2016-06-27

Subject: Cancros infecciosos dos bivalves podem passar para outras espécies

Cancros infecciosos dos bivalves podem passar para outras espécies

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@ Nature/David Iglesias

Algumas ameijoas, mexilhões e outros moluscos bivalves transportam consigo células cancerígenas infecciosas capazes de dar o salto entre indivíduos e que podem mesmo já ter dado o salto entre espécies.

A descoberta, relatada na última edição da revista Nature, significa que os tumores transmissíveis foram agora encontrado em seis organismos e dois são bem conhecidos em mamíferos: o tumor facial que ameaça dizimar os diabos da Tasmânia Sarcophilus harrisii e o cancro venéreo encontrado em cães de todo o mundo.

“Pensávamos que estas coisas acontecem de vez em quando na natureza mas a descoberta que esta situação parece ser relativamente generalizada em bivalves muda essa perspetiva", diz Elizabeth Murchison, bióloga molecular na Universidade de Cambridge, Reino Unido, que estuda os cancros prevalecentes em cães e diabos da Tasmânia. A descoberta de que um cancro pode ultrapassado a barreira da espécies é "chocante", diz ela.

Este último trabalho foi liderado pelo virologista Stephen Goff, da Universidade da Colúmbia em Nova Iorque, cuja equipa descobriu no ano passado o primeiro cancro transmissível em invertebrados, na ameijoa de casca mole Mya arenaria que vive na zona intertidal atlântica norte-americana, desde o Canadá ao sul dos Estados Unidos.

Goff, que estuda cancros causados por vírus, estava em busca da origem de um tipo de leucemia vulgar entre as ameijoas e descobriu que tumores recolhidos de animais em Long Island, Maine e Canadá pareciam ter a mesma sequência genómica. “Fomos forçados a chegar á conclusão que, de alguma maneira, este clone se tinha propagado de animal para a animal nos oceanos acima e abaixo dessa zona da cota", recorda ele.

Após a descoberta, a equipa de Goff conversou com biólogos marinhos para ver se os cancros transmissíveis eram prevalentes noutro moluscos. Em mexilhões Mytilus trossulus da Colúmbia Britânica no Canadá e em conquilhas Cerastoderma edule e ameijoas Polititapes aureus da costa da Galiza, Espanha, a equipa encontrou as mesmas marcas dos cancros transmissíveis: células tumorais de indivíduos diferentes partilhavam os mesmos marcadores genéticos.

Duas linhagens diferentes de células cancerígenas foram encontradas em conquilhas infetadas, o que sugere os cancros transmissíveis surgiram pelo menos duas vezes.

De acordo com a análise genética do DNA do cancro, os tumores das ameijoas galegas parecem ter tido origem noutra espécie de ameijoa que vive no mesmo substrato, as ameijoas Venerupis corrugata.

“Esta é a primeira vez que isto foi observado", diz Goff. Mas, de forma peculiar, a equipa de Goff não encontrou sinais deste cancro na espécie em que se originou. Pode ser que o tumor tenha dizimado completamente os indivíduos vulneráveis da população original da espécie, sugere Goff, e tenha saltado para outra espécie em busca de hospedeiros suscetíveis.

Murchison considera que a propagação do cancro entre indivíduos exige que o tumor escape ao ataque do sistema imunitário e espera que a barreira seja ainda mais elevada entre espécies. As ameijoas têm sistemas imunitários mais primitivos que os mamíferos mas Murchison ainda assim espera que os tumores transmissíveis tenham que ultrapassar algum nível de resistência quando passam dentro e entre espécies.

Outro mistério é a forma como as células cancerígenas saltam de indivíduo para indivíduo: os moluscos são filtradores vorazes e as células cancerígenas a flutuar no oceano entram na circulação e semeiam novas leucemias. As células podem ser libertadas quando os animais morrem mas Goff salienta que as fezes dos moluscos também estão carregadas d células sanguíneas.

 

 

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