2016-04-22

Subject: Mortífera doença animal de priões surge na Europa

Mortífera doença animal de priões surge na Europa

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@ Nature/Wild Wonders of Europe/Munier/Nature Picture Library

Uma doença cerebral altamente mortífera e contagiosa foi detetada pela primeira vez na Europa. Os cientistas estão agora a alertar para o facto de o único caso identificado em renas selvagens poder representar uma infeção generalizada ainda não reconhecida.

A Doença da Debilidade Crónica (DDC) era considerada restrita a veados, uapitis Cervus canadensis e alces Alces alces na América do Norte e na Coreia do Sul mas investigadores vieram agora anunciar que a doença foi descoberta em renas Rangifer tarandus tarandus selvagens na Noruega. Esta é a primeira vez que a DDC aparece na Europa e também a primeira vez que foi detetada nesta espécie na natureza.

“É preocupante, especialmente pelos animais pois é uma doença muito perturbadora”, diz Sylvie Benestad, investigadora de doenças animais no Instituto Veterinário Norueguês em Oslo, que, com a sua colega Turid Vikøren, diagnosticou a rena doente.

A questão crucial agora é perceber se este é um caso raro, quem sabe único, ou se a doença é generalizada mas tem passado despercebida na Europa.

“Se é semelhante à doença de priões que existe nos Estados Unidos e Canadá é muito subtil e seria muito fácil não nos apercebermos dela”, diz Christina Sigurdson, patologista na Universidade da Califórnia, San Diego, que mostrou que as renas podem contrair a DDC em ambiente laboratorial.

Tal como a encefalopatia espongiforme bovina (conhecida por doença das vacas loucas) e a sua variante humana doença de Creutzfeldt-Jakob, a DDC surge quando proteínas celulares chamadas priões adoptam formas anormais, induzindo proteínas vizinhas saudáveis a fazer o mesmo. As proteínas com conformação errada agregam-se no cérebro e por vezes noutros tecidos, levando a perda de peso, problemas de coordenação e alterações de comportamento. Não existe cura ou vacina e, tanto quanto os cientistas sabem, a DDC é sempre fatal.

Apesar de, tanto quanto se sabe, não ser transmissível a humanos, é altamente contagiosa em veados, alces e outros cervídeos, que libertam priões mal conformados infecciosos pela saliva, urina e fezes. Os animais infetados com DDC já foram encontrados em mais de 20 estados americanos e 2 províncias canadianas. A doença também foi detetada em animais em cativeiro na Coreia do Sul, que importou a DDC com um carregamento de alces vivos levados para o país no final da década de 1990.

A rena norueguesa infetada acabou na mesa de necrópsias de Vikøren graças aos cientistas do Instituto Norueguês de Investigação da Natureza de Trondheim.

Eles encontraram-na quando usavam um helicóptero para para seguir uma manada de animais não domésticos da população Nordfjella, nas regiões alpinas do sul do país. O seu objectivo era capturar renas fêmeas adultas e colocar-lhes um emissor de satélite mas quando aterraram descobriram um animal doente que não se conseguia mover e rapidamente morreu.

Durante a necrópsia, Benestad realizou testes de rotina de busca de proteínas mal conformadas mas 3 testes diferentes baseados em anticorpos confirmaram a presença de priões.

“Fiquei muito amedrontada”, recorda Benestad. Durante a sua longa carreira como investigadora de priões ele tem ouvido os cientistas americanos e canadianos discutir a DDC, como é contagiosa e como tem sido difícil controlá-la.

É um mistério de que forma esta doença terá chegado ao alto de uma montanha norueguesa mas Benestad e Vikøren pensam que é improvável ter sido importada. Suspeitam que tenha surgido espontaneamente ou ultrapassado a barreira entre espécies a partir de uma doença priónica das ovelhas conhecida por paraplexia enzoótica dos ovinos ou scrapie, apesar desse salto nunca ter sido observado.

“A questão do $64 mil é qual é a origem deste caso de DDC na Europa”, diz Glenn Telling, investigador de doenças de priões na Universidade Estadual do Colorado em Fort Collins. “O que sabemos é que uma vez a DDC detetada em novas localizações tipicamente instala-se e é muito difícil de erradicar.”

 

 

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