2016-02-22

Subject: Milhares de cabras e coelhos desaparecem de laboratório de biotecnologia

Milhares de cabras e coelhos desaparecem de laboratório de biotecnologia

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Em julho de 2015, a importante fornecedora de anticorpos Santa Cruz Biotechnology era dona de 2471 coelhos e 3202 cabras mas agora os animais desapareceram, segundo uma recente inspeção federal do Departamento de Agricultura americano (USDA).

A companhia, sedeada em Dallas, Texas, é uma das maiores fornecedoras mundiais de anticorpos, extraindo-os de animais como cabras e coelhos injetando-os com proteínas que estimulam a sua produção. Os investigadores biomédicos podem, depois, usá-los para detetar e marcar a mesma proteína em células ou amostras de tecidos.

Mas a Santa Cruz Biotech também está a ser alvo de 3 queixas relativas ao bem-estar animal submetidas pela USDA depois de os seus inspetores terem encontrado evidências de que a companhia maltratava as cabras nas suas instalações californianas.

A Santa Cruz Biotech contestou as queixas e foi aberto um processo de negociação mas este falhou em setembro passado, pelo que as audiências em tribunal devem ser retomadas em abril.

Mas entretanto, a companhia parece ter despachado todo o seu inventário animal: quando a USDA inspecionou as instalações californianas em janeiro não encontrou nem violações das regras de bem-estar animal, nem animais.

O destino dos animais é desconhecido pois David Schaefer, director de relações públicas da firma de advogados Covington & Burling em Washington DC, que representa a Santa Cruz Biotechnology, recusou comentar.

Como animais de investigação, as cabras e os coelhos não podem ser vendidos como carne mas podem ser vendidos a outras entidades de pesquisa. Cathy Liss, presidente do Instituto de Bem-estar Animal de Washington DC, suspeita que os animais tenham sido mortos. Ela considera improvável que um tão grande número de animais criados com um objetivo específico tivessem comprador.

David Favre, perito em leis do bem-estar animal na Universidade Estadual do Michigan em East Lansing, defende que o desaparecimento dos animais não deve afetar os procedimentos legais pois as queixas da USDA se referem a eventos passados mas considera que o tribunal deverá ter em conta estes desenvolvimentos.

Favre também está descontente com o adiamento por parte da USDA das suas ações, “atitude que lhes deu tempo para o resolver em vez de impor castigo”. “Não há desculpa para uma companhia desta dimensão não ser capaz de cumprir a Ata do Bem-estar Animal.”

As queixas da USDA contra a Santa Cruz Biotech relatam violações da lei desde 2007, entre elas mordidas de coiote não tratadas nas cabras, enormes tumores, bem como coelhos alojados em condições cruéis. A companhia manteve 841 cabras em instalações secretas até 2012, pois, segundo a veterinária interna Robin Parker, o presidente da companhia John Stephenson considerava os reguladores "muito picuínhas".

Favre diz que a USDA e a Santa Cruz Biotech podem já ter chegado a algum tipo de acordo que exija que a companhia cesse a manutenção de animais para uso comercial antes de da audiência de abril, o que pode explicar o desaparecimento das cabras e dos coelhos. No entanto, USDA refere que a companhia não apresentou qualquer prova da remoção dos animais.

Se a Santa Cruz Biotech deixar de produzir anticorpos, haverá centenas de outros fornecedores para os investigadores, diz David Rimm, patologista na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut. “Penso que as pessoas podem notar mas não me parece que tenha impacto sobre a ciência."

Ele especula que a companhia pode passar a produzir anticorpos recombinantes, que são produzidos em cultura de células geneticamente modificadas para produzir anticorpos específicos. Muitas companhias adotaram este método em vez de utilizar animais, diz Rimm.

Alice Ra’anan, directora de relações com o governo e política científica da Sociedade Americana de Fisiologia em Bethesda, Maryland, espera que as alegações contra a Santa Cruz Biotechnology desencadeiem uma mudança cultural entre os envolvidos na pesquisa em animais. O resultado ideal, diz ela, é “que as pessoas deiam ao bem-estar animal o nível de consideração que merece”.

 

 

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