2016-06-03

Subject: Plano para sintetizar genoma humano provoca reações opostas

Plano para sintetizar genoma humano provoca reações opostas

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@ Nature/Gen9

Propostas para uma grande iniciativa público-privada para sintetizar um genoma humano completo a partir do zero, um empreendimento que pode levar uma década e exigir mil milhões de dólares para desenvolvimento tecnológico, foram formalmente reveladas, um mês depois de terem surgido pela primeira vez num encontro secreto.

Os proponentes do empreendimento, que se apresentam como Human Genome Project-write (HGP-write), escrevem na revista Science que $100 milhões de um leque variado de fontes de financiamento ajudaria a tirar a sua visão do papel. A equipa é liderada pelo biólogo sintético Jef Boeke, da Universidade de Nova Iorque, pelo perito em genomas George Church, da Faculdade de Medicina de Harvard em Boston, e por Andrew Hessel, futurista no estúdio de design comercial Autodesk Research em San Rafael, Califórnia.

Mas a ideia, que tem como objetivo primário desenvolver tecnologias que reduzam o custo da síntese de DNA, não foi recebida com o mesmo entusiasmo por todos os investigadores.

Para alguns, a proposta é louvável pela sua ambição: atualmente apenas minúsculos genomas bacterianos e partes do genoma do fermento de padeiro foram criados a partir do zero. Mas outros consideram que a HGP-write representa uma centralização desnecessária de trabalho que já está em curso em companhias que trabalham com preços inferiores para a síntese de segmentos de DNA. Alguns dos proponentes do HGP-write têm interesses financeiros nessas companhias, que incluem a Gen9 de Cambridge, Massachusetts.

“O meu primeiro pensamento foi ‘e depois?’”, diz Martin Fussenegger, biólogo sintético no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, Suíça. “Pessoalmente penso que isso irá acontecer naturalmente, é apenas uma questão de tempo."

Outros ainda pensam que o projeto devia ser adiado até que os seus líderes obtenham um maior apoio para a ideia de sintetizar o genoma humano. O biólogo sintético Drew Endy, da Universidade de Stanford, Califórnia, e a erudita religiosa Laurie Zoloth, da Universidade Northwestern de Evanston, Illinois, dizem que a equipa HGP-write não justificou devidamente as suas intenções e o projeto devia ser abandonado: “Ainda estamos à espera de um debate público sério com uma maior participação."

Endy e Zoloth já tinham questionado o racional científico para a síntese do genoma humano em Maio, quando HGP-write foi ventilado num encontro por convite na Universidade de Harvard, onde estiveram presentes mais de 100 cientistas, empreendedores, advogados e peritos em ética. A natureza restrita do encontro também provocou críticas: Church referiu á Stat isso se devia ao artigo que descrevia o empreendimento estar embargado.

O anúncio agora conhecido do HGP-write dá alguns detalhes mais: salienta que as tecnologias atuais são dispendiosas e demasiado primitivas para sintetizar os 3 mil milhões de pares de bases do genoma humano. A equipa apela á criação de uma série de projetos-piloto, como a síntese de segmentos menores do genoma e a criação de cromossomas para tarefas específicas, para tornar a situação exequível. Todo o projeto deve exigir menos de $3 mil milhões (o preço do Projeto do Genoma Humano, publicamente financiado), dizem eles.

“Acho que é um projeto brilhante”, diz Paul Fremont, biólogo sintético no Imperial College de Londres, que esteve presente no encontro. “Se queremos fazer isto, será algo á mesma escala do Projeto do Genoma Humano, vai precisar de grandes financiadores e centenas e centenas de investigadores em todo o mundo.”

Ellis e outros preocupam-se com a possibilidade de um projeto centralizado explicitamente focado na construção de uma versão sintética do genoma humano, em vez de muitos tipos de genomas, pode afunilar os produtos do empreendimento mas Boeke, que em 2014 relatou ter sintetizado um cromossoma de levedura com 270 mil pares de bases, afasta essa objeção. Ele vê o HGP-write a produzir genomas sintéticos de rato, microrganismos e muitos outros não humanos.

A síntese de DNA mais económica não é o único obstáculo á escrita de um genoma humano. Ellis diz que não existem métodos de inserção de grandes segmentos de DNA numa célula de mamífero e faze-los funcionar normalmente, para além de os investigadores terem poucas pistas sobre como conceber um genoma complexo com pouco mais do que alterações triviais a um já existente.

Fremont preocupa-se com os interesses comerciais, como os das companhias de síntese de DNA, que podem apoderar-se do projeto: “Penso que seria bom que fosse uma iniciativa com fundos públicos."

Boeke preferia que não houvesse restrições á propriedade intelectual sobre os produtos do HGP-write, como foi no caso do projeto de síntese do genoma sintético de levedura mas considera que “há grandes probabilidades de os direitos serem dados ás companhias para que as coisas avancem".

Ele refere ainda que as células sintéticas serão modificadas de forma a que a sua reprodução seja impossível: “Não estamos a tentar criar um exército de clones ou começar uma nova era de eugenia."

 

 

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