2016-06-16

Subject: Medicamentos para animais de estimação desencadeiam explosão de biotecnologia

Medicamentos para animais de estimação desencadeiam explosão de biotecnologia

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@ Nature/Mauro Fermariello/SPL

O pequeno Jonah costumava irradiar dor. O corpo do cão de 12 anos de idade estava curvado e rígido com o esforço que fazia para andar com joelhos danificados mas depois de Kristi Lively (a veterinária de Jonah) o inscrever num teste clínico para um anticorpo terapêutico para a dor, a sua dona voltou ao Centro Veterinário Village de Farragut, Tennessee, com lágrimas nos olhos e o seu cão trotando alegremente a seu lado: “Tenho o meu cão de volta."

Em tempos, este tipo de tratamento de última geração estava reservado a humanos mas nos últimos anos a alteração de postura dos donos de animais de estimação desencadeou uma explosão nas terapias sofisticadas para animais, muitas das quais estão agora a chegar ao mercado.

A companhia que financiou o teste clínico do anticorpo, a Nexvet de Dublin, apresentou os seus resultados no Fórum Americano de Medicina Interna Veterinária em Denver, Colorado, e outras companhias estão a trabalhar em transplantes de medula óssea, terapias celulares sofisticadas e vacinas contra o cancro.

“Quando era criança e queria ser veterinária certamente não podia imaginar que estaria a fazer o que faço agora”, diz Heather Wilson-Robles, oncologista veterinária na Universidade Texas A&M em College Station, que está a manipular células imunitárias caninas para combater o cancro.

Cancro, artrite e outras doenças associadas á idade avança estão a tornar-se mais comuns á medida que os animais de estimação vivem mais tempo, graças em parte ao melhor tratamento que recebem dos seus donos. “Há uma geração, por muito amado que o Snoopy fosse, ele vivia no quintal numa casota", diz Steven St. Peter, presidente da Aratana Therapeutics, uma companhia de terapias para animais de estimação de Leawood, Kansas. Agora, os animais de estimação são considerados membros da família, partilhando a cama com donos dispostos a pagar gordas contas de veterinário.

Muitos tratamentos veterinários standard são medicamentos humanos dados em doses inferiores para ter em conta o tamanho inferior dos animais mas os anticorpos e as terapias celulares normalmente não podem ser usadas em espécies diferentes sem que desencadeiem respostas imunitárias indesejadas. Alguns tratamentos humanos, para além disso, simplesmente não funcionam em animais de estimação: muitos medicamentos vulgares para a dor são tóxicos para os gatos, por exemplo.

A Nexvet, que angariou mais de US$80 milhões de investidores desde a sua fundação em 2011, pega em anticorpos que foram aprovados como medicamentos humanos e altera as suas estruturas de forma a serem eficazes em gatos ou cães. Passar de uma pista para um medicamento a testes de segurança demora cerca de 18 meses, diz o executivo-chefe da empresa Mark Heffernan, que estima que as terapias para dor com anticorpos da Nexvet custarão cerca de $1500 por ano. A companhia está agora a desenvolver anticorpos que bloqueiem a proteína PD-1, permitindo ao sistema imunitário combater o cancro. Esta abordagem revelou enorme promessa no tratamento do cancro em humanos.

A Aratana também está a desenvolver terapias com anticorpos para animais de estimação e candidatou-se a aprovação para uma vacina contra o cancro que usa bactérias para atacar células malignas. A companhia espera passar ás terapias celulares e desenvolver uma forma de fabricar células estaminais a partir de gordura para serem usadas contra as dores articulares. St. Peter quer que a sua companhia seja a primeira a obter a aprovação da Administração americana da Alimentação e Medicamentos (FDA) para uma terapia por células estaminais, antes de companhias que estão a desenvolver esse tipo de tratamento para humanos.

Outras formas de terapia celular também podem originar novos medicamentos veterinários. Em Julho passado, a oncologista veterinária Colleen O’Connor fundou uma companhia de tratamento do cancro em Houston, Texas, chamada CAVU Biotherapies.

Para tratar o linfoma, a CAVU tenciona isolar as células imunitárias de um cão doente, rejuvenesce-las em cultura e voltar a infundi-las no sangue do cão para estimular a resposta imunitária. O’Connor usou uma abordagem semelhante em 2011 para tratar Dakota, um bichon frisé pertencente ao então senador americano Kent Conrad (democrata pelo Dakota do Norte). O cão, conhecido em Capitol Hill como o 101º senador, entrou em remissão na altura mas posteriormente morreu mesmo de cancro.

Para muitos donos de animais de estimação, os custos não são um problema. Steven Suter, oncologista veterinário na Universidade Estadual da Carolina do Norte em Raleigh, tem uma clínica de transplantes de medula óssea para cães que apregoa curar 33% dos linfomas.

A clínica de Suter está sempre apinhada desde que abriu em 2008, apesar dos seus tratamentos custarem aos donos até $24000. Ainda assim, Suter tem trabalhado para baixar os custos dos tratamentos: para filtrar células estaminais de sangue a sua clínica usa máquinas em segunda mão doadas por um médico com um fraquinho por cães schnauzer.

Mas quando se trata dos mais recentes tratamentos para animais de estimação, alguns animais podem ser mais iguais que outros. Os gatos são “fisiologicamente cheios de nove horas”, diz  Suter, salientando que eles podem ser demasiado pequenos para permitir transplantes de medula óssea com as suas máquinas habituais. O’Connor refere que o sistema imunitário dos gatos também é muito diferente do dos humanos e dos cães, o que significa que é preciso mais investigação base terá que ser feita antes de se puder usar imunoterapias sofisticadas nas maleitas felinas.

Na clínica de Lively muitos donos de cães e gatos ficaram gratos por os seus animais puderem participar nos testes clínicos da Nexvet mas cerca de um mês após o fim do teste os efeitos da terapia por anticorpos começaram a desvanecer-se: a dona de Jonah foi uma das clientes que telefonou a Lively, desesperada para ter novamente acesso ao tratamento mas todos terão que esperar que o produto chegue ao mercado.

 

 

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