2016-06-12

Subject: Ao fim de uma década de buscas encontrados parentes do Hobbit

Ao fim de uma década de buscas encontrados parentes do Hobbit

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@ Nature/Achmad Ibrahim/AP

Mais de uma década depois da descoberta de um minúsculo parente dos humanos modernos que em tempos viveu na ilha indonésia de Flores, Gerrit van den Bergh começava a perder a esperança de encontrar pistas dos ancestrais do Hobbit. Estava-se em Outubro de 2014 e há quatro anos que coliderava a escavação á escala industrial da zona perto da caverna onde o esqueleto com um metro de altura tinha sido encontrado. Mas então, semanas antes de encerrar a época, um trabalhador local encontrou um molar com 700 mil anos, seguido de mais dentes e de parte de um maxilar.

“Tínhamos perdido a esperança de encontrar alguma coisa e de repente ‘bingo!’”, recorda van den Bergh, paleontólogo da Universidade de Wollongong, Austrália. “Fizémos uma festa enorme, com uma vaca no churrasco e danças, foi maravilhoso."

O maxilar invulgarmente pequeno e os dentes pertencem a, pelo menos, um adulto e duas crianças, os primeiros possíveis ancestrais do Homo floresiensis a serem descobertos, e assemelham-se aos vestígios de Hobbit encontrados na ilha, que têm entre 60 e 100 mil anos.

O maxilar e os dentes têm relação com duas questões que têm escapado ao estudo da espécie, d onde veio e como ficou tão pequena? Mas como sempre tem sido nas questões relacionadas com o Hobbit, há pouco concenso entre os investigadores, que consideram serem precisos mais fósseis para tirar conclusões.

A descoberta do Hobbit em 2003 na caverna de Liang Bua, pela equipa do falecido Mike Morwood, foi uma sensação instantânea mas o seu lugar na árvore filogenética humana tem sido contestada. A equipa de Morwood propôs que seria um Homo erectus encolhido, a mesma espécie que provavlemente evoluiu para Homo sapiens em África e chegou á Europa e Ásia. Outros cientistas que examinaram as características do H. floresiensis, como os seus pés longos e chatos, pensam que terá descendido de um humano menor e mais primitivo, como o Homo habilis ou mesmo o Australopithecus, conhecidos apenas a partir de vestígios na África subsaariana.

Em busca dos ancestrais do Hobbit, em 2004, a equipa de Morwood voltou ao local a 74 km de Liang Bua chamado Mata Menge, onde ossos de elefante e ferramentas tinham sido encontrados na década de 1960. A escavação começou pequena mas em 2010 a equipa aumentou: Bulldozers aplanaram uma área de 2 mil metros quadrados e mais de 100 habitantes locais escavaram durante 6 dias por semana. Descobriram cetenas de ferramentas de pedra, milhares de fósseis de crocodilos, ratos e dragões do Komodo, mas nada de ossos de hominídeos.

Por essa altura já com cancro da próstata avançado, Morwood visitou a zona pela última vez em 2012. “Ele fez um grande esforço para caminhar pelo local, percebíamos que tinha dores", recorda van den Bergh. “Ele aumentou a pressão para escavar mais e mais rapidamente, queria mesmo encontrá-los."

Morwood, que morreu em 2013, antes de os dentes e o osso do maxilar serem encontrados, é um dos autores dos artigos agora publicados na revista Nature, coliderados por cientistas japoneses, australianos e indonésios.

A equipa conclui que o maxilar escavado em Mata Menge é de um adulto (os dentes do siso tinham nascido) ainda menor que o Hobbit, e dois caninos são dentes de leite de duas crianças diferentes. O fino maxilar parece-se mais com o do H. erectus e o do H. floresiensis do que os maxilares mais fortes dos hominídeos mais primitivos como o H. habilis.

Os dentes quadrados são intermédios entre H. erectus e H. floresiensis. Um dos dentes e a rocha em seu redor levaram a equipa a estimar que os vestígios teriam cerca de 700 mil anos de idade. Os artefactos mais antigos na região, entretanto, sugerem que um grupo de Homo erectus chegou a Flores há cerca de um milhão de anos, diz van den Bergh.

Ele salienta que os vestígios apontam para H. erectus de dimensão normal como o ancestral mais provável do Hobbit e propõe que este se tornou anão em apenas algumas centenas de milhares de anos para lidar com os parcos recursos de Flores. Elefantes e outros animais de grande porte tornam-se anões ao longo do tempo para compensar a falta de alimento típica das ilhas e os veados vermelhos da ilha de Jersey no canal da Mancha ficaram com um sexto do seu tamanho original em apenas 6 mil anos, diz van den Bergh.

Tanto Fred Spoor, paleontólogo na University College de Londres, como o paleoantropólogo Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres, concordam que o H. erectus é agora quem melhor encaixa no papel de ancestral do Hobbit, apesar de Stringer não ter a certeza de o processo de redução de tamanho ter acontecido em Flores. É igualmente provável que o Hobit tenha emergido noutra ilha, como Sulawesi, e depois se tenha deslocado para Flores.

Mas William Jungers, paleoantropólogo na Universidade Stony Brook em Nova Iorque, diz que os fósseis não estão suficientemente completos para favorecerem a origem H. erectus: “Não acredito que estes escassos espécimes dentários esclareçam, para um lado ou para outro, qual das hipóteses em competição para a origem da espécie.”

Um pequeno rio que desce uma colina depositou o arenito em que os dentes e maxilar foram encontrados e van den Bergh espera que mais vestígios de hominídeos aí sejam encontrados. Os seus colegas, entretanto, encontraram ferrametas de pedra em Sulawesi, a norte de Flores. Por uma vez, a perspectiva de mais Hobbits serem encontrados não parece tão desesperada.

 

 

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