2016-04-10

Subject: Segunda equipa chinesa relata edição genética em embriões humanos

Segunda equipa chinesa relata edição genética em embriões humanos

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@ Nature/Yorgos Nikas/SPL

Investigadores chineses relataram ter editado genes em embriões humanos com o objetivo de os tornar resistentes à infeção por HIV. O seu artigo, onde se descreve a utilização das ferramentas de edição CRISPR em embriões não viáveis que foram destruídos após 3 dias, é apenas a segunda publiação onde se alega edição genética em embriões humanos.

Em Abril de 2015, outra equipa chinesa anunciou ter modificado um gene associado a uma doença do sangue em embriões humanos (que também não eram viáveis e não podiam ter originado um nascimento vivo). Esse artigo, o primeiro no mundo, alimentou discussões globais sobre a ética da modificação de embriões e células reprodutivas humanas e conduziu a apelos a uma moratória mesmo a investigações de prova do princípio.

Na altura, havia rumores de que outras equipas tinham realizado esperiências semelhantes e várias fontes diziam que um punhado de artigos tinham sido submetidos para publicação. Este artigo mais recente, publicado na revista Journal of Assisted Reproduction and Genetics, pode ser um desses mas o seu autor Yong Fan, especialista em células estaminais, não fez comentários.

No artigo, Fan, que trabalhou na Universidade Médica de Guangzhou, China, refere ter recolhido 213 zigotos entre Abril e Setembro de 2014. Os óvulos fertilizados, doados por 87 pacientes, náo eram adequados a implantação como parte de terapia de fertilização in vitro por conterem um conjunto de cromossomas a mais.

A equipa de Fan usou edição genética CRISPR–Cas9 para introduzir em alguns dos embriões uma mutação que bloqueia um gene presente nas células imunitárias chamado CCR5. Algumas pessoas apresentam esta mutação (conhecida por CCR5Δ32) naturalmente e são resistentes ao HIV pois ela altera a proteína CCR5 de tal forma que impede o vírus de entrar nas células T que tenta infectar.

A análise genética mostrou que 4 dos 26 embriões humanos que foram manipulados tinham sido modificadas com sucesso mas nem todos os seus cromossomas tinham a mutação CCR5Δ32, alguns tinham a versão não modificada do CCR5, enquanto outros tinham adquirido mutações diferentes.

George Daley, biólogo de células estaminais no Hospital Pediátrico de Boston no Massachusetts, considera que o principal avanço do artigo é a utilização da CRISPR para introduzir uma modificação genético precisa com sucesso: “Este artigo não parece oferecer mais que evidências anedóticas de que funciona em embriões humanos, o que já sabíamos. Está certamente muito longe de atingir o potencial pretendido", ou seja, um embrião humano com todas as cópias do CCR5 inativadas.

“Apenas enfatiza que ainda existem muitas dificuldades na realização de edição genética de precisão em células embrionárias humanas”, di Xiao-Jiang Li, neurocientista na Universidade Emory em Atlanta, Georgia. Ele pensa que os investigadores deviam resolver estas dificuldades em primatas não humanos, por exemplo, antes de continuarem a modificar o genoma de embriões humanos usando técnicas como a CRISPR.

Tetsuya Ishii, bioético na Universidade de Hokkaido em Sapporo, Japão, não vê problemas na forma como as experiências foram conduzidas (um comité local de ética aprovou-as e os zigotos foram obtidos com consentimento informado) mas questiona a sua necessidade: “Introduzir a CCR5Δ32 e tentar reparar, mesmo em embriões não viáveis, é apenas brincar com embriões humanos."

A equipa de Fan escreve no artigo que as experiências prova de princípio para a edição genética em embriões humanos como as suas são importantes enquanto as questões éticas e legais da modificação da linha germinal são afastadas: “Acreditamos que qualquer tentativa para gerar humanos geneticamente modificados através da modificação de embriões muito jovens deve ser estritamente proíbida até resolvermos as questões éticas e científicas."

Daley encontra um acentuado contraste entre o trabalho de Fan e a investigação aprovada em Fevereiro pelos reguladores de fertilidade do Reino Unido, que irão permitir a edição genética de embriões humanos com a CRISPR. Essas experiências, lideradas pela bióloga do desenvolvimento Kathy Niakan, do Instituto Francis Crick em Londres, irá inativar genes envolvidos no desenvolvimento muito precoce do embrião, na esperança de compreender por que razão algumas gravidezes terminam. O trabalho será feito com embriões viáveis mas a licença dos investigadores exige que sejam destruídos até aos 14 dias de idade.

No início deste ano, o biólogo do desenvolvimento Robin Lovell-Badge, também do Instituto Francis Crick, referiu ter considerado que a aprovação inglesa poderia fortalecer outros investigadores interessados na investigação em edição de embriões: “Têm-no feito na China, é provável vermos os manuscritos começar a aparecer."

Enquanto o trabalho de Niakan está a responder a questões intrínsecas da embriologia, o trabalho de Fan está a estabelecer prova de princípio para o que será preciso fazer para gerar um indivíduo com resistência ao HIV, acrescenta Daley. “Isso significa que a ciência está a avançar antes de haver um consenso generalizado após deliberação de que essa abordagem é medicamente garantida", diz ele.

 

 

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