2016-04-02

Subject: Terão os humanos conduzido o Hobbit à extinção?

Terão os humanos conduzido o Hobbit à extinção?

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@ Nature/Liang Bua Team

O Homo floresiensis, a misteriosa e minúscula espécie encontrada na Indonésia em 2003, é milhares de anos mais velha do que inicialmente se pensava e pode ter sido conduzida à extinção pelos humanos modernos.

Depois de os investigadores terem descoberto o H. floresiensis, a quem deram a alcunha de Hobbit, na caverna Liang Bua na ilha de Flores, concluíram que os seus vestígios esqueléticos teriam 11 mil anos mas escavações posteriores dataram mais rocha e sedimentos em redor do ossos e sugerem agora que os Hobbits desapareceram da caverna há 50 mil anos, revela o estudo agora publicado na revista Nature.

Isso é mais ou menos ao mesmo tempo que os humanos modernos se deslocaram para o sudeste asiático e Austrália: “Não acredito que se trate de coincidência, com base no que sabemos acontecer quando os humanos modernos chegam a uma nova zona”, diz Richard Roberts, geocronologista na Universidade de Wollongong, Austrália. Ele salienta que os Neanderthal desapareceram logo após os primeiros humanos modernos chegarem à Europa, vindos de África. Roberts coliderou o estudo com os colegas Thomas Sutikna (arqueólogo que ajudou a coordenar a escavação de 2003) e Matthew Tocheri, paleoantropólogo na Universidade Lakehead em Thunder Bay, Canadá.

O primeiro fóssil de Hobbit, conhecido como LB1, foi encontrado em 2003 debaixo de 6 metros de rocha e sedimentos. Os seus frágeis ossos eram demasiado preciosos para a datação por radiocarbono, por isso a equipa recolheu carvão nas suas imediações, partindo do princípio que se fossilizado ao mesmo tempo que os ossos. Esse carvão tinha 11 mil anos, relataram os investigadores na época: “De alguma forma estas pessoas minúsculas tinham sobrevivido nesta ilha 30 mil anos depois da chegada dos humanos modernos", recorda Roberts. “Ficámos a coçar a cabeça, não fazia sentido."

A equipa do Hobbit continuou a escavar Liang Bua, principalmente em busca de mais vestígios de hominídeos mas também numa tentativa de melhor compreender a geologia da enorme caverna. As escavações mais recentes indicam que a camada de carvão estava numa secção da caverna onde os sedimentos mais antigos tinham sido erodidos e substituídos por rocha muito mais recente.

Usando vários métodos, a equipa datou a rocha recém-escavada e os sedimentos que se tinham acumulado na mesma camada que os vestígios dos hominídeos e descobriram que teriam entre 100 e 60 mil anos. As ferramentas de pedra anteriormente escavadas, que os investigadores pensam terem sido obra do H. floresiensis, foram datadas entre 190 e 50 mil anos.

As datas mais antigas resolvem o mistério da como poderiam os Hobbits teriam coexistido com humanos durante dezenas de milhares de anos: isso não aconteceu. Mas outras questões permanecem: os investigadores têm poucas pistas sobre a relação evolutiva do H. floresiensis com outros humanos antigos ou sobre se terão acasalado com humanos ou outras espécies.

Roberts refere que a geologia peculiar de Liang Bua teria sido difícil de detetar quando os primeiros ossos de Hobbit foram encontrados nos últimos dias de 2003. “Se penso que podíamos ter feito melhor trabalho? Não com o que sabíamos na altura", diz ele. “Estamos 10 anos mais à frente, sabemos muito mais e escavámos muito mais."

Tom Higham, arqueólogo ma Universidade de Oxford, Reino Unido, considera a datação mais recente convincente. “Estes resultados estão impressionantemente próximos das primeiras evidências da presença de humanos modernos na região, o que sugere uma ligação causal com o subsequente desaparecimento do H. floresiensis."

Também Roberts suspeita que os humanos tiveram mão no desaparecimento da espécie, talvez ao competir por recursos alimentares: “É uma arma fumegante para a interação com os humanos modernos mas ainda não encontrámos a bala." A equipa espera agora encontrar os vestígio dos humanos modernos que se encontraram com os últimos Hobbits.

 

 

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