2016-06-30

Subject: Amazonas seco pode assistir a fogos sem precedentes

Amazonas seco pode assistir a fogos sem precedentes

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@ Nature/Mario Tama/Getty

O Amazonas está pronto para arder: depois de uma estação chuvosa invulgarmente seca, a zona sul da floresta húmida está a caminho do Inverno com o maior déficit de humidade desde 1998. A situação cria o cenário perfeito para uma época de fogos invulgarmente intensa, de acordo com uma previsão hoje emitida e baseada nas tendências de temperatura da superfície do mar nos oceanos Atlântico e Pacífico.

“A região está pronta para uma atividade de fogos recorde", refere o co-autor da previsão Douglas Morton, perito em deteção remota no Centro de Voo Espacial em Greenbelt, Maryland. De forma mais genérica, uma equipa liderada por Morton e James Randerson, biólogo na Universidade da Califórnia, Irvine, diz conseguir prever o risco de fogo em todo o globo, baseado em parte na influência dos fenómenos climáticos El Niño e La Niña.

As previsões de fogo para o Amazonas derivam do épico evento El Niño do ano passado. Os fenómenos El Niño aquecem o Pacífico tropical, o que tende a reduzir a precipitação durante a estação das chuvas e as temperaturas mais elevadas do Atlântico tropical podem suprimir as chuvas na estação seca.

O El Niño do ano passado também ajudou a semear fogos devastadores na Indonésia, dizem os investigadores. O seu trabalho revela que as temperatura da superfície do mar nos oceanos Atlântico e Índico anunciam tendência para fogos na América Central, África e algumas florestas boreais de latitudes elevadas.

Em cada caso, dizem Morton e Randerson, as condições oceânicas podem fornecer indicações sobre as tendências de precipitação em zonas florestadas chave em terra, com vários meses de avanço. “Todos estes processos estão a contribuir para acumular material combustível e a reduzir o nível de humidade desses materiais á medida que caminhamos para a estação seca", diz Randerson. “É isso que leva a uma previsibilidade dos regimes globais de fogos."

Outras equipas procuram incluir o risco de fogo nas previsões a curto prazo e sazonais, incorporando modelos de fogo independentes. Estes modelos tentam ter em conta fatores como o tipo de vegetação e a probabilidade de relâmpagos ou fogos agrícolas. Eventualmente, esses sistemas de predição poderão integrar fenómenos mais complexos, como a dinâmica do crescimento da vegetação, a forma como o fogo tende a propagar-se na paisagem e os gases e partículas emitidas pelo fogo, diz Allan Spessa, modelador do fogo na Universidade Aberta de Milton Keynes, Reino Unido.

O Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo em Reading, tenciona tornar público o seu protótipo para previsão de risco de fogo com cerca de seis semanas de avanço e os modeladores do centro estão a trabalhar para incluir o risco de fogo nas suas previsões sazonais. Florian Pappenberger, que lidera o trabalho do centro sobre previsão de clima extremo, refere que a abordagem estatística usada por Morton e Randerson é sólida e pode servir como uma verificação independente das previsões dos modelos, que vêm com as suas próprias incertezas. As previsões para a disponibilidade de água nos rios, reservatórios e sistemas agrícolas operam dessa forma atualmente.

No entanto, se as florestas vão realmente arder até ao chão depende de muitos fatores, incluindo aplicação da lei e esforços de supressão de fogos em cada região. Por exemplo, quase todos os fogos no amazonas têm início em limpezas da floresta para cultivo e criação de gado mas uma vez que a humidade caia e a vegetação seque, estes fogos agrícolas podem descontrolar-se.

A probabilidade de isto acontecer aumenta ao longo da estação seca mas os cientistas já conseguem ver os impactos do El Niño. Morton e Randerson analisaram medições de precipitação de sensores e satélite durante a estação das chuvas e usaram dados dos satélites da Experiência Climática e de Recuperação da Gravidade (GRACE) da NASA para fornecer uma estimativa da armazenagem de água cumulativa em terra (no solo, aquíferos e rios) caminhando para a estação seca. Randerson considera a situação no Amazonas atual pior que a das importantes secas de 2005 e 2010 e semelhante á de 1998, depois do mais recente El Niño.

Para além da previsão de risco no Amazonas, Morton e Randerson estão a seguir e mapear fogos usando medições de infravermelhos recolhidas pelas imagens do Sensor Espectrorradiométrico de Resolução Moderada (MODIS) a bordo do satélite Terra da NASA. O dispositivo detetou mais de 12500 fogos na região do Mato Grosso no Brasil, só este ano, tornando 2016 o terceiro pior ano no registo do MODIS, que vem desde 2003.

No Amazonas, a questão agora é se os sistemas de tempestade atlânticos trarão o muito necessário alívio durante a estação seca. Morton e Randerson identificaram uma ligação entre os furacões atlânticos e os fogos amazónicos: quando o Atlântico tropical está quente, há maior probabilidade de os furacões se formarem e de absorverem bandas de chuva que iriam em diração ao Amazonas. O Atlântico tropical tem estado a arrefecer, o que dá esperança ao Amazonas.

 

 

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