2016-02-28

Subject: Relatório da biodiversidade global alerta para ameaça aos polinizadores

Relatório da biodiversidade global alerta para ameaça aos polinizadores

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@ Nature/Frank Bienewald/LightRocket/Getty Images

Um corpo científico internacional encarregue de analisar a saúde ecológica do planeta anunciou as descobertas do seu primeiro relatório, onde se alerta para facto de o contínuo declínio do número de insectos e outros animais polinizadores ameaçar a produção global de alimentos.

A Plataforma Intergovernamental de Ciência e Política sobre Biodiversidade e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) foi criada em 2012 e segue, em termos gerais, o modelo do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC). A resposta ao relatório sobre os polinizadores, anunciado num encontro em Kuala Lumpur, pode ser um primeiro sinal de que a influência deste grupo pode vir a ser tão importante do ponto de vista político e científico como o seu congénere.

Robert Watson, cientista ambiental no Centro Tyndall para as Alterações Climáticas da Universidade de East Anglia em Norwich, Reino Unido, e vice-presidente do IPBES, está confiante que a avaliação tenha impacto. O IPBES tem 124 governos membros e a sua avaliação dos polinizadores passou por duas rondas de avaliação por pares externa. Tal como os relatórios de avaliação do clima do IPCC, a avaliação foi debatida palavra a palavra, diz Watson: “O facto de todos os governos terem pedido este relatório dá indicações de que irão usar os resultados.”

Dave Goulson, investigador de abelhas na Universidade do Sussex em Brighton, Reino Unido, diz que “questionaria se alguma acção prática no terreno para ajudar os polinizadores em resultado deste documento. Estamos em plena sexta extinção e passamos o tempo a escrever documentos sobre a biodiversidade mas não fazemos nada para lidar com as questões fundamentais que estão a causar esta catástrofe ecológica.”

O relatório é uma avaliação sóbria do declínio das populações de insectos e animais polinizadores, afectados por factores incluindo alterações climáticas, doenças e uso de pesticidas. A produção global de alimentos que depende de polinizadores é uma indústria de mais de US$577 mil milhões por ano, refere o relatório.

“Se houver mais declínios na natureza e nos polinizadores domésticos, pode ser um risco sério para os alimentos que dependem deles, especialmente alimentos de alto valor nutricional como as sementes e os frutos”, diz Watson.

Está a "tornar-se muito claro” que os pesticidas têm “efeitos decididamente danosos” nas abelhas selvagens, diz Simon Potts, perito em biodiversidade na Universidade de Reading, Reino Unido, e co-presidente do relatório. “É preciso que haja menos e mais inteligente aplicação” destes químicos, acrescenta ele.

Os estudos deram resultados mistos sobre a associação entre os pesticidas e o declínio ´da saúde das abelhas, salienta o relatório do IPBES. Os críticos questionaram alguns estudos por usarem doses muito superiores que as tipicamente encontradas nos campos agrícolas e perguntam se os efeitos sub-letais observados em alguns insectos são relevantes para as populações.

A revisão reconhece estas limitações mas refere que alguns estudos laboratoriais usam doses realistas. Os efeitos danosos observados em abelhas individualmente num recente estudo de campo são "tão enormes e fortes”, acrescenta Potts, que indica que os efeitos nas populações e colmeias terão que ser negativos. O próximo passo é obter evidências directas dos efeitos a longo prazo nas populações, diz ele.

“A exposição dos polinizadores aos pesticidas pode ser diminuída pela redução do uso dos pesticidas”, diz o relatório, e pelo uso de outras formas de controlo de pragas. Também sugere que os agricultores podem adoptar técnicas amigas do ambiente, como plantar flores para estimular o efectivo de insectos polinizadores.

Em 2013, a Comissão Europeia impôs uma proibição temporária à utilização de três controversos insecticidas neonicotinóides (clotianidina, tiametoxam e imidacloprida). A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (AESA) de Parma, Itália, está a rever a sua segurança e espera ter a sua análise completa em Janeiro de 2017.

A avaliação do IPBES causou controvérsia mesmo antes de ser conhecido: alguns cientistas queixaram-se de falta de transparência na nomeação de dois peritos agroquímicos entre os 40 autores principais da análise. Axel Hochkirch, perito em biodiversidade na Universidade de Trier, Alemanha, diz que ainda está preocupado com a forma como os cientistas da indústria foram selecionados, apesar do IPBES exigir que todos os seus autores principais fazerem declarações de conflito de interesses.

Watson referiu que o comité sobre os conflitos de interesses do IPBES “analisou cuidadosamente” os currículos dos cientistas da indústria e “concluiu que não existiam conflitos”. Para além disso, Watson considera que o IPBES tem "verificações", como as revisões independentes dos seus procedimentos em 2017 e 2018, para garantir que tudo está correcto.

“A revisão independente será crítica”, diz Thomas Brooks, chefe de ciência na União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em Gland, Suíça. O IPBES propôs passar a liderança da revisão ao Conselho Internacional para a Ciência, uma organização não governamental que representa corpos científicos e sindicatos mas Brooks diz que o IPBES deve seleccionar uma companhia de consultadoria através de um processo competitivo e aberto.

Anne Larigauderie, secretário executivo do IPBES, di que o corpo irá decidir como conduzir as análises no final do seu encontro de Kuala Lumpur, a 28 de Fevereiro. O encontro também deve definir o orçamento do IPBES para os próximos dois anos e decidir se deve conduzir uma avaliação global da sustentabilidade da utilização da biodiversidade, bem como uma análise separada das espécies invasoras.

O IPBES está actualmente a trabalhar em quatro avaliações regionais de biodiversidade em quatro zonas, incluindo África e Américas, e uma avaliação separada da degradação da terra, que espera ter concluídos em 2018.

 

 

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