por nuclease dedo-de-zinco.

O seu grupo recolheu sangue de 12 pessoas com HIV e removeu o gene que codifica a proteína das células T que o vírus ataca. Esperavam que isso impedisse a infeção das células e os resultados foram encorajadores, pelo que a técnica está agora a ser usada em testes clínicos para várias outras doenças.

Na semana passada, investigadores do Hospital Pediátrico Great Ormond de Londres iniciaram um estudo de segurança com 10 crianças usando uma técnica semelhante conhecida por TALENS. Em vez de usar as próprias células dos pacientes, o sistema usa células T de um dador que foram editadas para remover genes que provocariam a rejeição. A edição genética dirige, depois, as células T a atacarem o cancro e protege as células de danos por outro tipo de medicamentos de imunoterapia.

Apesar da CRISPR ser mais fácil do que as outras técnicas e melhor a aeditar vários genes de uma só vez, June diz que o principal desafio será ultrapassar a tendência da técnica para fazer edições fora do alvo pretendido. Para além disso, mesmo com todas as precauções, o sistema imunitário pode ainda atacar as células editadas.

Durante o encontra do RAC, uma das maiores preocupações do comité era o potencial conflito de interesses. Entre outros envolvimentos financeiros, June tem laços á farmacêutica Novartis, detém patentes sobre tecnologias de células T e pode vir a beneficiar com o sucesso deste teste. June recusou dar detalhes sobre a natureza exata dos seus conflitos de interesses mas diz que a sua universidade está a tomar medidas para lidar com isso, como impedi-lo de estar envolvido na escolha dos pacientes.

Ainda assim, os membros do RAC dizem que estão a ser extra cuidadosos com este estudo: “A Penn tem graves conflitos e um historial", diz Laurie Zoloth, perita em bioética na Universidade Northwestern em Evanston, Illinois. Todos recordam o nome de Jesse Gelsinger, que morreu aos 18 anos, quando participava num dos primeiros testes de terapia génica conduzidos na Universidade da Pennsylvania em 1999.

Uma investigação subsequente encontrou inúmeros problemas com o estudo, incluindo dados com animais que não tinham sido relatados sobre os efeitos danosos da terapia e o facto de os investigadores terem vantagens financeiras com o sucesso do estudo.

O incidente é geralmente considerado como algo que atrasou a terapia génica décadas: “Qualquer primeira utilização em humanos implica ser extraordinariamente cautelosos”, diz Zoloth. Por isso, muito depende deste teste.

Mas Mildred Cho, perita em bioética na Universidade de Stanford na Califórnia e membro do RAC, diz que o trabalho de segurança feito com animais apenas nos leva até certo ponto: “Ás vezes temos que dar um salto de fé."

 

 

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