2016-06-11

Subject: Mutações genéticas de propagação rápida são risco ecológico

Mutações genéticas de propagação rápida são risco ecológico

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@ Nature/Marvin Recinos/AFP/Getty

A técnica que permite que certos genes se propaguem rapidamente pelas populações ainda não está pronta para ser usada na natureza, alerta um comité convocado pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos.

Num relatório agora conhecido, o comité defende que esses 'veículos genéticos' apresentam riscos ecológicos complexos que ainda não são completamente compreendidos: “Não estão prontos, nós não estamos prontos, para qualquer tipo de libertação”, diz Elizabeth Heitman, co-presidente do comité e professora de integridade na investigação na Faculdade de Medicina da Universidade Vanderbilt em Nashville, Tennessee. “Há muito trabalho que precisa de ser feito."

Ainda assim, Heitman e outros membros do comité consideraram que o potencial dos veículos genéticos, por exemplo no combate a doenças transmitidas por insetos, é suficientemente importante para que lhe sejam concedidos mais estudos laboratoriais e de campo.

Os veículos genéticos têm vindo a ser estudados há mais de meio século e há muito que se postula que serão a forma de erradicar doenças transmitidas por mosquitos, como a malária. Mas o campo de investigação tem sido atrasado por desafios técnicos até ao recente advento de ferramentas sofisticadas (e fáceis de usar) de manipulação do genoma. Nos últimos dois anos, os investigadores usaram a popular técnica de edição genética CRISPR-Cas9 para desenvolver veículos genéticos que conduzem a propagação de um dado gene numa população exponencialmente mais rápido do que o normal em leveduras, moscas-da-fruta e duas espécies de mosquitos.

Mas á medida que a investigação da biologia molecular em veículos genéticos avançava, ultrapassou a nossa compreensão das suas consequências ecológicas, diz Heitman. Mesmo uma pequena libertação acidental de um laboratório tem o potencial para se espalhar por todo o globo: “Após a libertação para o ambiente, um veículo genético não conhece fronteiras políticas", escreve o comité.

Em resultado disso, a supervisão dos projetos sobre veículos genéticos deve ser coordenada por vários países, defende o comité, e as melhores práticas devem ser partilhadas abertamente entre os laboratórios. O comité também detalhou múltiplas fases de testes que deverão ser usadas para avaliar os efeitos de um veículo genético e salientou a necessidade de envolver as instituições, os reguladores e mesmo o público na tomada de decisões.

Globalmente, é uma boa estratégia, refere Todd Kuiken, que estuda política de ciência no Centro Escolástico Internacional Wilson, de Washington DC. Mas o comité perdeu uma oportunidade para estabelecer a infra-estrutura e as medidas de segurança que seriam necessárias para conduzir testes de campo com veículos genéticos, acrescenta ele: "Não falam de como se faria isso, nem de onde virá o dinheiro."

Um veículo genético pode ter efeitos não pretendidos no ambiente se for libertado em populações selvagens: a remoção de uma espécie de inseto, por exemplo, pode ameaçar os animais que dele se alimentam. Dado este risco, o relatório também salienta a importância de sobrepor múltiplos métodos de contenção para prevenir uma libertação acidental das espécies modificadas e a realização de consultas públicas antes da realização das experiências laboratoriais com veículos genéticos.

Esta é uma mensagem que o engenheiro evolutivo Kevin Esvelt teme não ser suficientemente forte para os investigadores individuais: “Se aceitares que há o risco de o construíres no laboratório poder levar á sua libertação então isso exige que digas ao mundo o que estás a pensar fazer antes de realizares as experiências", diz Esvelt, do Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge.

Heitman faz notar que os investigadores não têm formas tentadas e testadas de solicitar opinião do público em geral sobre o seu trabalho. Para Esvelt, a maior barreira é a cultura científica que desencoraja os investigadores de partilhar as suas experiências antes de serem publicadas, temendo ser batidos por outro grupo: “Ninguém racionalmente conceberia os atuais empreendimentos científicos, neste momento é mais fácil modificar a biologia do que a cultura.”

 

 

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