2016-05-08

Subject: Medicamento veterinário ameaça milhares de abutres

Medicamento veterinário ameaça milhares de abutres

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@ Nature/Emili V. López/Getty

Um medicamento veterinário acusado de conduzir os abutres indianos ao limiar da extinção pode vir a causar milhares de mortes de aves de rapina agora que está a ser usado em Espanha.

Os investigadores manifestaram preocupação com a utilização do medicamento anti-inflamatório diclofenac no gado desde que foi aprovado para uso veterinário em Espanha em 2013, pois o medicamento é tóxico para os abutres que poderão consumi-lo através de vacas mortas. Agora, um modelo desenvolvido por Rhys Green, perito em conservação na Universidade de Cambridge, Reino Unido, sugere que o medicamento pode conduzir ao declínio da população espanhola de grifos Gyps fulvus em 1 a 8% por ano. O trabalho foi publicado na última edição da revista Journal of Applied Ecology.

“Podemos comparar a situação a um macabro jogo de ruleta russa”, diz ele, “em média, os abutres comem a cada três dias, ou seja, 120 dias por ano e 120 vezes que carregam no gatilho.”

A utilização generalizada do diclofenac no gado do sul da Ásia foi associado à morte de milhões de abutres que comiam as carcaças contendo o medicamento, levando a que algumas populações sofressem declínios de mais de 99% desde a década de 1990. Apesar de o diclofenac ainda não ter causado declínios populacionais nos abutres europeus, os cientistas suspeitam que se trate apenas de uma questão de tempo.

Como os abutres congregam-se para se alimentar, Green diz que mesmo com poucas carcaças a conter o medicamento podem ocorrer danos sérios para a população. Juntamente com Antoni Margalida, da Universidade de Lleida, e outros colegas, ele está, por isso, a apelar à proibição do medicamento veterinário a favor da sua alternativa meloxicam, que é menos tóxica para os abutres.

O diclofenac é tóxico para os abutres mesmo em pequenas doses, provocando falência renal. Isso resulta na acunulação de ácido úrico no sangue e cristalização em redor dos seus órgãos internos, uma doença conhecida como gota visceral.

Os países do subcontinente indiano começaram a banir o diclofenac em 2006 e desde então as populações de abutres na região parecem ter alterado a sua tendência vertiginosa de queda.

Na Europa, o diclofenac foi aprovado para uso veterinário desde 1993, ainda que em 2014 a Agência Europeia do Medicamento (AEM) tenha reconhecido que os abutres estão em risco de consumir resíduos do medicamento em gado morto mas não recomendou a sua proibição. Em 2015 a Comissão Europeia decidiu seguir a recomendação da AEM e deixar aos estados membros impedir que as carcaças carregadas de diclofenac entrem na cadeia alimentar

Mas em 2012, um abutre morto descoberto em Espanha revelou altos níveis de um medicamento semelhante, flunixina, indicando que “outro medicamento anti-inflamatório não esteróide usado em Espanha, que não devia ter penetrado na cadeia alimentar dos abutres, penetrou, neste caos”, diz Green.

Desde então, o toxicólogo Rafael Mateo Soria, da Universidade de Castilla-La Mancha, refere ter havido pelo menos mais dois envenenamentos de abutres em Espanha com flunixina. Por isso, quando se trata de diclofenac e abutres, “está-se a brincar com o fogo”, diz ele.

A agência do medicamento espanhola, AEMPS, e o seu ministério da agricultura, MAGRAMA, já antes tinham modelado a mortalidade anual de abutres devida ao envenenamento por diclofenac e estimaram que 15 a 39 aves poderiam morrer por ano.

Os declínios populacionais calculados por Green, 715 a 6389 mortes de aves por ano, são significativamente mais preocupantes. Ele usou os mesmos números de carcaças medicadas que o MAGRAMA e a AEMPS propunham que os abutres pudessem comer mas permitiram uma maior incerteza sobre a dose fatal de diclofenac. Uma mortandade nesta escala pode conduzir as populações à extinção.

“A realidade é que tenho 100% de certezas de que não há modelos que façam previsões perfeitas”, diz Todd Katzner, biólogo da vida selvagem no US Geological Survey. “Ao mesmo tempo, penso que este modelo é muito útil em termos de compreensão da biologia da situação.”

 

 

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