2016-02-26

Subject: Debate sobre hiato no aquecimento global reacende

Debate sobre hiato no aquecimento global reacende

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A última salva na discussão sobre as tendências das alterações climáticas alega que o aquecimento realmente abrandou este século.

Um aparente abrandamento na subida das temperaturas globais no início do século XXI, que não é explicado pelos modelos climáticos, foi descrito como um hiato ou uma pausa quando observado pela primeira vez há vários anos. Os céticos usaram-no como evidência de que o aquecimento tinha parado mas em junho passado um estudo publicado na revista Science alegava que se tratava apenas de um artefacto quando desvios nos dados de temperatura eram corrigidos.

Agora, um proeminente grupo de investigadores contraria essa alegação, defendendo na revista Nature Climate Change que após a referida correção o abrandamento se confirma.

“Há este desencontro entre o que os modelos climáticos estão a produzir e o que as observações mostram”, diz o autor principal John Fyfe, modelador climático no Centro Canadiano de Análise e Modelação Climática em Victoria, Colúmbia Britânica. “Não podemos ignorá-lo."

Fyfe usa o termo "abrandamento" e não hiato e salienta que nada disto mina de qualquer forma a teoria do aquecimento global.

O debate revolve parcialmente á volta de estatísticas de tendências de temperaturas. O estudo que questionava a existência de abrandamento corrigia desvios conhecidos no registo de temperaturas superficiais mantido pela Administração Oceânica e Atmosférica (NOAA) americana, como diferenças nas leituras de temperatura a partir de navios e boias. Isto efetivamente aumentava o aquecimento registado e os investigadores estenderam o registo para incluir 2014, que tinha estabelecido um novo recorde máximo para temperaturas médias.

Esse trabalho, liderado por Thomas Karl, diretor dos Centros Nacionais de Informação Ambiental da NOAA em Asheville, Carolina do Norte, calculou a taxa de aquecimento global entre 1950 e 1999 como sendo de 0,113 °C por década, semelhante aos 0.116 °C por década calculados para 2000–14. Isto, referiu Karl, significava que a avaliação feita pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas em 2013, onde se considerava que o aquecimento tinha abrandado, já não era válida.

Fyfe defendem que a abordagem de Karl foi desviada por um período de temperaturas relativamente estáveis que se prolongou de 1950 ao início da década de 1970. As emissões de gases de efeito de estufa foram inferiores nesse período e as emissões de poluentes industriais como os aerossóis de sulfatos estavam a arrefecer o planeta ao refletir a luz do Sol para o espaço. Fyfe considera que os seus cálculos mostram que o planeta aqueceu 0,170 °C por década entre 1972 e 2001, o que é significativamente mais que o aquecimento de 0,113 °C por década que calcula para 2000–14.

Fyfe refere que a vantagem da sua abordagem é ter em conta os eventos que afetam as tendências climáticas por década. Por exemplo, os investigadores descobriram que os modelos climáticos subestimaram o efeito de arrefecimento de erupções vulcânicas e sobrestimaram o aquecimento devido á radiação solar no início do século XXI.

Outros investigadores estão a analisar a variabilidade o Pacífico, incluindo a medida das temperaturas superficiais oceânicas conhecida por oscilação de década do Pacífico. Todas estas coisas afetam o clima e podem mascarar a tendência a longo prazo de aquecimento.

Susan Solomon, climatóloga no Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, refere que o quadro de Fyfe ajuda a colocar as tendências do século XXI em perspetiva e indica claramente que a taxa de aquecimento abrandou num momento em que as emissões de gases de efeito de estufa estavam a subir de forma alarmante: “É importante explicar isso, como cientistas estamos curiosos com todas as variações desta curva.”

Por seu lado, Karl reconhece que é importante investigar de que forma os efeitos a curto prazo podem influenciar as tendências de década mas considera que eles podem não elucidar sobre os efeitos a longo prazo da subida dos gases de efeito de estufa na atmosfera: “O que fica ofuscado é o objetivo de revelar o aquecimento devido ás emissões de gases de efeito de estufa persistentes, simplesmente não é possível ter uma visão correta da tendência a longo prazo analisando segmentos de 10 ou 20 anos.”

Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque, está cansado de toda a discussão, que considera se resumir a definições e picardias académicas. Não há evidências de uma alteração nas tendências a longo prazo de aquecimento, diz ele, e há sempre um leque de razões porque uma tendência a curto prazo pode divergir ou porque os modelos climáticos não captam essa divergência: “Um pouco de autopromoção e proteção do território é a explicação delicada, não que haja algum problema com isso.”

 

 

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