2016-03-05

Subject: Reveladas pistas genéticas das barbas hirsutas e monocelhas

Reveladas pistas genéticas das barbas hirsutas e monocelhas

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@ Nature/Granger, NYC. / Alamy

Hirsuto e perto, liso e louro, encaracolado e ruivo, o cabelo humano tem uma miríade de formas e cores. Agora os investigadores identificaram dez novas variantes genéticas que influenciam a sua aparência, incluindo os primeiros genes associados à velocidade com que o cabelo fica acinzentado, o quão hirsuta é uma barba ou uma sobrancelha ou se irão desenvolver uma monocelha.

Compreender a variabilidade do pêlo humano não é apenas interessante do ponto de vista cosmético, também é informativo do ponto de vista evolutivo. O pêlo pode indicar estatuto social, saúde e fertilidade, para além de regular a temperatura. "Os humanos são muito diferentes dos outros primatas no facto de o pêlo do escalpe poder ser muito luxuriante e comprido”, diz Desmond Tobin, director do Centro de Ciências da Pele da Universidade de Bradford, Reino Unido, que esteve envolvido neste último estudo. A quantidade de pêlo que cresce no corpo também varia significativamente entre indivíduos humanos.

Apesar de estudos anteriores, entre outras coisas, terem identificado genes associados com a calvície masculina (a forma mais comum de perda de pêlo nos homens), cor e grau de encaracolado, focaram-se largamente em populações europeias e leste asiáticas.

Para investigar mais, Kaustubh Adhikari, da University College de Londres, virou-se para uma amostra de mais de 6 mil pessoas do Brasil, Colômbia, Chile, México e Peru. Ele relata as suas descobertas na última edição da revista Nature Communications. A amostra contém uma mistura de descendentes de europeus, africanos e nativos americanos, com este último grupo considerado como tendo migrado originalmente do leste asiático. “Seria de esperar que estas pessoas trouxessem muitas variações genéticas adicionais”, diz Adhikari, que investigou a forma das orelhas na mesma população.

Estes investigadores classificaram os voluntários de acordo com a cor, forma e padrão capilar no escalpe e face, e analisou uma amostra de sangue para que ficassem registadas as variações genéticas individuais. Correlacionando estas variações com características físicas, uma abordagem conhecida por estudo de associação genómica (GWAS), revelou áreas do genoma que parecem ter a maior influência sobre estas características.

Uma das variantes identificada influencia a taxa a que o cabelo fica cinzento e está localizada num gene chamado IRF4, que regula a produção e deposição de melanina. A mesma variante já tinha sido associada á tonalidade clara do pêlo nos europeus.

Outra, que influencia o grau de encaracolado do pêlo, está no gene PRSS53. Este codifica uma enzima produzida no folículo do cabelo, que rodeia e protege o pêlo em crescimento.

Essas descobertas podem abrir caminho a medicamentos que alterem a cor ou o encaracolado do cabelo: “Os produtos habituais para o cabelo são aplicados depois do cabelo ter sido formado mas ter como alvo o cabelo que está a ser formado pode resultar numa maior consistência de cor ou efeitos mais duradouros", diz Adhikari.

Outros genes identificados pela equipa incluem uma variante do gene EDAR, antes associado com a espessura do pêlo nos leste asiáticos, o que parece fazer crescer o pêlo facial mais esparsamente e o do escalpe mais liso. A variante do gene FOXL2 está associada com a espessura das sobrancelhas e a variante do gene PAX3 está associada ao crescimento da monocelha.

Este conhecimento pode um dia ser associado ás tentativas de criar retratos de suspeitos criminais apenas a partir do seu DNA, diz Manfred Kayser, do Centro Médico da Universidade Erasmus em Roterdão, que trabalha nas aplicações da genética da aparência á antropologia e á ciência forense. Mas, alerta ele, “com a excepção da cor do pêlo, não compreendemos realmente o suficiente sobre a base genética destas características para que possam ser úteis”. As descobertas terão que ser replicadas e identificados muito mais genes, diz ele: “Para muitas das características do pêlo humano estudadas neste artigo, este é o primeiro conhecimento genético que obtemos."

Por que razão algumas características surgem em algumas populações e não noutras continua pouco claro: “Pode-se especular que dado que a beleza depende de quem olha, o grau de atracção física percebida destas características encorajou a reprodução”, diz Rodney Sinclair, dermatologista na Universidade de Melbourne, Austrália.

Algumas destas características podem ter trazido outros benefícios físicos: “Pode ser que pêlo do escalpe mais liso seja uma adaptação a zonas mais frias do mundo, onde a rápida dissipação do calor do escalpe, que é mais eficiente com cabelos encaracolados, era menos necessário", diz Tobin.

Algumas características do pêlo também estão relacionadas com doenças: perda prematura de cabelo foi associada a doenças cardíacas e cancro da próstata, acinzentar precoce está associado a síndroma de Down e a progéria e a monocelha a uma perturbação no desenvolvimento conhecida por síndroma de Cornelia de Lange. Compreender estes "mecanismos genéticos partilhados", diz Sinclair, “pode, em último caso, levar a estratégias que simultaneamente reforcem a beleza e aliviem a doença”.

 

 

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