2016-06-25

Subject: Infeções revelam desigualdade entre sexos

Infeções revelam desigualdade entre sexos

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@ Nature/Ueslei Marcelino/Reuters

O sistema imunitário dos homens e das mulheres responde de forma muito diferente á infeção e os cientistas estão a aperceber-se disso. Uma investigação apresentada na semana passada num encontro de microbiologia em Boston, Massachusetts, sugere que a diferença pode influenciar a conceção de programas de vacinação e conduzir a tratamentos mais dirigidos.

Indicações de que os homens e as mulheres lidam com infeções de forma diferente já existem há algum tempo. Em 1992, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou apressadamente uma nova vacina contra o sarampo depois desta ter sido associada a um substancial aumento de mortes de raparigas em testes clínicos no Senegal e no Haiti. Ainda não é claro porque razão os rapazes não foram afetados mas o incidente foi um dos primeiros desses exemplos a captar a atenção dos cientistas.

As mulheres podem ter desenvolvido uma resposta imunitária particularmente rápida e forte para proteger os fetos em desenvolvimento e os bebés recém-nascidos, diz Marcus Altfeld, imunologista no Instituto Heinrich Pette de Hamburgo, Alemanha. Mas isso tem um custo: o sistema imunitário pode ter uma reação exagerada e atacar o corpo, o que pode explicar porque as mulheres têm maior tendência para desenvolver doenças autoimunes como a esclerose múltipla ou o lúpus.

No entanto, muito poucos estudos avaliam homens e mulheres separadamente, pelo que qualquer efeito específico de um sexo é mascarado. Muitos testes clínicos incluem apenas homens, ainda por cima, pois o ciclo menstrual e a gravidez podem complicar os resultados: “É uma espécie de verdade inconveniente”, diz Linde Meyaard, imunologista do Centro Médico Universitário Utrecht na Holanda. “As pessoas não querem realmente saber que o que estudam num sexo é diferente do outro.”

Agora, os cientistas estão a começar a perceber alguns mecanismos precisos. No encontro, a investigadora de doenças infecciosas Katie Flanagan, da Universidade da Tasmânia, relatou que uma vacina contra a tuberculose dada a crianças gambianas suprimia a produção de uma proteína anti-inflamatória em raparigas mas não em rapazes. Isto estimulava a resposta imunitária das raparigas e pode ter tornado a vacina mais eficaz.

As hormonas também desempenham um papel: o estrogénio pode ativar as células envolvidas na resposta antiviral e a testosterona suprime a inflamação.

Tratar as células nasais com compostos semelhantes ao estrogénio antes de as expôr ao vírus da gripe revelou mais pistas, diz Sabra Klein, endocrinologista na Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland: apenas as células de fêmeas reagem ás hormonas e combateram o vírus.

Os fatores genéticos também podem guiar a forma como os sexos lidam com a infeção. Meyaard estuda a proteína TLR7, que deteta vírus e ativa as células imunitárias. Codificada por um gene no cromossoma X, a proteína provoca uma  resposta imunitária mais forte nas mulheres que nos homens. Meyaard suspeita que isto se deve ao facto de, de alguma forma, ultrapassar o processo pelo qual um dos 2 cromossomas X das mulheres ser desativado para evitar a expressão excessiva de proteínas.

Um estudo que deve começar ainda este ano deverá ajudar a deslindar a influência relativa de genes e hormonas na infeção. Altfeld irá analisar 40 adultos que se vão sujeitar a operações de mudança de sexo. Se as hormonas femininas são as responsáveis, as mulheres transgénero do estudo deverão começar a criar reações imunitárias mais fortes ás infeções e a desenvolver mais problemas autoimunes que os homens transgénero.

Se esses resultados levarão a mudanças na forma como os medicamentos são administrados é uma questão em aberto. Em 2014, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) americanos anunciaram que os investigadores devem indicar o sexo dos animais usados na investigação pré-clínica. Esforços semelhantes estão em curso na Europa mas um relatório de 2015 do Gabinete Governamental de Responsabilização (GAO) americano descobriu que os NIH fazem um trabalho pobre na aplicação das regras que exigem que os testes clínicos incluam os dois sexos.

De acordo com o GAO, mesmo que os estudos incluam ambos os sexos, os NIH não verificam regularmente se os investigadores avaliam realmente as diferenças entre eles. Klein defende que a recolha desse tipo de dados pode levar a programas mais eficazes, reduzindo a metade as dozes de vacinas para as mulheres, por exemplo. “As pessoas estão a tentar ignorá-lo o mais que puderem", diz Flanagan. “E assim vão ter muitas surpresas.”

 

 

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