2016-05-09

Subject: Insetos transgénicos não estão prontos para a ribalta

Insetos transgénicos não estão prontos para a ribalta

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@ Nature/Paulo Whitaker/Reuters

A companhia inglesa de biotecnologia Oxitec espera há dois anos por autorização para vender mosquitos geneticamente modificados para serem usados na batalha contra o Dengue no Brasil mas agora ficou a saber que terá que esperam ainda mais antes de o puder fazer.

Depois de aceso debate, a agência reguladora da saúde brasileira, ANVISA. declarou que classificava os mosquitos da Oxitec como nova tecnologia médica. A ANVISA está agora a criar um quadro legal que pode abrir caminho á libertação comercial de insetos GM. Para que isso aconteça, pretende que a Oxitec demonstre que a sua tecnologia é segura e que pode reduzir a transmissão de vírus de que são vetores.

Os mosquitos Aedes aegypti da Oxitec contêm um gene que leva a que a sua descendência morra jovem logo a libertação de milhões de mosquitos GM macho, espera a companhia, levar a colapsos populacionais do mosquito selvagem que transmite o Dengue e o Zika. A técnica não é a única proposta para reduzir as populações, no entanto, outras incluem a libertação de mosquitos infetados com uma bactéria que impede o vírus do Dengue de se replicar.

A companhia refere que já demonstrou que os insetos são seguros e que a sua libertação pode levar ao declínio das populações de A. aegypti  mas ainda não publicou evidências de que isso reduza decididamente a doença.

As evidências da Oxitec resultam de testes de campo feitos no Brasil e noutros países. Em 2014, a entidade brasileira responsável pela biossegurança, a CTNBio, responsável pela regulação dos OGM e aprovação dos testes brasileiros, considerou os mosquitos seguros para libertação comercial.

Desde que essa decisão foi tomada, tem crescido o clamor para que os mosquitos sejam libertados tem crescido. O recente surto de Zika veio aumentar o apoio destas novas armas contra o seu portador, o A. aegypti, mas alguns cientistas e ambientalistas defendem que a segurança ambiental do mosquito GM não é certa.

A Oxitec considera que a decisão da ANVISA os coloca m terreno mais firme pois a agência concedeu uma licença temporária para a fazer testes de investigação: "O importante é que as coisas estão a andar novamente", diz Glen Slade, chefe de desenvolvimento de negócios da companhia no Brasil.

No ano passado, a companhia publicou um artigo mostrando que a libertação dos mosquito GM num subúrbio de Juazeiro, estado da Baía, podia, pelo menos durante uma estação, reduzir a população de A. aegypti selvagens em 90%. Defendem que uma libertação sustentada de insetos transgénicos “seria provavelmente suficiente para impedir uma epidemia de Dengue na localidade testada”.

Pedro António de Mello, secretário municipal de saúde em Piracicaba no estado de São Paulo, refere que um teste semelhante realizado pela Oxitec na sua cidade forneceu evidências concretas de uma redução de casos de Dengue, apesar de estes dados ainda não terem sido publicados. Num pequeno bairro com 5 mil pessoas de Piracicaba em que os mosquitos GM foram libertados, os casos confirmados de Dengue caíram de 132 em 2014–15 para apenas 4 em 2015–16 até agora.

Um novo lote de mosquitos GM vai ser libertado em Piracicaba nas próximas semanas, agora numa zona mais populosa. Outras cidades do nordeste brasileiro também deverão receber mosquitos transgénicos em breve, disse Slade mas sem revelar quais.

A Oxitec está nos primeiros estádios do planeamento de um estudo que poderá provar que os mosquitos GM reduzem a transmissão viral mas pode ser um "empreendimento de muitos milhões de dólares" que leve vários anos, diz Simon Warner, cientista chefe da companhia. A ideia será escolher múltiplos locais de testes e realizar a intervenção com mosquitos em metade deles. Monitorizando as infeções de Dengue ou Zika com testes ao sangue pode ser possível mostrar se as zonas alvo revelam uma redução significativa das doenças. Warner está a trabalhar na conceção do teste mas ainda não há prazos definidos.

Mesmo que se possa provar que os mosquitos transgénicos reduzem as infeções de Dengue e Zika, é possível que a seleção natural reduza a sua eficácia. As fêmeas podem passar a preferir os machos selvagens de A. aegypti, impedindo que a linhagem atualmente mais desenvolvida de insetos GM, a OX513A, de se espalhar na natureza.

“É difícil dizer se esta linhagem vai resolver o problema de vez”, diz Margareth Capurro-Guimarães, bióloga molecular na Universidade de São Paulo, que fez parte da equipa que libertou mosquitos nos primeiros testes da Oxitec. “Precisamos de continuar a trabalhar para criar linhagens melhores, temos um alvo em movimento.”

 

 

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