2016-06-28

Subject: Criticado plano para levar rinocerontes para a Austrália

Criticado plano para levar rinocerontes para a Austrália

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@ Nature/Richard Du Toit/Minden Pictures/FLPA

Um ambicioso projeto para deslocar rinocerontes da África do Sul para a Austrália foi acusado por alguns peritos em conservação de ser um desperdício dinheiro.

A organização sem fins lucrativos Projeto Australiano do Rinoceronte, sediada em Sydney, recebeu muita publicidade com os seus planos para deslocar 80 rinocerontes para a Austrália, “para estabelecer uma população de segurança que garanta a sobrevivência a espécie”. Angariou mais de US$600 mil até Setembro de 2015 e espera começar por enviar de avião seis rinocerontes ainda em 2016.

A organização refere que, eventualmente, os rinocerontes da manada australiana poderão ser devolvidos a África para restabelecer as populações selvagens, quando a caça furtiva (que está a devastar as populações de rinocerontes em África) for uma ameaça menor.

Mas numa carta publicada na revista Nature, quatro investigadores alertam para o  facto de o projeto estar a "desviar fundos e interesse público das ações necessárias á conservação dos animais". O custo de milhões de dólares para deslocar 80 animais seria melhor empregue na prevenção da caça furtiva, referem os investigadores.

“Todos os que estão associados á conservação em África estão bem cientes da enorme crise de caça furtiva em curso", diz Matt Hayward, investigador de conservação na Universidade Bangor, Reino Unido, e autor principal da carta. Mas para ele deslocar rinocerontes para a Austrália é uma má solução: “Não acho que faça algum mal mas o pote de dinheiro é limitado e faríamos melhor em focar-nos in situ.”

Mas o fundador do projeto do rinoceronte, Ray Dearlove, defende calorosamente a iniciativa: Uma “espantosa quantidade de dinheiro" foi aplicada em iniciativas anti-caça furtiva e os anim ais continuam a ser chacinados, diz ele, para além de que transportá-los para a Austrália é "uma possível estratégia na complexa rede para salvar o rinoceronte". Ele também critica a carta por afirmar que o esforço para deslocar os rinocerontes seria de US$3,5 milhões, quando os custos ainda não estão determinados.

Dearlove acrescenta que se sente ofendido por os autores da carta sugerirem que o projeto "tem ecos dos tempos coloniais, quando os recursos africano eram explorados". Em termos de exploração, "é exatamente o oposto", diz ele, "é uma tentativa de salvar a espécie".

Hayward não se opõe a que os animais sejam deslocados com objetivos conservacionistas. Ele próprio trabalha num projeto para reintroduzir o bisonte europeu Bison bonasus na Polónia e os esquilos vermelhos Sciurus vulgaris em partes do País de Gales.

Cada vez mais os conservacionistas analisam a possibilidade de deslocar os animais para criar novas ou mais seguras populações, á medida que alterações climáticas e atividades como o abate da floresta ou a caça furtiva perturbam o seu habitat.

Mas Hayward defende que os rinocerontes não deviam ser retirados de África. O valor de um rinoceronte não está apenas no próprio animal mas também na sua ligação á paisagem e ao ambiente do seu ecossistema nativo. Hayward e outros também criticam o projeto por deslocar rinocerontes brancos Ceratotherium simum, que têm uma população global de 20170 indivíduos, em vez do muito mais ameaçado rinoceronte negro Diceros bicornis, de que restam menos de 4880 indivíduos.

Mark Stanley Price, especialista em reintrodução na Unidade de Investigação da Conservação da Vida Selvagem da Universidade de Oxford, Reino Unido, salienta que apesar de os rinocerontes negros estarem mais ameaçados, não é claro se estes animais poderiam ser mantidos na Austrália pois alimentam-se de folhas, ramos e fruta, o que os torna menos capazes de se adaptarem á vegetação local, ao contrários rinocerontes brancos que são generalistas.

Stanley Price acrescenta: “É uma iniciativa interessante, com grandes dificuldades mas será realmente a melhor resposta?" Claro que o debate pode acabar por ser apenas académico pois Dearlove ainda não em todas as autorizações necessárias, apesar de continuar a ter ideia de transportar o primeiro rinoceronte este ano.

 

 

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