2016-03-22

Subject: Vacina contra Dengue brilha em teste pioneiro

Vacina contra Dengue brilha em teste pioneiro

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@ Nature/London School of Hygiene and Tropical Medicine / Science Photo Library

Os cientistas descobriram o que pode ser a evidência mais forte à data de que uma vacina pode prevenir o Dengue infectando deliberadamente voluntários com uma forma enfraquecida do vírus causador da doença. Este método de testar vacinas, conhecido por 'desafio humano', caiu em desuso durante o último século mas pode ser crucial para o combate a certas doenças, incluindo o Zika.

“É um tremendo passo em frente e algo que era desesperadamente necessário desde há 30 anos”, diz Duane Gubler, investigador de doenças na Faculdade de Medicina Duke NUS em Singapura, que não esteve envolvido no novo estudo. A falta de estudos por desafio humano, diz ele, tem "na realidade sido uma das coisas que levou a que o desenvolvimento de vacinas contra o Dengue seja tão difícil".

As preocupações com a segurança de infectar deliberadamente pessoas têm limitado a utilização de testes de desafio humano. Actualmente os investigadores normalmente testam se a maioria das vacinas funciona vacinando grande número de pessoas que já estavam em risco de contrair a doença em questão e observando se ficam ou não protegidas.

Anna Durbin, investigadora de vacinas na Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg em Baltimore, Maryland, explica na revista Science Translational Medicine como usou a estratégia para testar uma vacina contra o Dengue. Primeiro, injectaram 21 voluntários com a vacina experimental e 20 outros voluntários com uma falsa vacina. Seis meses depois, injectaram todos os 41 voluntários com uma versão 'desafio' enfraquecida do vírus do Dengue, que habitualmente causa sintomas semelhantes a uma infecção suave de Degue, como uma erupção cutânea.

Nenhum dos vacinados adoeceu com o vírus desafio ou o revelou na corrente sanguínea. Pelo contrário, foram encontrados vírus do Dengue no sangue de todos os voluntários que tinham recebido a vacina falsa, 80% deles com surgimento da erupção cutânea. As actuais vacinas para o Dengue apenas protegem uma proporção dos voluntários, logo se estes resultados se confirmarem em populações maiores a vacina pode ser uma das mais prometedoras para o Dengue já desenvolvidas.

“Este é um artigo incrível que mostra que é absolutamente necessário desenvolver uma vacina contra o vírus do Dengue”, diz Scott Halstead, virologista e vacinologista nos Serviços Uniformizados da Universidade de Ciências da Saúde em Bethesda, Maryland. “É uma demonstração realmente importante do tipo de prova que precisamos antes de gastar US$1,5 ou 2 mil milhões num teste de fase III (eficácia)."

O vírus do Dengue tem-se revelado um alvo difícil para as vacinas pois tem quatro versões ou serotipos. O estudo agora publicado apenas testou se a vacina impedia a infecção com o Dengue serotipo 2, o mais difícil de obter protecção. Os investigadores já começaram um segundo teste de desafio humano para testar se a vacina protege contra o serotipo 3 e esperam continuar com testes para os serotipos 1 e 2.

Os cientistas que realizaram o estudo também esperam usar a estratégia do desafio humano para acelerar o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus Zika, que é aparentado com o do Dengue.

Vários grupos estão a trabalhar em potenciais vacinas para o Zika mas não é claro se as vacinas podem ser desenvolvidas a tempo de evitar as graves consequências do surto que já infectou um milhão de pessoas e pode estar a provocar malformações nos fetos.

“Estamos a analisar estratégias para acelerar essa linha temporal e pensamos que um modelo de desafio humano para o Zika pode ser muito útil nessa demanda", diz Durbin.

Entretanto, o Instituto Butantan em Säo Paulo, começou um grande teste clínico da candidata a vacina contra o Dengue a 22 de Fevereiro. O instituto espera angariar 17 mil pessoas ao longo do próximo ano para testar a a eficácia da vacina, que pode vir a ser licenciada em 2018. A farmacêutica japonesa Takeda, sedeada em Osaka, também iniciou estudos de eficácia de grande dimensão da sua própria candidata a vacina.

Isto dá aos veteranos do campo, como Gubler, esperança: “Pela primeira vez em 50 anos estou realmente entusiasmado e confiante que teremos uma vacina e seremos capazes de a usar no próximo par de anos.”

 

 

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