2016-03-31

Subject: Maior estudo de sempre sobre adolescentes transgénero prestes a arrancar

Maior estudo de sempre sobre adolescentes transgénero prestes a arrancar

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Para as crianças transgénero, que pensam que o seu corpo pertence ao sexo errado, a puberdade pode ser aterrorizante. Para aliviar este trauma psicológico, os médicos estão cada vez mais a dar aos adolescentes transgénero medicamentos para bloquear a puberdade até que os seus corpos, e capacidade de tomar decisões, estejam maduros o suficiente para dar início ao tratamento hormonal de mudança de sexo, o que tipicamente é por volta dos 16 anos.

Mas os efeitos secundários deste tipo de terapia são largamente desconhecidos e investigadores e médicos continuam a tentar determinar como tratar crianças que questionam o género que lhes foi atribuído à nascença. Um estudo americano deverá começar em Maio a recrutar participantes pode vir a clarificar algumas destas questões.

Financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) americanos, o projeto de US$5,7 milhões não só será o maior estudo de sempre sobre a juventude transgénero, como será apenas o segundo a seguir os efeitos psicológicos do retardar da puberdade e o primeiro a seguir os seus impactos médicos. Surge no momento em que os NIH e outras entidades começaram a investir fortemente na saúde das pessoas transgénero, diz Robert Garofalo, pediatra no Hospital Pediátrico Ann e Robert H. Lurie de Chicago, Illinois, e um dos líderes do estudo. "Parece que estamos realmente num ponto de viragem."

Garofalo tenciona recrutar 280 adolescentes que se identificam como transgénero e segui-los pelo menos durante 5 anos. Um grupo irá receber bloqueadores de puberdade no início da adolescência e outro receberá hormonas de mudança de sexo. As suas descobertas poderão ajudar os médicos a avaliar a melhor forma de ajudar os adolescentes que procuram a transição.

Cerca de 75% das crianças que questionam o seu género acabam por se identificar com o seu género de nascença por altura da puberdade mas os que se identificam como transgénero na adolescência quase sempre o fazem permanentemente. Negar-lhes a possibilidade de fazer a transição não é ético, diz a perita em bioética Simona Giordano, da Universidade de Manchester, Reino Unido. “Não tratar estes adolescentes não é ser neutro, significa expor estas crianças a muitos danos.”

Ainda assim, não há uma idade clara em que as crianças possam passar a consentir tratamentos irreversíveis, incluindo hormonas. Para lhes permitir mais tempo para decidir e deixar que os seus corpos amadureçam, as crianças transgénero à beira da adolescência recebem frequentemente medicamentos conhecidos por agonistas GnRH, que bloqueiam os efeitos das hormonas sexuais. Esta é a “forma mais segura de aliviar os adolescentes transgénero durante o pior momento da sua vida”, diz Wylie Hembree, endocrinologista na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque.

Apenas um estudo, publicado em 2014, examinou os efeitos psicológicos deste tratamento. A pedopsiquiatra Annelou de Vries, do Centro Médico da Universidade VU em Amesterdão, seguiu um grupo de 55 adolescentes transgénero que receberam bloqueadores de puberdade por volta dos 13 anos de idade, hormonas de mudança de sexo aos 16 e cirurgias de mudança de sexo por volta dos 20 anos. Descobriu que os participantes no estudo, todos agora na casa dos 20 e poucos, eram mentalmente tão saudáveis como os seus pares não transgénero.

Sabemos muito menos sobre os efeitos sobre a saúde física do adiamento da puberdade. Os agonistas GnRH têm vindo a ser usados há décadas no tratamento de crianças que começam a amadurecer demasiado cedo mas alguns cientistas preocupam-se com o facto de o adiamento da puberdade puder perturbar o desenvolvimento cerebral e ósseo, conduzindo a problemas cognitivos e redução da densidade óssea.

Ainda este ano, a Sociedade de Endocrinologia irá atualizar as suas diretrizes para o tratamento de jovens transgénero. Stephen Rosenthal, endocrinologista pediátrico na Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF), e um dos líderes do novo estudo, antecipa duas mudanças principais: abandono da recomendação geral de impedir a terapia hormonal de mudança de sexo até aos 16 anos, o que permitirá flexibilidade com base de quando a criança entra na puberdade, e (algo bem mais controverso) se as crianças pré-adolescentes devem ser permitidas viver como o género com o qual se identificam.

Como a maioria das crianças que questionam o seu género deixam de o fazer após a adolescência, muitos psicólogos desencorajam a “transição social" até aos anos da adolescência, enquanto outros médicos usam a abordagem "esperar para ver".

Mas encorajar as crianças a viver de acordo com o género com que se identificam é uma escolha cada vez mais popular: “Tem havida uma verdadeira maré de mudança", diz Diane Ehrensaft, psicóloga na UCSF. Ela relata ver cada vez mais pacientes pré-adolescentes que já fizeram a transição social.

Muitos ativistas dos direitos dos transgénero apoiam este modelo e comparam todas as outras abordagens alternativas a terapias de conversão de homossexuais: “Estás a dizer a uma criança ‘não acredito em ti'". diz Asaf Orr, advogado do Centro Nacional para os Direitos das Lésbicas em San Francisco. A melhor estratégia, diz ele, é “afirmar a exploração de género de uma criança, independentemente de qual será o resultado final".

O debate é tão aceso, e as evidências tão escassas, que os autores do Manual de Diagnóstico e Estatísticas das Perturbações Mentais de 2013 da Associação de Psiquiatria Americana (DSM-5) não conseguiram chegar a um consenso. “As pessoas fazem declarações de conhecimento que não são mais que os seus sistemas de crença, não são apoiadas em investigação empírica”, diz Jack Drescher, psiquiatra no Instituto William Alanson White de Nova Iorque.

Mesmo assim, vários estados americanos e o Ontário no Canadá proibiram terapias de conversão de género, o que pode incluir qualquer prática que não ajudam ativamente as crianças a viver de acordo com o género com que se identificam. Seja qual for a abordagem, diz Giordano, os médicos e as famílias devem ajudar as crianças a compreender o que estão a passar: "Passar pelas transições sociais e físicas é uma longa viagem, diz ela.

 

 

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