2016-06-19

Subject: Variantes genéticas associadas a sucesso escolar

Variantes genéticas associadas a sucesso escolar

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@ Nature/Tim Smith/Panos

O maior estudo genético feito até agora em ciências sociais revelou dúzias de marcadores de DNA associados ao número de anos de educação formal que um indivíduo completa. O trabalho, publicado na revista Nature, analisou material genético de cerca de 300 mil pessoas.

“Isto são boas notícias”, diz Stephen Hsu, físico teórico na Universidade Estadual do Michigan em East Lansing, que estuda a genética da inteligência. “Mostra que se tivermos poder estatístico suficiente podemos encontrar variantes genéticas associadas com a capacidade cognitiva.”

No entanto, os autores do estudo estimam que os 74 marcadores genéticos que encontraram representam apenas 0,43% da contribuição genética total para o sucesso educacional. Por si só, os marcadores não conseguem prever o desempenho de alguém na escola e dado que o trabalho apenas examinou de ancestralidade europeia não é claro se os resultados se aplicam aqueles com raízes noutras regiões, como África ou Ásia.

As descobertas revelaram-se, portanto, divisoras: alguns investigadores esperam que o trabalho ajude estudos de biologia, medicina e política social mas outros consideram que a ênfase na genética obscurece fatores que têm muito maior impacto no sucesso individual, como a saúde, cuidados parentais e qualidade de ensino.

“Os decisores e financiadores devem acabar com este tipo de trabalho”, dizem a antropóloga Anne Buchanan e o antropólogo genético Kenneth Weiss, ambos da Universidade Estadual da Pennsylvania em University Park. “Ganhamos muito pouco que seja útil para a nossa compreensão deste tipo de característica através de uma abordagem genética enorme de indivíduos normais.”

O estudo é o último a aplicar análise genética á ciência social: alguns dos seus autores também estudaram a genética da felicidade e tencionam examinar a genética da fertilidade e do comportamento de risco.

“Tem havido uma assunção há muito tempo de que as diferenças genéticas entre as pessoas não são verdadeiramente relevantes para os estudos sociais”, refere o coautor do estudo Christopher Chabris, psicólogo cognitivo na Union College em Schenectady, Nova Iorque. “O principal efeito deste trabalho pode ser aumentar a compreensão de que as diferenças genéticas importam e que agora as pessoas podem começar a perceber como e porquê.

Robert Plomin, geneticista comportamental no King’s College de Londres, concorda. Os autores do estudo identificaram 9 milhões de variantes genéticas que, como um grupo, têm alguma influência no sucesso escolar. Estas incluem 74 marcadores genéticos que revelam forte influência indiviual. Considerados como parte de um valor poligénico global, as variantes explicam 3,2% das diferenças no sucesso educativo entre indivíduos.

Plomin diz que esses estudos podem abrir caminho a genética preditiva para características como o desempenho de crianças em testes standard.

Ainda assim,os investigadores estimam que uma pessoa que apresente duas cópias da variante genética que tem o efeito conhecido mais forte complete mais nove semanas de escola ao longo da vida que uma pessoa sem nenhuma cópia.

Os autores também relatam que os marcadores que descobriram se sobrepõem aos associados com melhor desempenho em testes cognitivos, reforçando a ideia que o sucesso educativo é um intermediário para a inteligência. Dado que poucos grandes estudos testaram o desempenho cognitivo individual, tem sido difícil discernir fatores genéticos associados à inteligência mas é muito mais simples reunir grande quantidade de dados que tenham suficiente poder estatístico para revelar efeitos genéticos relacionados com o sucesso educativo pois os estudos médicos registam rotineiramente dados sobre os anos de escolaridade dos participantes.

Hsu prevê que o crescente conhecimento da contribuição genética para a inteligência possa ser usado para ajudar os progenitores a selecionar embriões criados por fertilização in vitro: “Pode-se permitir aos progenitores decidir se querem implantar um embrião com sérios problemas cognitivos”, diz Hsu. “O que está a faltar é a capacidade de saber que lugares no genoma estão a afetar a capacidade cognitiva mas estudos como este vão levar-nos a esse ponto.”

Mas mesmo se todos os contributos genéticos para o sucesso educativo forem conhecidos, dizem os autores do estudo, o seu efeito será provavelmente ultrapassado por outros fatores, como o estauto socioeconómico e educacional da família da criança: "Seria irresponsável olhar para uma pontuação poligénica e usá-la para fazer uma predição para um indivíduo", diz Chabris.

 

 

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