2016-06-09

Subject: Genomas antigos sugerem dupla origem para os cães modernos

Genomas antigos sugerem dupla origem para os cães modernos

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@ Nature/Pete Ryan/NGC

Os lobos deram origem aos cães não uma mas duas vezes, sugere um estudo recentemente publicado na revista Science. As descobertas, baseadas em análises genéticas de cães antigos e modernos e lobos, trouxeram uma reviravolta ao já longo debate sobre a origem dos cães domésticos.

Estudos anteriores do DNA canino sugeriram que os animais foram domesticados uma vez há pelo menos 10 mil anos (ou talvez há 40 mil anos) mas discordam sobre se isso aconteceu na Ásia (central ou de leste) ou na Europa.

Este último estudo é a análise mais abrangente à data do genoma de cães antigos: “A motivação deste estudo foi compreender onde e quando os cães surgiram primeiro”, diz o coautor Laurent Frantz, geneticista evolutivo na Universidade de Oxford, Reino Unido.

Frantz e a sua equipa descodificaram as sequências de DNA mitocondrial de 59 cães europeus antigos que viveram de há 3 a 14 mil anos. A equipa também sequenciou o genoma completo de um cão com 4800 anos, encontrado nos túmulos de uma colónia humana conhecida por Newgrange, na Irlanda. Seguidamente, os cientistas comparam estes genomas antigos com os de centenas de lobos e de cães modernos, incluindo rafeiros e 48 raças, de Samoyedos a Shar Peis, da Eurásia ocidental e do leste asiático.

A análise filogenética dos investigadores revelou dois pontos de divergência nas sequências dos cães. Tal como se esperava, o mais recente separou os cães-lobo de Saarloos modernos das outras raças pois estes foram criados na década de 1930 reproduzindo cães pastores-alemães com lobos em cativeiro.

Mais intrigante foi uma divergência anterior que separou os cães do leste asiático dos da Eurásia ocidental, há cerca de 14 mil a 6400 anos. Esta divergência ocorreu vários milénios após o surgimento pela primeira vez dos cães na Europa e na Ásia oriental, dizem os autores. As raças modernas como os Huskies ou os cães de trenó da Groenlândia têm ancestrais de ambas as regiões.

Os cientistas colocam a hipótese de esta divergência se dever a dois eventos distintos de domesticação de populações de lobo selvagens: “Não é conclusivo ainda, precisamos de mais informação”, diz Frantz. “Mas a combinação de genética e arqueologia aponta para uma origem dupla dos cães domésticos."

Um argumento que apoia a hipótese da equipa é a falta de evidências arqueológicas de cães antigos entre a Eurásia ocidental e a a Ásia oriental. É possível que os cães tenham vindo com as pessoas da Ásia para a Europa e que esses cães tenham acabado por eliminar e substituir a espécie mais antiga, diz Frantz.

Adam Boyko, geneticista na Faculdade de Veterinária da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, não está convencido de que o cão seja um exemplo de dupla domesticação mas aceita que se trata de uma "hipótese intrigante". Para testar a teoria, ele considera que os cientistas precisariam de reunir e sequenciar mais DNA dos primeiros cães, tal o espécime de Newgrange.

À medida que os cientistas continuam a sequenciar genomas antigos, esperam perceber finalmente a origem dos cães. O espécime de Newgrange fornece outro ponto nos dados para futuros estudos genéticos, diz Pontus Skoglund, geneticista na Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, Massachusetts: “Serão tempos muito entusiasmantes, os próximos."

Ele salienta que aprender mais sobre a evolução do cão moderno também fornece uma janela para o passado humano. Antes de terem quintas e agricultura, as pessoas já tinham cães: “É interessante porque é uma das primeiras grandes inovações culturais humanas”, diz Skoglund. “Diz-nos muito sobre a capacidade cultural dos primeiros humanos.”

 

 

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